Terça-feira, 16 de Julho de 2019
AMOR DE MÃE

#CasosMarcantes 2017: Soldado da PM que amamentou recém-nascido em Itapiranga

A soldado da PM que amamentou uma criança, retirada da barriga da mãe durante um dos crimes que mais chocou o Estado em 2017, relata que acompanha o crescimento do bebê



24/12/2017 às 16:47

Filha de uma sargento da Polícia Militar, a soldado Pâmela Graziela Serrão, de 29 anos, viveu o momento mais marcante da carreira no dia 19 de outubro de 2017, ao amamentar um recém-nascido, de sexo masculino, retirado por criminosos da barriga da mãe, no município de Itapiranga (distante a 227 quilômetros de Manaus). Ela lembra que pensou em adotar a criança, mas que a ideia foi ficando guardada no coração com o passar dos dias. Atualmente, Pâmela acompanha o crescimento do bebê de 2 meses por meio de fotos enviadas pelos familiares.

A soldado tem três filhos de sangue, mas afirma que ganhou outro de coração após o casal Joelma Queila Santana da Silva, de 22 anos, e Alex da Silva Carvalho, 18, serem presos por matarem, no município de São Sebastião de Uatumã (a 247 quilômetros de Manaus), a mãe da criança.

Pâmela relata que estava saindo de plantão quando ficou sabendo do crime. No primeiro momento, ela pensou que a ocorrência se tratava de duas pessoas que tinham roubado a criança da mãe enquanto estava viva, mas logo depois soube que a história era muito mais grave do que imaginava.

“Como a gente não tem muito armamento, tenho que repassar a arma para o policial que vai entrar no serviço. Nessa ocasião, quem ia entrar era minha mãe. Quando estava fazendo anotações no livro de ocorrências, minha mãe chegou e disse que ia sair com a guarnição. Até aquele momento não sabia do que se tratava, imaginava que o casal tinha roubado a criança da mãe quando ela estava viva. Mas logo depois soube a verdade. Fiquei muito assustada”, afirmou.

Minutos depois, segundo Pâmela, o recém-nascido chegou nos braços da mãe sargento na unidade policial. A partir deste momento, a soldado começou de fato a cuidar da criança. “A primeira coisa que fiz foi olhar para a criança. Depois peguei ele e levei para dentro do alojamento, porque até ali não sabíamos qual era o sexo. Fiquei olhando durante um tempo, mas o bebê estava dormindo”, lembrou.

A soldado também conta que ligou para o secretário de saúde do município com o objetivo de conseguir que a criança fosse examinada por uma equipe médica o mais rápido possível. “Fiquei muito nervosa com tudo que estava acontecendo. Liguei para o secretário e ele deslocou uma equipe, e aí surgiu a necessidade de levar a criança até o hospital. Ao chegarmos lá, o médico disse que não tinha banco de leite e me ofereci para amamentar”, comentou.

"Momento inesquecível"

Segundo Pâmela, o bebê se recusou a mamar no primeiro momento, mas acabou se acostumado com o peito. “O médico terminou o procedimento e levei o bebê para outra sala. De primeira, ele não conseguiu pegar o peito. Comecei a espremer o leite na boca dele e foi sentindo o gosto. A partir disso consegui amamentá-lo”, lembrou mais uma vez.

Dois meses depois, a soldado afirma que “morre de saudade” do momento em que amamentou a criança. Ela afirma que não sabe descrever o que sentiu. “Eu morro de saudade daquele momento. Posso falar que até hoje não sei o que senti. Imaginei com quem a criança ia ficar quando aquele momento acabasse. Pensei também no que a mãe da criança pensou quando foi morta. Também me senti muito feliz de conseguir ajudar. Não dei para ele só o leite, mas sim amor e carinho”, destacou.

Despedida

Após amamentar o bebê, a soldado foi para casa tomar banho. Quando voltou para a unidade hospitalar, a criança havia sido liberada. “Saí com o bebê do hospital e depois levei para a lancha. Naquele momento entreguei para o Conselho Tutelar e a criança foi entregue para a avó materna em São Sebastião de Uatumã”, disse.

Por conta da saudade e do sentimento de ser mãe da criança, Pâmela visita e recebe fotos do crescimento do bebê. “Até hoje mantenho contato com os familiares do bebê. Escolhi até o nome dele, é chamado Pietro Graziano. Mando mensagem para saber como ele está”, completou.

Repercussão da foto

A soldado da PM fez uma foto amamentando a criança e o material teve muita repercussão nas redes sociais e até nos grupos de WhatsApp. Pâmela conta que foi procurada por diversos veículos de comunicação de Manaus, entre eles o Portal A Crítica, para falar sobre o momento.

“Fiz uma foto e coloquei no grupo da minha família no WhatsApp. Em questão de horas repercutiu e comecei a receber milhares de mensagens de pessoas residentes no Amazonas e até fora do Estado. Logo no início não consegui acompanhar as minhas redes sociais, não dei conta para responder todas as mensagens”, comentou.

Atuando há 6 anos na Polícia Militar de Itapiranga, a soldado conta que escolheu a profissão ao ver o trabalho da mãe e por conta da estabilidade que o cargo proporciona. “Sempre achei bonita a farda. Mas entrei na polícia por ver a minha mãe trabalhando e por conta da estabilidade. Aquele dia de amamentar a criança, foi o momento mais importante da minha carreira até agora”, ressaltou.

Desejo para 2018

Para o próximo ano, a soldado da PM deseja que o bebê, Pietro Graziano, receba muito amor, carinho e paz. “Eu pensei em adotar ele, mas isso ficou apenas no meu coração. Hoje desejo as melhores coisas para o Pietro. Desejo um ano repleto de coisas boas, porque mesmo não sendo a mãe biológica, tenho um carinho imenso por ele. É meu filho”, completou.

Investigações

A Polícia Civil do Estado do Amazonas (PCAM) informou que Alex da Silva, 18, e Joelma Queila Santana da Silva, 22, foram autuados em flagrante por homicídio duplamente qualificado. A vítima era uma jovem de 20 anos, estava grávida de 37 semanas.

Segundo o órgão, após a prática criminosa, os infratores empreenderam fuga para Itapiranga, onde foram presos na orla do município durante ação conjunta de policiais. A PC também destacou que o juiz Roger Luiz Paz de Almeida, titular da Comarca de São Sebastião do Uatumã, converteu o flagrante em prisão preventiva por homicídio duplamente qualificado.

Alex foi levado ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) e Joelma para o Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), onde estão à disposição da Justiça.

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