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Serviços de detetives ganham espaço em Manaus com flagras de traições

Segundo detetives manauaras, 80% das solicitações pelas investigações conjugais são feitas por parceiros desconfiados de estarem sendo traídos 02/10/2017 às 21:54 - Atualizado em 03/10/2017 às 09:40
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(Arte: Thiago Rocha)
Dani Brito Manaus (AM)

Traição! Quem nunca teve uma dor de cotovelo relacionada a uma desilusão amorosa? O assunto já foi tema de filmes, novelas e está na boca do povo, embalado por  músicas que fazem sucesso, conhecidas como “sofrência”. Mas como tudo tem um lado bom, há quem ganhe dinheiro com isso: os detetives particulares. Dentre os casos de investigação particular, os casos extraconjugais lideram o ranking das solicitações destes serviços.

A maioria das pessoas que procuram este tipo de serviço é do sexo masculino. E 80% das solicitações pelas investigações conjugais são feitas por maridos ou namorados desconfiados de estarem sendo traídos. A afirmação é do detetive Jhony Silva, 31, que trabalha no ramo há oito anos.

“Eles são, definitivamente, a maioria e quando nos procuram já têm uma grande desconfiança e querem a prova de que estão sendo traídos. Primeiramente, eles nos confidenciam uma situação de crise amorosa e, em seguida, pedem a nossa ajuda para ter a certeza, com provas, da infidelidade”, explicou o detetive.

Perfil

A faixa etária média desses “desconfiados” é de 30 a 45 anos. Eles são geralmente de classe média alta e bem resolvidos profissionalmente. Procuram o serviço para ter a certeza da traição, mas, ao terem a prova da infidelidade, muitas vezes decidem perdoar a parceira ou parceiro e dar mais uma chance à relação. 

Conforme o presidente os Sindicato dos Detetives do Amazonas, Wilson Ferreira, o percentual de traídos que perdoam chega a 40%. “Muitas pessoas que procuram o nosso serviço já tem quase certeza de que estão sendo traídas, mas querem ter a prova. Mas quando conseguimos essa certeza, eles acabam perdoando. O sentimento fala mais alto e a vida segue”, destacou o detetive.

Como contratar

E quem quiser contratar um serviço de investigação deve se preparar para desembolsar uma boa grana. A diária de uma investigação conjugal, na cidade de  Manaus, custa em torno de R$ 600. 
Porém, o detetive Wilson Ferreira destaca que, quando a desconfiança tem fundamento, em uma semana o trabalho pode ser concluído, custando em média R$ 4,2 mil.  

Os interessados em contratar este tipo de serviço podem entrar em contato com o presidente do sindicato  pelo telefone (92) 9 9159-2221.

Profissão reconhecida e regulamentada

 A profissão de detetive é cheia de riscos e, para exercê-la, é necessário uma qualificação, até mesmo para a própria segurança. Conforme o detetive Wilson Ferreira, a pessoa que quiser exercer esta função deve fazer um curso de detetive. Na prática, estes “espiões” precisam usar alguns equipamentos, como chave botão, escuta ambiente, óculos com filmadora, câmera digital, chaveiro e caneta com filmadoras. O investimento inicial de equipamentos pode chegar a R$1,2 mil.

A profissão é reconhecida desde 1957, mas somente em maio deste ano foi regulamentada. Agora é preciso também ficar atento para não ser enganado por um “Charlatão”. “A pessoa que procura um detetive deve se atentar se o profissional passa confiança, se ele tem escritório e, se possível, ter indicações”, ressalta Wilson Ferreira.

Indenização só em caso de  injúria

Em agosto deste ano, uma mulher entrou com pedido de indenização no 8º Juizado Especial Cível de  Manaus, pedindo ressarcimento do marido por ele tê-la traído. O pedido foi negado pelo juiz Marcelo da Costa Vieira, com justificativa de que a indenização caberia caso a traição tivesse feita “com o propósito inequívoco de causar vexame, vergonha e execração pública ao traído, não bastando sua mera ocorrência”.

O advogado Caio Kanawati explica que a traição deixou de ser crime em março de 2005. A partir de então, o pedido de indenização só é possível em casos atípicos, como se a “vítima” for xingada e injuriada em público durante uma briga por conta da traição. Aí o pedido que pode ser ingressado é o de danos morais.

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