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Manaus
PROFISSÕES DE RISCO

Dia das Mães: conheça histórias envolvendo o perigo e amor pelos filhos

Profissionais mostram que o sentimento maternal está acima do risco enfrentado diariamente em suas funções. Leia mais sobre três histórias de uma bombeiro militar, uma agente de defesa civil e a mãe de um paraquedista 13/05/2017 às 12:50
Show bombeiro
Capitão Karina Reis afirma que seu senso de segurança aumentou com a maternidade (Foto: Evandro Seixas)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Se o amor é um risco, algumas mulheres conhecem essa realidade bem mais que outras. Isso porque, além de serem mamães, elas convivem com o perigo diariamente e lidam com o sentimento maternal “tudo junto e misturado”. No Dia das Mães, o Portal A Crítica homenageia personagens que colocam essa função milenar em primeiro lugar mesmo em condições adversas como enfrentando um incêndio de grandes proporções, desbravando áreas inabitáveis ou vendo seu filho pular a milhares de metros do chão.

Capitão do Corpo de Bombeiros, Karina Reis, de 31 anos, decidiu cedo que a emoção de seguir a carreira militar era uma das suas paixões. Integrante da corporação desde 2004, quando tinha somente 18 anos, ela conta que se preparou fora do Estado para chegar ao posto de capitão e almeja a função de major. Nesse meio tempo, uma surpresa: o nascimento do filho Heitor, de 11 meses.

Assim como táticas comuns da sua profissão, ela comenta que o momento foi planejado justamente para ser conciliado com a carreira. “Eu sabia que não ia poder dar atenção necessária para o meu filho e queria me dedicar à corporação. Vale a pena você se planejar para que você não perca algumas oportunidades que vão ser importantes”.

Perigo

“Foi no Distrito, numa fábrica de reciclagem, inclusive teve até um bombeiro que foi vitimado. A gente não sabia quais resíduos que estavam queimando. Era de noite, de madrugada, a gente passou uma semana revirando”. Foi assim que Karina descreveu um dos maiores desafios da sua vida como bombeiro militar.

Hoje, casada e mãe de Heitor, a profissional revela que transporta o filho para todas as situações de crise, embora o momento necessite dela a rigidez e padrão aprendidos durante os anos. “O oficial ele tem essa missão, que é ir coordenar a ocorrência e garantir a segurança da equipe. No meu caso, atuo apenas se o cenário tiver seguro. Meu sentido de segurança vai aguçar muito mais, ficando atenta ao ambiente para eu voltar íntegra pra casa e cuidar do meu bebê”.

Sentimento compartilhado

Há cinco anos, a agente de Defesa Civil, Michele Santos, guarda na memória situações inesquecíveis em todos os sentidos. Seja por conta dos lugares inóspitos em que esteve, boa parte atingidos pelas enchentes dos rios do Amazonas, ou pelo papel maternal que desempenha para famílias que nem conhece.

“É uma profissão que em certos momentos a gente tem que abrir mão da família em prol da família dos outros, tentando levar um estímulo, uma esperança àquelas pessoas que estão precisando”, disse ela.

Agente da Defesa Civil, Michele Santos, e a filha Jamily (Foto: Evandro Seixas)

Mãe de Jamily Santos, de 11 anos, ela conta que já chegou a ficar fora de casa por quase uma semana, enfrentando as adversidades da Amazônia com o objetivo de entregar kits para milhares de desabrigados. Segundo ela, a lama, a chuva, animais selvagens e as doenças estão entre os riscos, e manter a própria vida é um exercício diário. “Eu preciso resguardar minha vida para ficar com ela. A gente vai em prol de ajudar pessoas, mas em primeiro lugar penso em mim. Eu tenho uma família esperando em casa”.

Coração na mão e nos céus

Se é difícil ser uma “super mãe”, imagine quando você precisa lidar com um “super filho”. É com o coração na mão e nos céus – literalmente – que a aposentada Sônia Moraes, de 67 anos, fica quando o filho e instrutor de paraquedismo Renan Paz sai para trabalhar todos os dias.

Paraquedista e professor de Educação Física, ele é um dos mais renomados profissionais da área na capital. Sabendo disso, Sônia afirma que não é fácil ser mãe de alguém que “se joga do céu”. “O meu filho é um esportista, faz o que ele ama... Então eu, como mãe, apesar de ficar apreensiva e com o coração na mão de vez em quando, apoio o que ele gosta”, diz ela.

Para ela, embora o perigo ronde a área de Renan diariamente, o orgulho do que ele faz é indiscutível. “O risco a gente está correndo a qualquer momento, não só fazendo o esporte. O risco está em todo lugar... Se você sair na porta de casa ou andar na rua. O que me resta é rezar e amá-lo sempre”.  

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