Domingo, 19 de Maio de 2019
Manaus

Despejo de peixes estragados no entorno de balsa atrai urubus no porto Panair, Zona Sul de Manaus

Feirantes afirmam que os peixes surgem após o despejo feito por vendedores do Terminal de Carga Geral e Pesqueiro de Manaus, localizado ao lado da balsa



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Conforme denúncia de comerciantes da feira da Panair, pescadores que usam o terminal municipal descartam no rio os peixes sem condições de venda e, com isso, ocorre a atração natural de um bando de urubus. Estes, por sua vez, expulsam os clientes
10/07/2015 às 11:39

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Há pelo menos uma semana, o entorno da balsa de madeira do porto da Panair, no Educandos, Zona Sul, vem sendo tomado por uma grande quantidade de peixes estragados. A denúncia é dos próprios feirantes do local. Eles afirmam que os peixes surgem após o despejo feito por vendedores do Terminal de Carga Geral e Pesqueiro de Manaus, localizado ao lado da balsa. O motivo seria a ausência de câmaras frigoríficas para armazenar os produtos que chegam a capital.

Abaixo da estrutura de madeira, responsável por receber as mercadorias que abastecem a feira da Panair, o que pode ser visto é lixo, mas principalmente peixe. O presidente da Associação de Feirantes, Júlio Araújo, trabalha há 28 anos no local. Ele culpa os pescadores do terminal pela autoria do descarte.

“Eles passam com os barquinhos e jogam tudo da caixa. De manhã ficam muitos (peixes) aqui boiando, mas a voadeira passa, faz o banzeiro e leva tudo pra debaixo da balsa até eles entrarem em decomposição”, contou.

O resultado da ação é o aparecimento de muitos urubus no espaço. “Aumentou muito... Sem contar o mau cheiro que fica por causa desses peixes aqui. Não queremos condenar ninguém, mas sim que alguém encontre uma solução, porque a tendência é piorar”, disse.

Sem armazenamento

Conforme os comerciantes, muitos peixes que chegam no terminal ficam armazenados nos chamados “motores” dos das embarcações. Eles explicam que a razão é a falta de um local adequado para o armazenamento desse pescado.

A informação foi confirmada pelo superintendente regional substituto do Ministério da Pesca e Aquicultura, Egon Vilanova. Segundo ele, um processo está em aberto para reformar as câmaras frigoríficas do Terminal Pesqueiro de Manaus.

“A gente está com uma licitação pra ter uma fábrica de gelo aqui no Porto para armazenar esses peixes e o terminal pesqueiro possa funcionar de vez. Até o momento não temos nenhuma resposta concreta”, declarou Vilanova.

Coleta diferenciada

De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), diversas feiras da capital, assim como a feira da Panair, tem o seu lixo recolhido diariamente.

Em relação à orla do porto e áreas próximas de rios, o órgão informou por meio de assessoria de imprensa que é realizada uma coleta diferenciada, onde pequenas embarcações são deslocadas para retirar de camburões de lixo todo o material que não é usado, incluindo os peixes estragados.

Utilidade do terminal indefinida

Em março deste ano, o ministro de Pesca e Aquicultura, Hélder Barbalho, esteve em Manaus e disse que a situação do Terminal Pesqueiro seria definida ainda em 2015, depois de oito anos em obras. “Manaus tem um terminal pesqueiro público que há muito tempo foi construído, mas que, lamentavelmente, não se efetivou, e a sua funcionalidade hoje é apenas um desembarque de pescado”, disse Barbalho na ocasião.

Conforme A CRÍTICA apurou, a falta de estrutura no terminal pesqueiro para o armazenamento dos peixes resultava em um desperdício diário na ordem de 10% no ano de 2013. A Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas (Fepesca) também estimou, na época, que o prejuízo pudesse ser maior, onde 25% dos peixes fossem descartados. 



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