Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Manaus

Descompasso nas obras do porto e aeroporto em Manaus

Ampliação do aeroporto internacional Eduardo Gomes está 61,7% concluída, enquanto a do porto de Manaus sequer foi licitada



1.jpg A reforma e ampliação do terminal de passageiros do aeroporto Eduardo Gomes tem previsão de entrega para dezembro
18/05/2013 às 18:00

O andamento das duas principais obras na área de infraestrutura aeroportuária para a Copa do Mundo de 2014 em Manaus está em descompasso. Enquanto a reforma e ampliação do aeroporto internacional Eduardo Gomes atingiu os 61,73% das obras, o porto de Manaus não recebeu ainda um tijolo da prometida restauração, adequação e modernização de sua área portuária.

Os projetos do aeroporto e do porto de Manaus estão estimados em  R$ 483,5 milhões. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) são, respectivamente, os responsáveis pela execução das duas obras.

Orçada em R$ 394,1 milhões (segundo Portal Transparência do Governo Federal),  a reforma e ampliação do terminal de passageiros do aeroporto Eduardo Gomes tem previsão de entrega para dezembro deste ano. A sete meses do prazo, a Infraero diz que 61,73% da obra foram concluídos.

Segundo a Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo de Futebol de 2014, a obra no aeroporto internacional Eduardo Gomes deveria ter iniciado em fevereiro de 2011. Mas a ordem de serviço só foi assinada nove meses depois, em novembro daquele ano. A Matriz de Responsabilidades é o documento que apresenta as obras, ações e os valores a serem realizados e investidos na Copa.

Com 1.300 operários em campo, em 15 frentes de trabalho, a Infraero garante que não há riscos do aeroporto não ser entregue à população até o campeonato de futebol. “As etapas das obras estão sendo cumpridas conforme cronograma”, informou a assessoria de imprensa da Infraero.

Em janeiro deste ano, quando 46% das obras no aeroporto estavam realizadas, de R$ 352,3 milhões contratados para o projeto, a Infraero já tinha empregado R$ 119,7 milhões. A reforma e ampliação do terminal de passageiros e adequação do sistema viário foram adicionadas à Matriz de Responsabilidades via termo aditivo, no dia 19 de julho de 2010.

O porto de Manaus, que pode ser a porta de entrada à capital amazonense mais procurada pelos turistas durante a realização da Copa de 2014, no mês de junho, apresenta, hoje, chances reais de não ter, por exemplo, áreas suficientes para acomodar passageiros e bagagens.

Pela Matriz de Responsabilidades, o porto de Manaus deveria, até dezembro deste ano, ter dois armazéns (3 e 4) adaptados para terminal de passageiros. O projeto também previa a adaptação do armazém 0 para abrigo de bagagens. Seriam realizados ainda no local a ampliação de cais e defensas, urbanização de pátio para estacionamento e passarela coberta para pedestres. Pelas mudanças, o Governo Federal prometeu pagar R$ 89,4 milhões.

Pelo cronograma original, o projeto básico do terminal marítimo de Manaus deveria ter sido concluído em março de 2011. O licenciamento ambiental até setembro de 2012, e o início das obras em outro daquele mesmo ano. O projeto foi adicionado via aditivo à Matriz de Responsabilidades no dia 19 de julho de 2010.

Segundo o administrador do porto de Manaus, Luciano Moreira de Souza Filho, atualmente, as obras estão em licitação. E a previsão é que iniciem no dia 1º de agosto deste ano. “Apesar do pouco tempo até a Copa, ainda há condições de executar as obras previstas”, avaliou Luciano Moreira.

O coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP-Copa) do Governo do Estado, Miguel Capobiango Neto, não está otimista com relação à conclusão do projeto do porto.  “A gente já está com o prazo para a Copa superado. Não tem como ter as obras do porto finalizadas para a Copa”, disse Capobiango. O administrador do porto discorda.

Terminal de Manaus é desafio

Ao avaliar o andamento das obras de terminais marítimos para a Copa de 2014, em janeiro deste ano, a Secretaria de Portos classificou como “desafios” os projetos de Manaus e do Rio de Janeiro. “Apenas no Rio de Janeiro e Manaus observam-se efetivamente desafios”, diz trecho da nota da secretaria publicada no site www.copa2014.gov.br, no dia 28 de janeiro.

A secretaria justificou na nota que uma das razões para o atraso da obra no porto da capital amazonense era a mudança do órgão responsável pela área portuária. “Com relação ao Porto de Manaus, ele era de responsabilidade do Ministério dos Transportes e foi transferido para a Secretaria de Portos em dezembro de 2012. Assim, estamos em fase de transição”, informou o texto.

No Rio de Janeiro, segundo a Secretaria de Portos, a assinatura do contrato com a empresa vencedora da licitação estava condicionada à anuência de outros órgãos.

Em Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e Santos, também há projetos em áreas portuárias. Segundo o governo, nessas cidades as obras estão andando. “As obras iniciadas demonstram um bom ritmo tanto na execução financeira quanto na física”, informou a Secretaria de Portos, em janeiro.

Quatro perguntas para Luciano Moreira Filho, administrador do Porto de Manaus

1. A obra do porto de Manaus será concluída até a Copa?
Tudo indica que sim.

2. O coordenador da UGP-Copa diz que não
Não se pode afirmar isso com essa certeza, uma vez que as obras já estão em processo de licitação e têm início previsto para  1º de agosto deste ano. Apesar do pouco tempo, ainda há condições de executá-las. Se a licitação obtiver o êxito esperado, as obras serão iniciadas em agosto. O prazo para execução previsto é de 10 meses. Portanto, se não ocorrerem imprevistos, ainda há tempo para execução das obras obrigatórias.

3. Sem essas obras, o porto terá estrutura para receber bem os turistas?

O porto público de Manaus está operando atualmente e, portanto, poderia receber navios de cruzeiro a qualquer momento. Vale ressaltar que o porto recebeu todos os navios de cruzeiro que visitaram esta capital, na temporada 2012/2013 .

4.Como ficará o porto de Manaus após as obras?
Com as obras previstas, entretanto, o porto de Manaus terá suas estruturas navais reforçadas, em atendimento às orientações da Marinha, e passará a ser mais confortável, mais funcional e esteticamente mais agradável.


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