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Desordem: camelôs se instalam nas proximidades dos grandes shoppings

As feira de camelôs se consolidam no entorno dos shoppings de Manaus. Além da farta opção de comidas, produtos pirateados e artigos de variedades, a novidade agora são os funcionários das operadores de telefonia celular que vão para a rua vender seus produtos 24/05/2013 às 10:14
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Marcos de Souza (ao centro) veio de Rondônia e logo soube que um bom ponto era próximo do Amazonas Shopping
Steffanie Schimidt Manaus, AM

Cachorro-quente, espetinho, CDs e DVDs – últimos lançamentos – capas para celular, óculos de sol de todos os formatos e cores, títulos de capitalização, pipoca, tapioca, artesanato, salada de fruta, balinhas e chip para celular. Tudo isso pode ser encontrado na feira de camelôs  que se consolida no entorno dos shoppings de Manaus.

Além da farta opção de comidas, produtos pirateados e artigos de variedades, a novidade agora são os funcionários das operadores de telefonia celular que vão para a rua vender seus produtos. Ao som de “olha o chip”, a impressão é de que mesmo em plena avenida Djalma Batista, na Zona Centro-Sul,  o pedestre está em um calçadão do Centro, Zona Sul. Uniformizados com camisetas das operadoras – pelo menos duas diferentes ficam no local durante a semana – eles oferecem até mesmo brindes, como sacolas personalizadas para quem adquirir o produto.

A concorrência é tamanha que novos ambulantes não são permitidos na área. A regra vale, em geral, para aqueles que vendem os mesmos produtos encontrados no local. “Às vezes tem discussão por aqui por conta disso. Todo mundo que trabalha nessa área  se conhece e sabe quando tem um ‘invasor’ com mercadorias parecidas”, afirmou o camelô Jorge Bernard da Silva, 43, que vende tapiocas há mais de 10 anos na calçada, entre o Amazonas Shopping e o Manaus Plaza.

Segundo ele, as vendas são boas, mesmo chegando no ponto para trabalhar por volta das 18h, quando a movimentação no local é maior, por conta de escolas e cursos de pós-graduação que funcionam nas proximidades. “Eu chego esse horário para não entrar em conflito com os fiscais da prefeitura. Eles  me disseram que depois dessa hora não tem bronca”, afirmou Jorge que diz já ter passado por “três administrações de prefeito”.

E é exatamente esse mercado pulsante que vem atraindo cada vez mais vendedores, que antes se dirigiam ao Centro. Foi o que aconteceu com Marcos de Souza, 40. Praticante da moda “hippie” há 20 anos, ele vive da venda do artesanato e está na calçada da  Djalma Batista há uma semana. Vindo de Porto Velho, junto com amigos, ele diz que quando chegou em Manaus procurou saber onde havia um “ponto bom”. “Me falaram perto dos shoppings e aqui estou. É com isto que pago o que comer, beber, minha sobrevivência”, afirmar o artesão.

Outro ponto

Na avenida Umberto Calderaro Filho, antiga Paraíba, também pulsa um comércio ambulante, principalmente de comida. Espetinho de carne e frango, acompanhado de farofa sai por R$ 3 na esquina do Manauara Shopping com o Carrefour.  Do outro lado da via, próximo à parada de ônibus, pode-se encontrar pipoca e balas.

Em números

7 mil é o número de ambulantes   cadastrados pela Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab) em Manaus. Segundo a secretaria, o aparecimento de ‘invasores’, gente que por vários motivos entra temporariamente no mercado informal - como os desempregados - é responsável por duplicar esse contigente de pessoas nas ruas de Manaus.

Shoppings

O Manauara Shopping informou, por meio de assessoria de imprensa que não se manifesta sobre esse tipo de assunto. O Manaus Plaza também não se pronunciou. Já a administração do Amazonas Shopping alegou que não vai se manifestar sobre o assunto. A camelotagem próximas dos shoppings é uma tendência embalada pela alta frequência de consumidores e trabalhadores nestes centros.

Sempab já apreendeu mercadorias

“Notificamos, retiramos e apreendemos as mercadorias várias vezes, mas eles sempre voltam”. A afirmação é da Diretora do Departamento de Comércio Informal da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), Marilza Bastos. Segundo a diretora, várias denúncias são recebidas na secretaria relacionadas aos camelôs no entorno dos shoppins, principalmente na Djalma Batista.

De acordo com a legislação, eles podem receber três notificações, cada uma com um prazo de 20 dias, antes de serem retirados. “Eles voltam por que não têm opção. Quanto a isso, estamos estudando alternativas de trabalho para eles”, disse. A idéia é retirar todos até o final do ano, já que a  Djalma Batista é um dos corredores viários da Copa.

Uma parte dos  camelôs que migram para essas áreas, segundo ela, são do Centro, que vem sendo desocupado aos poucos. Outro problema apontado por ela é a questão cultural. “O pai leva o filho para ajudar na banca e acaba que vira profissão”, disse.

Um adolescente, de 17 anos, está cuidando de três mostruários de óculos, capas de celulares e variedades, na calçada do Manaus Plaza. Ele só foi aceito no local por que o ponto é do padrasto, que está viajando. Perguntado se estuda, ele respondeu apenas que: “Chego às 8h e fico até às 20h”.

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