Sábado, 20 de Julho de 2019
Manaus

Detentos usam a criatividade para burlar sistemas tecnológicos em cadeias de Manaus

Na maioria das revistas realizadas nos presídios, é comum a polícia apreender uma série de inventos feitas pelos encarcerados na tentativa de fugir



1.gif Complexo Penitenciário Anísio Jobim deverá receber sistemas de segurança destinados a reduzir fugas como a ocorrida no último mês de março
01/07/2013 às 09:00

Enquanto o governo aposta na tecnologia para melhorar o funcionamento das cadeias, os presos buscam a criatividade para desenvolver inventos destinados a aproveitar as falhas no sistema de tecnologia usado os presídios. Há menos de um mês, o secretário de Justiça e de direitos humanos Wesley Aguiar, anunciou uma série de medidas que estavam sendo implantadas no sistema penitenciário para garantir a segurança das unidades prisionais, principalmente nas da capital.

Essas medidas vão além dos muros altos com cercas elétricas, segundo Aguiar. Os presos de Justiça serão submetidos a recursos da tecnologia que começaram ser implantados desde o mês de fevereiro deste ano como câmeras de segurança e centrais de bloqueio de telefônico.  A expectativa é que com esses investimentos, as cadeias tenham maior segurança para evitar que as fugas continuem acontecendo e além disso, reprimir a corrupção de servidores, inibir os índices de criminalidade e as despesas com presos.

CÂMERAS

A realidade tem levado a vigilância descobrir uma série de inventos dos “habilidosos” encarcerados e que colocam em risco a eficiência da tecnologia. Na maioria das revistas realizadas nos presídios, é comum a polícia apreender antenas fabricadas de cabo de vassoura armadas com fio elétrico descascado e palha de aço. Essa engenhosidade serve para ampliar o sinal de transmissão e recepção das ligações telefônicas dentro das unidades prisionais.  Para combater isso, serão instaladas mais de 100 câmeras de segurança dentro dos presídios para monitorar e enviar imagens diretamente para a Secretaria de Justiça e de Direitos Humanos (Sejus), pelo setor de inteligência.

O responsável pela instalação dos bloqueadores disse que os equipamentos já estão afixados em todos os presídios, mas ainda estão passando por ajustes e testes visando garantir o índice de confiabilidade no sistema, que é de 100%. Um problema é que o sistema deixa de funcionar quando há queda de energia, ou ainda quando os presos conseguir convencer um servidor a cortar o fio do bloqueador.

Um pedaço de sabão e palha de aço são coisas simples, mas podem se transformar em dispositivos capazes de romper o bloqueio para telefone celular. Para Aguiar, conseguir bloquear a comunicação dos presos com o mundo fora das grades é um desafio já que um dos objetivos é evitar que as lideranças das facções criminosas continuem organizando rebeliões e motins, como também planejando os sequestros, extorsões e assassinatos de dentro dos presídios.

Mas as câmeras são alvos dos presos, que usam espécie de estilingue ou baladeira fabricado de preservativos. Com ele, são atiradas pedrinhas que podem destruir as câmeras instaladas nos corredores. Para o secretário, por meio das câmeras será possível fazer o monitoramento das unidades prisionais e acompanhar esse tipo de ação e tentar evitá-la.

Objetos como colher viram armas

O que mais surpreendente é que os presidiários conseguem descobrir ou desenvolver instrumentos usados como armas com os quais conseguem quebrar os sistemas e normas dos presídios facilitando fugas como aconteceu no início do ano, quando internos fugiram do sistema fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no Km 8 da BR-174. A escavação, na maioria das vezes, é feita com colher e outros objetos de pequeno potencial de perigo. Para fazer as armas chamadas por eles de “estoques”, são usados objetos diversos como o eixo do motor do ventilador, colheres, grampos de cabelo e pedaços de vergalhões. 

Uma prática comum nos presídios é a fabricação artesanal da chamada "Maria Louca", bebida alcoólica fermentada, feita com restos de alimentos, como cascas de laranja, resto de pão, arroz e cascas de fruta. Essa é a única forma que os presos encontram para ter uma bebida alcoólica, que é proibida dentro dos presídios, principalmente porque a embriaguez gera desentendimentos e muitas vezes brigas que podem acabar em morte.

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