Domingo, 21 de Abril de 2019
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Manaus

Desempregada que mora em barraca no ‘quintal’ do Prosamim desabafa: 'Não tenho para onde ir'

Maria Paulina Batista, 54, aguarda decisão da Superintendência de Habitação para ter uma moradia digna no local


10/04/2015 às 21:33

Passaram-se cinco meses desde que a desempregada Maria Paulina Batista, 54, passou a ocupar uma parte do terreno do Conjunto Residencial Cajual, que faz parte do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), no bairro Santa Luzia, Zona Sul.

Em uma barraca erguida com plásticos e pedaços de madeira, ela dorme, faz as refeições, cuida da saúde e espera pela decisão da Superintendência de Habitação de, finalmente, tirá-la dali para um dos 216 apartamentos que estão no seu “quintal”.

A insistência de Maria Paulina reflete a realidade de tantos outros espalhados pela cidade que desejam conquistar uma moradia digna a todo custo. Ela é um das pessoas que, em novembro do ano passado, invadiram 70 unidades do conjunto.

Na época, a Unidade de Gerenciamento do órgão retirou os invasores com a Polícia Militar (PM), mas quem não tinha para onde ir decidiu acampar no local. Aproximadamente 25 famílias insistem e continuam no local. Dessas, apenas cinco barracas ainda existem. O restante voltou a ocupar os prédios  irregularmente.

Das cinco barracas, apenas a de Maria Paulina está ocupada e é moradia fixa. Ela prefere não desmontar o “teto” e voltar a ocupar um dos apartamentos vagos. “Vou ficar aqui, esperando. Não tenho para onde ir. Estou desempregada por problemas de saúde, estou fazendo exames para fazer uma cirurgia e preciso de algum lugar para ficar. Aqui é onde posso estar enquanto não tenho direito a ocupar uma casa dessas”, ressaltou.

Sem trabalhar, ela alega não ter condições de pagar um aluguel de R$ 400. “Não tinha mais como pagar o aluguel, disseram que os apartamentos estavam vagos, viemos e fomos expulsos. Depois construí meu barraco porque não tenho para onde ir”, contou.

Sem filhos e marido, ela diz que o espaço tem o que precisa. “Perdi metade dos meus móveis e eletrodomésticos de quando eu tinha uma venda”, lembra. Para ir ao banheiro, ela precisa pedir aos vizinhos que moram no prédio. Quando o tempo de chuva se forma, ela pede ajuda para amarrar as lonas e proteger a “casa” da água.

Sem chance

A Secretaria da Região Metropolitana (SRMM), gestora do Prosamim - o programa de requalificação ambiental e urbanística dos igarapés - informou que desde dezembro de 2014 as barracas estão no local.

De acordo com a SRMM, o cadastro para conseguir um apartamento é realizado na fase de projeto  e apenas  para os moradores da área. Maria Paulina não era moradora e não possui cadastro para ser beneficiada com a moradia.


Foto:Euzivaldo Queiroz

"Invadir foi melhor opção"

Com sete filhos, Keith Sampaio, 34, faz parte do grupo de 20 pessoas que decidiram ocupar novamente os apartamentos do Prosamim, mesmo sabendo do risco de, a qualquer momento, ser despejada.

Ela diz que foi uma das primeiras a invadir o local, motivada por uma revolta. “Eu era atendente em um restaurante e descobri que meu chefe tinha comprado um apartamento aqui. Se estavam vendendo, eu, que preciso, posso morar”, desabafa.

Ela disse ainda que mantém uma barraca erguida do outro lado da rua, ao lado de Maria Paulina, porque não    quer carregar todos os móveis para casa, com medo. “Eu deixo lá porque sei que eles podem chegar a qualquer momento e me tirar. Mas eu estou aqui porque precisamos dormir, fugir da chuva. Quero conseguir uma casa”. Apenas alguns eletrodomésticos estão no apartamento.

Segundo a SRMM, não   há registros de denúncias sobre venda dos imóveis. Os apartamentos são entregues diretamente  aos proprietários, os beneficiários cadastrados no  programa. No documento de propriedade é obrigatória a permanência no imóvel por um período de dez anos antes de poder vender, alugar ou ceder.

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