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Dez pessoas morrem por overdose de drogas a cada mês em Manaus

Pessoas com idade entre 15 e 30 anos são a maioria entre as 84 vítimas de suspeita de overdose registradas este ano, segundo dados do IML 13/09/2014 às 17:38
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O uso excessivo da mistura entre álcool e cocaína são apontados como fatores de risco para uma overdose, problema que está ficando comum em Manaus
Joana Queiroz Manaus (AM)

O número de mortes por suspeita de overdose vem aumentando em Manaus, principalmente entre pessoas com idade entre 15 a 30 anos, segundo dados do Instituto Médico Legal (IML). No ano passado, foram registrados 108 casos, uma média de uma morte a cada três dias. De janeiro até o final de agosto já foram 84, ou seja, todos os meses, dez pessoas, pelo menos, morrem por causa do consumo excessivo de drogas.

De acordo com dados do IML, as principais vítimas são homens das classes sociais C e D, embora as drogas sejam consumidas por pessoas de ambos os sexos e de todas as classes sociais. Segundo a polícia, usuários de droga são encontradas em todos os lugares, pois a venda de drogas ocorre em todas as zonas da cidade.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), Epitácio Almeida, que classifica o problema das drogas em Manaus como “endêmico”, afirma que a situação chegou a esse ponto por falta de um trabalho preventivo do poder público. “Só a repressão ao tráfico não traz resultados, porque o crime está banalizado”, alertou. Para ele, é fácil encontrar diferentes drogas nas ruas, inclusive, à luz do dia. O resultado é o número crescente de usuários.

É o que aponta, também, o Relatório Mundial sobre Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), elaborado em 2013. Segudo o documento, o consumo de cocaína dobrou no Brasil no prazo de seis anos, atingindo1,75% da população com idade entre 15 e 64 anos em 2011. Com o consumo, cresceram os casos de overdose.

E uma das vítimas desse cenário foi Daniela Normando Cabral Penha, 35, encontrada morta em um motel localizado na avenida Torquato Tapajós, bairro Flores, Zona Norte, no mês passado. De acordo com informações da assessoria da Polícia Civil, o acompanhante da mulher confirmou que ela teve intensas convulsões, que acabaram culminando no óbito dela. O exame de necropsia apontou a suspeita de overdose.

Isolamento

Segundo o diretor do IML, Sérgio Machado, muitas pessoas acabam morrendo por overdose porque geralmente se isolam para consumir droga. “Algumas preferem se drogar trancadas no quarto. Isso é perigoso porque o organismo pode reagir de forma estranha e, se não houver socorro imediato, a possibilidade do óbito é grande”, disse o médico legista, que é cardiologista.

O coordenador de cozinha Elton Roberto de Oliveira Campos, 30, teve a sorte de ser socorrido pela mãe no momento que estava tendo uma convulsão e uma hemorragia interna. “A minha língua enrolou, mas a minha mãe me socorreu. Eu teria morrido se ela não estivesse por perto”, recorda Elton.

O industriário Lucas Silva Raad, 26, não teve a mesma sorte. Ele foi encontrado morto em um dos apartamentos da pousada Elite, na avenida Grande Circular, bairro Amazonino Mendes, Zona Leste. A polícia suspeita que ele tenha entrado no estabelecimento sozinho para consumir droga, teve uma overdose e não foi socorrido.

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