Sábado, 27 de Novembro de 2021
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Dia de ânimos exaltados na ALE-AM: “Eu não tenho medo de pegar porrada não”

Discussão sobre a retirada indevida de mensagem governamental tem gritaria, bate-boca e ameaças de abertura de processo na comissão de Ética



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06/10/2021 às 14:33

A retirada de pauta da Ordem do Dia da Mensagem Governamental nº 94/2021, que modifica a competência da Fundação Alfredo da Mata, exaltou os ânimos na sessão desta quarta-feira (6) da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), fazendo com que os deputados Fausto Júnior (MDB) e Sinésio Campos (PT) protagonizassem um bate-boca de quase 40 minutos.

O embate iniciou quando Fausto Júnior, que no momento exercia a função de secretário da Mesa Diretora, estava realizando a leitura dos itens da Ordem do Dia. Sem anunciar aos demais parlamentares a retirada de pauta da matéria submetida à Casa pelo governador Wilson Lima (PSC), o deputado a ignorou e seguiu para a proposta subsequente.

O ato revoltou o deputado Sinésio Campos (PT), que acusou Fausto de estar utilizando a função de secretário para manipular a votação de projetos.  “Eu não aceito que secretário, que não é secretário, fique manipulando a pauta. Eu não aceito!”, disse Sinésio aos gritos.

Fausto Júnior justificou: “Me respeite que eu sou secretário sim!”. Foi então que o presidente da ALE-AM, Roberto Cidade (PV), pediu para interromper a fala de Sinésio e clamou para que os deputados mantivessem o decoro.

“Peço calma senhores deputados. Eu irei retirar de pauta esse item que está causando esse problema”, declarou Cidade, mesmo com Sinésio berrando: “Eu não aceito manipulação dele!” e com Fausto Junior ironizando: “Senhor presidente, eu peço que a diretoria médica possa trazer um tranquilizante para o deputado, porque ele está para ter um infarto aqui”.

Após a intervenção do presidente, os parlamentares foram a tribuna justificar os seus posicionamentos. Sinésio recorreu ao Regimento Interno do legislativo para esclarecer o motivo pelo qual seria ilegal a ação de Fausto, e o vice-líder o governo Saullo Vianna (PTB) seguiu o mesmo raciocínio.

“Para retirar de pauta algum deputado tem que se posicionar e eu não estou vendo nenhum deputado se posicionar. Essa é uma mensagem do governo e é de interesse o povo e o povo têm que saber o que está sendo votado”, argumentou o petista.

“Como se trata de uma mensagem do governo quem deve pedir a retirada de pauta é o líder ou vice-líder do governo e se tiver que ser retirado de pauta teria que ser votado”, reforçou Saullo.

Do outro lado, Roberto Cidade e Fausto Júnior tentavam justificar a manobra para retira da matéria da votação. De acordo como emedebista, a decisão teria sido resultado de um pedido de vistas à matéria aprovado pelo presidente do parlamento estadual, mesmo a solicitação não sendo submetida ao crivo dos outros deputados, conforme demanda o regimento interno.

Enquanto isso, no plenário, Sinésio berrava com o microfone suspenso e, segundo Fausto, o deputado estaria o ameaçando.

“Nenhum deputado é mais deputado que outro. Vossa excelência tem que ter respeito com a palavra dos colegas. Eu não tenho medo de pegar porrada não. Se vossa excelência está me ameaçando. Eu não vou para porrada com vossa excelência por motivos óbvios”, rebateu.

Fazendo uso da tribuna e baixando o tom de voz, Campos indicou que Fausto deveria ter feito a emenda ainda na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a qual ele é membro e onde a matéria já havia sido aprovada anteriormente. O petista acusou o colega de estar infringindo o decoro parlamentar.

“O deputado Fausto é da Comissão de Constituição e Justiça. Se ele tinha algo a acrescentar, ele teria feito isso na comissão que ele faz parte. O decoro quem quebrou foi o deputado Fausto, pulando esse irem de pauta antes de colocar para o presidente deliberar”.

Após os devidos esclarecimentos, Fausto Júnior pediu vistas da matéria que, conforme a contagem de Roberto Cidade, teria sido aprovada pela maioria do parlamento. Sinésio questionou a contagem e ameaçou abrir procedimento na Comissão de Ética contra a votação. 

“Como presidente da Comissão de Ética eu vou ser obrigado a abrir sindicância no que se diz respeito a votação dessa matéria”, declarou Sinésio, pouco antes de ser iniciado um novo bate-boca e a sessão ser suspensa por falta de quórum.



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