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Despejo de água em vias causa riscos à saúde

Com apenas 15% de cobertura da rede de esgoto, despejar água de uso doméstico nas ruas virou um problema de saúde pública 18/05/2013 às 17:15
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O problema é agravado pela baixa cobertura da rede de esgoto: 15% da capital
Florêncio Mesquita ---

A maioria dos bairros de Manaus registra casos de moradores que despejam deliberadamente água servida no meio da rua. O líquido é proveniente de pias de cozinha, tanques, máquinas de lavar roupas e até de banheiros, e vai parar na rua por meio de tubulações que saem das residências e seguem para o meio fio. A água servida, como é chamada, é um problema para a cidade porque causa doenças e principalmente prejuízos ao município, que precisa reparar o asfalto e calçadas danificados pelo material.

O líquido deveria ser canalizado e direcionado para uma fossa séptica, caixa de gordura, ou mesmo para a rede de esgoto, onde ela existe. No entanto, como Manaus ainda não tem rede de esgoto em todos os bairros, é comum encontrar em qualquer parte da cidade tubos em sarjetas que jogam o material diretamente na via pública.

Alguns são usados apenas para despejar água da chuva, mas a maioria é proveniente de esgoto doméstico. Em dias de sol, o problema é mais evidente porque o caminho da água servida fica marcado no asfalto.

Em algumas situações há, inclusive, mau cheiro. Os danos ao asfalto causados pela água servida são grandes porque o material penetra no solo e, em pouco tempo, surgem buracos na via. A situação piora com o trânsito de carros e caminhões por onde a água corre, no meio da rua.

A diversidade de produtos lançados na água servida é grande. Eles vão de detergentes a óleo de cozinha e produtos químicos e aceleram os danos ao asfalto. Além das residências, alguns dos locais usados para lavagem de carros, os populares lava-jatos, também contribuem para o problema.

Conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (Semimf), o ideal é que a população não direcione a tubulação doméstica para a rua. As saídas são a rede coletora de esgoto e a fossas, que devem que devem ser construídas no interior dos quintais.

Quando há dano no pavimento, em função da água servida, a única alternativa é a prefeitura fazer os reparos. Em algumas cidades do País, as prefeituras montam operações para inibir os “esgotos clandestinos” e chegam a multar quem descumpre por crime ambiental. Em Manaus não está definido a quem compete a fiscalização.

Segundo do diretor-presidente da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini, há uma regulamentação nacional que obriga a população a conectar o esgoto doméstico à rede que passa na rua. No entanto, em Manaus, não há a obrigatoriedade, uma vez que, não existe nenhuma lei municipal que trate sobre o assunto.

Serviço não atende 85% da capital

A capital amazonense tem apenas 15% de rede de esgoto em toda a área urbana. Os outros 85% da cidade continuam descobertos pelo sistema de coleta, o que significa que a maioria do esgoto doméstico tem destino incorreto. Uma pequena parcela vai para fossas sépticas.

De acordo com o diretor-presidente da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini, os 15% atendem as especificações do contrato de concessão que empresa mantém com a Prefeitura de Manaus. Ele reconhece que o porcentual ainda é pouco quando considerado o tamanho da cidade e a população.

Ele explicou que, infelizmente, ainda é um hábito a população jogar água servida na rua sem nenhum tipo de tratamento, intensificando a poluição do solo e risco de doenças.

Para Bianchini, há necessidade de Manaus aplicar a legislação que obriga a população a construir fossas onde não há rede de esgoto. A medida evitaria que o material fosse despejado sem nenhum controle em via pública. 


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