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Manaus
DEFESA DA MULHER

Na luta contra a violência de gênero, amazonenses criam 'Instituto Mana'

As ações do Instituto são realizadas por meio de aconselhamentos pelo Facebook. Além de Clubes de Livros e palestras educacionais 08/03/2017 às 05:00
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Foto: Márcio Silva
Amanda Guimarães Manaus (AM)

Keila, Anne e Nayana. Mulheres, amigas, advogadas e com o mesmo desejo de lutar pela promoção e defesa dos direitos das mulheres e da livre orientação sexual, além da identidade de gênero na cidade de Manaus. Com a inquietação sobre os temas, elas criaram o ‘Instituto Mana’ no mês de janeiro. Atualmente o projeto presta aconselhamento a pessoas do sexo feminino de diversas cidades do Brasil.

Antes de criarem o instituto, as amazonenses realizavam palestras sobre bullying e divulgação indevida de imagens íntimas nas escolas. O que fez o desenvolvimento do projeto se tornar mais fácil, pois os assuntos discutidos durante as oficinas sempre retratavam a forma que a mulher é tratada na sociedade. Elas sabiam que queriam ajudar.

“A Anne e Nayana são colegas de faculdade, e um dia se inquietaram em relação à identidade de gênero. A Nayana me ligou e disse que elas tinham pensando em um projeto, mas não sabiam como financiar. Eu disse que ia ajudar no inicio, mas acabei de tornando parte do projeto”, comentou Keila Thamires Martins, 27, que atualmente mora nos Estados Unidos, mas que sempre participa das atividades do projeto por meio do Skype.

O Instituto Mana possui três linhas de ação. O primeiro trata-se do empoderamento feminino, que é tratado por meio de um Clube de Livros, realizado toda última quarta do mês, na Livraria Leitura, no Amazonas Shopping, a partir das 19h, com a apresentação de obras que apresentam mulheres na sua produção e no contexto.

A segunda parte do projeto se refere à educação para a tolerância, com a realização de atividades educacionais e culturais para a conscientização das mulheres. As próximas atividades nesse quesito serão realizadas na Escola Estadual Adelaide Tavares de Macedo e na Escola Estadual Presidente Castelo Branco na próxima semana.

A terceira linha de ação é o aconselhamento e orientação no Facebook para mulheres vítimas de violência de gênero. “Um dos motivos dessa linha é promover conhecimento para mulheres, pois muitas não sabem os seus direitos. Elas entram em contato conosco pelo Facebook e respondemos as suas questões. As mais comuns são sobre direito da família, mas focamos na violência de gêneros”, explicou uma das fundadoras, Nayana Lorenas Goes, de 27 anos.

Mesmo com o pouco tempo de criação do projeto, a página do Facebook do Instituto Mana possui pelo menos 8 mil curtidas. Outras das fundadoras da organização sem fins lucrativos, a advogada Anne Paiva de Alencar, 27, falou da resposta positiva do público da Internet.

“Lançamos o projeto nas redes sociais e a resposta foi surpreendente. Tivemos muitos compartilhamentos e foi o que atraiu muita atenção. Não tínhamos pretensão que o Instituto ser tornaria tão grande em pouco tempo. Tivemos que redesenhar toda a demanda, por isso chegamos nas três linhas de ação”, comentou.

Reconhecimento no Brasil

Com o bom público, a meta das meninas é alcançar reconhecimento no Brasil com uma organização que luta pelas mulheres. “O nosso sonho é se tornar referência nacional e conseguir trazer mais gente para trabalhar junto. Quando lançamos o projeto na página, eu atendi duas pessoas que eram de Manaus. As outras são de outros estados. Dos nossos seguidores, apenas 10% são da nossa cidade”, completou Keila.

Uma das atividades que o Instituo Mana pretende realizar em Manaus é a produção de oficinas sobre identidade de gênero para alunos do Ensino Médio, mas isso só deverá ser produzido no segundo semestre de 2017.

“Manaus é a capital dos crimes sexuais. Imagina o que acontece no interior do Amazonas, com toda a aquela questão da menina ser obrigada a casar cedo, de exploração sexual. Antes de mudarmos o mundo, precisamos começar em mudar a nossa cidade, por isso que precisamos de visibilidade do nosso projeto aqui na nossa cidade”, ressaltou Anne.

Ajuda da ‘Mana’

Atualmente as atividades do Instituto Mana são desenvolvidas apenas por Keila, Anne e Nayana, mas toda ajuda é muito bem-vinda. “Temos um grupo querendo participar do aconselhamento, que conta com psicólogos e assistentes sociais, mas ainda estamos selecionando as pessoas. Quem quiser participar do Instituto pode nos procurar pelas redes sociais e falar o que pode fazer para beneficiar o projeto”, afirmou Keila, acrescentando que o nome da organização foi escolhido após as três chegarem concordarem.

“Passamos por vários nomes, porque pensamos em nomes que poderiam ter reação a nossa região. Depois de descartar algumas opções, chegamos no Mana, que mostra o nosso vínculo com as mulheres”, finalizou.

 

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