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Manaus
Dia das Crianças

Vinte e seis crianças do Lar Batista Janell Doylle estão à espera de uma família

Pelo abrigo, que completa 20 anos nesta quarta-feira (12), já passaram mais de 5 mil crianças, mas a minoria conseguiu um novo lar 12/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 12/10/2016 às 08:31
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Em 20 anos, Lar Janell Doylle acolheu mais de 5 mil crianças. Foto: Euzivaldo Queiroz
Isabelle Valois Manaus

“O melhor presente para essas crianças é um novo lar, com uma nova família”. E é isso que a diretora-executiva do Lar Batista Janell Doyle, Magaly Araújo, mais deseja para as 26 crianças que vivem no abrigo à espera de uma família.

Pelo abrigo, que completa 20 anos nesta quarta-feira (12),  já passaram mais de 5 mil crianças, mas a minoria conseguiu um novo lar. Para os que ficaram, no entanto, o carinho vem da “família” do Janell Doyle.  Nem todas as crianças do abrigo já estão aptas para serem adotadas: há algumas em processo de destituição familiar.  “Nós damos toda a atenção possível para os nossos abrigados, mas nada se compara a um lar em família”, opinou Magaly.

Para ela, o Dia das Crianças, tem um significado especial para os pequenos abrigados e, por isso, eles recebem uma atenção especial nesse dia, que é de muita festa, também, pelo aniversário do abrigo.  “Para toda criança este dia é de festa. Mas para o Lar vai além, pois hoje comemoramos 20 anos de existência. Já acolhemos mais de 5 mil crianças e hoje temos 26 assistidas, aguardando por uma família”.

E elas não são as únicas. Informações da Coordenação de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), da Comarca de Manaus, revelam que, na capital, há 24 crianças ou adolescentes elegíveis para adoção. O número deve chegar a 88, uma vez que 37 estão em processo de destituição familiar e 27 registram histórico que já apontam para a futura destituição familiar.

Mas, de acordo com a juíza da Infância e da Juventude, Rebeca de Mendonça Lima, 80% das pessoas habilitadas para adoção querem crianças de 0 a 3 anos, perfil bem diferente das crianças disponíveis à adoção. “Temos pelo menos 200 famílias registradas que desejam adotar, mas temos dificuldade de atender a exigência de idade dos pais. Enquanto isso, essas crianças vão seguindo a vida em abrigos”, reforçou.

Para a juíza, o abrigo dá todo o acolhimento e tratamento necessário para aqueles que passaram por situação de risco, mas é fundamental que essas crianças voltem a um convívio familiar. “As pessoas que desejam adotar precisam ter um olhar diferenciado. Entendo que na maioria das vezes a família quer vivenciar o crescimento desde bebê, mas a situação de Manaus é totalmente diferente e essas crianças precisam sentir o que é ter uma família, estão esperando por este momento”.

Ilegais
Outra preocupação da Justiça é com as adoções irregulares, que não passam por um processo judicial. “Todo processo de adoção precisa ser feito por meio judicial. Temos casos de pessoas que conhecem alguém que quer doar o filho e adotam sem passar por nenhum procedimento judicial, mas quando a criança precisa ser matriculada na escola ou ir ao médico enfrenta complicações para regularizar a situação. Por isso sempre aconselhamos a procurar o juizado para fazer a adoção de forma legal”, explicou.

Adoções ilegais
Outra preocupação da juíza Rebecca Lima é com as adoções irregulares, que não passam por um processo judicial.  “Todo processo de adoção precisa ser feito por meio judicial. Temos casos de pessoas que conhecem alguém que quer doar o filho e adotam sem passar por nenhum procedimento judicial, mas quando a criança precisa ser matriculada na escola ou ir ao médico enfrenta complicações para regularizar a situação”, explicou.

AM tem 115 pretendentes e 50 na 'fila'
Dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)   de agosto de 2016 apontam que, no Amazonas, há 115 registros de pretendentes à adoção e 50 crianças e adolescentes até 17 anos aptos a serem adotados, sem nenhum vínculo com pais biológicos.

A diferença segue o perfil dos números nacionais. De acordo com o CNJ, há no Brasil 37.108 famílias registradas para adoção e 6.883 crianças e adolescentes em condições de serem adotados.

Há ainda, no Amazonas, segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-AM), 214 crianças e adolescentes acolhidas em instituições após terem sido retiradas de situação de risco, ou aguardando solução de conflitos para retorno à convivência familiar ou habilitação para adoção. Os dados do CNJ não revelam o perfil das crianças e adolescentes na lista de espera no Amazonas, mas segundo estimativas da região Norte, 82% são crianças pardas, 9% brancas, 6% negras e 1,1% indígenas.

 

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