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Manaus
Por trás do ‘Círio’

Devoção à Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará, mobiliza milhares de fiéis

O aposentado Luiz Thimóteo Florindo, de 79 anos, há mais de 70  envolve a família no trabalho de ornamentação da berlinda e transporte da santa pelas ruas da cidade, alimentando um hábito que já virou uma “marca” da família 09/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 09/10/2016 às 10:22
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A história da família Florindo se mistura com a devoção à Santa de Nazaré. Foto: Euzivaldo Queiroz
Isabelle Valois Manaus

Por trás das belezas do festejo do Círio de Nazaré há muitas histórias de fé e devoção de paroquianos que dedicam a vida para continuar com a tradição, em Manaus, dos festejos da santa padroeira dos paraenses, Nossa Senhora de Nazaré. O aposentado Luiz Thimóteo Florindo, de 79 anos, há mais de 70  envolve a família no trabalho de ornamentação da berlinda e transporte da santa pelas ruas da cidade, alimentando um hábito que já virou uma “marca” da família.

Morador do bairro de Adrianópolis, na Zona Centro-Sul, desde os 13 anos, Thimóteo participa da paróquia de Nazaré do bairro. A paixão e devoção pela padroeira dos parenses surgiu   quando ele auxiliava as missas comunitárias como coroinha e recebeu a responsabilidade de levar a berlinda às ruas de Manaus, conduzida em uma carroça. “Lembro que já tinhamos a tradição da corda. A carroça realizava o percurso da procissão, sendo puxada na corda pelos fiéis de Nazaré, e há muito tempo realizávamos um percurso maior do que acontece hoje, pois saíamos no segundo sábado do mês de outubro para a paróquia de São Sebastião, no Centro, e retornávamos com o Círio no domingo seguinte”, contou.

Quando Thimóteo se casou com Autalina Moreira Florindo, hoje com 72 anos, não teve escapatória: ela foi envolvida na devoção a Nazaré. Como companheira do condutor da berlinda, Autalina ganhou a responsabilidade de coordenadar a ornamentação de todo andor que conduziria a santa. A aposentada relembra que saía nas principais ruas do bairro de Adrianópolis recolhendo doações de flores para a ornamentação do andor, e quando não havia flores  suficientes, ela chegava a pegar a estrada para coletar  todo o material que precisava para deixar a berlinda florida para receber a imagem de Nazaré, que percorreria as ruas da cidade.

“Hoje, com as floriculturas, temos mais facilidade de conseguir a ornamentação. Porém continuo a receber as doações. No caso da ornamentação, fica sob minha responsabilidade, dos meus filhos e netos: no total somos mais de 28 pessoas”, detalhou a aposentada.

Dos pais para os filhos
Todos os anos, três dias antes do segundo final de semana de outubro, quando acontecem os festejos, a família de Thimóteo e Autalina se reúne para retocar a pintura da berlinda e trocar os tecidos do oratório, pensando nos mínimos detalhes, como combinar os tecidos com o manto escolhido para cobrir a santa no dia da procissão.

Tantos “ritos” em família não poderiam resultar em outra coisa que não a continuidade dessa devoção à santa pelas futuras gerações da família. Quando Thimóteo completou 70 anos, precisou largar a condução da berlinda, mas entregou a responsabilidade para o filho caçula, Carlos Frederico Florindo.  Apesar disso, o aposentado ainda se faz presente nos festejos: é ele quem recebe, das mãos do pároco de Nazaré, a imagem da Santa, apresenta-a ao fiéis devotos e a coloca na berlinda. “Não deixarei a fé em Nazaré morrer, tenho uma família tradicional e unida, graças a Nossa Senhora de Nazaré”, completou.

Pra quem não pôde ir até Belém
Aqueles que não conseguirem ir aos festejos de Nazaré em Belém do Pará, naquela que é a maior festa religiosa do Brasil, podem sentir a emoção dos festejo do Círio em Manaus. Neste ano, o Círio tem o tema: “Que Maria nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos”, e o lema: “Maria, Mãe da Misericórdia, ensina-nos a sermos misericordiosos”.

Neste domingo, às 6h30 haverá a missa no Santuário de Fátima, presidida pelo bispo auxiliar dom José Albuquerque, após a celebração acontece a procissão do Círio até a paróquia de Nazaré.

Durante as demais semanas de outubro é realizada a romaria nos prédios que fazem parte da comunidade e, no dia 23 de outubro, a comunidade realiza a procissão na ruas da comunidade e, por fim, celebra com o arraial. Todos os finais de semana terão celebração da santa missa.

Mário Missiato - Pároco de Nossa Senhora de Nazaré
Estamos vivendo o ano jubilar da misericórdia. É a igreja que nos convida para este momento mais profundo de reflexão, em que o mundo solicita desta misericórdia, de perdão e de esquecer as ofensas para recomeçarmos uma vida nova. O Círio deste ano também foca neste tema: quem mais do que Nossa Senhora pode nos ajudar a sermos misericordiosos uns para com os outros? Deus é misericordioso conosco, pois a gente erra, comete o pecado, falha e faz tantas coisas por causa da nossa fragilidade, mas ele sempre está disposto a nos perdoar, então por qual motivo não devemos perdoar o próximo ou pedir o perdão? O tema dos festejos de Nazaré reforça esta reflexão”.

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