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Dia dedicado ao deficiente físico chama atenção para reflexão sobre o tratamento desse público

Para muitos, a data é o momento propício para discussões sobre acessibilidade e adaptações urbanas que facilitem o dia-a-dia das pessoas com deficiência (PCD) 11/10/2013 às 08:52
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Acesso de cadeirante a ônibus é um dos problemas do transporte público
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Instituído no ano passado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Dia Nacional do Deficiente Físico é comemorado nesta sexta-feira (11). Para muitos, a data é o momento propício para discussões sobre acessibilidade e adaptações urbanas que facilitem o dia-a-dia das pessoas com deficiência (PCD).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência (algo em torno de 24,5 milhões de pessoas). Os direitos deles estão garantidos na Constituição Federal de 1988 e o Brasil possui um bom número de leis que garantem os direitos das pessoas com deficiência. Mesmo assim, a realidade encontrada por cadeirantes e outras PCDs nas cidades brasileiras ainda está longe de ser ideal. O preconceito, apesar de ter diminuído, ainda existe.

Alguns PCDs, porém, mostram que é possível levar a vida sem se importar muito com as diferenças. Natural de Eirunepé (1.160 quilômetros de Manaus), Luiz Herbert Alves de Souza, 31, é um desses exemplos. Ele é acadêmico do primeiro período do curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e, apesar do seu grande feito, não procura fazer uma “bandeira” disso. “Qual é o interesse em festejar uma deficiência? Eu não entendo. Acho desnecessário. A maior vontade que tenho é mostrar que um cadeirante é capaz de fazer qualquer coisa. Precisamos dessa consciência. Não quero ser o primeiro e último cadeirante da Escola de Saúde da UEA”, disse.

Herbert encontra todo tipo de barreiras em seu deslocamento diário entre a casa do estudante da UEA, na rua Quintino Bocaiúva (Centro) até a Escola de Saúde, na Cachoeirinha. São calçadas fora do padrão, mal cuidadas e muitas das vezes sem espaço adequado para um cadeirante. Nos ônibus, mesmo com plataformas adaptadas, às vezes há transtornos. Herbert acredita que o principal deles é a falta de sensibilidade de boa parte das pessoas. “Em frente à faculdade, existe uma rampa de acesso. O problema é que todo dia alguém resolve estacionar bem em frente à rampa e isso atrapalha muito. Nos ônibus, o principal problema é a má vontade que alguns motoristas tem de sair do volante e vir acionar a plataforma”, contou.

História e vida de superação

Herbert tinha 16 dias de nascido quando foi acometido de uma pneumonia bilateral, que lhe deixou sequelas graves, como a paralisia infantil. Com os movimentos das pernas, dos braços e a fala afetados, ele precisou de tratamento rigoroso. O medo de Herbert ser alvo de gozações em sala de aula fez com que a família resistisse em mandá-lo para a escola. Aos 10 anos, o garoto aprendeu a ler por meio de alguns jogos que brincava com seus primos. Os livros da estante de casa também ajudaram no processo de alfabetização. Depois disso, ele finalmente foi estudar em uma escola próximo de sua casa, onde concluiu o ensino fundamental aos 18. Como as escolas de ensino médio ficavam distantes, Herbert contava com ajuda de alguns colegas no deslocamento. O terceiro ano foi concluído em 2003. O tempo em que ficou parado até ser aprovado no vestibular complicaram suas lesões. Mas Herbert seguiu o tratamento em Eirunepé e Manaus. Ele cursou cinco períodos de economia, mas como as viagens para a Capital eram cada vez mais constantes, ele deixou a graduação de lado. Após obter umas das quatro vagas disputadas entre estudantes de seis municípios, no vestibular do ano passado, Herbert se mudou “de mala e cuia” para Manaus. O sonho dele é seguir a área de neurologia e retornar para sua terra natal, onde deseja montar um hospital. “A pior deficiência que existe é a falta de vontade. Não importa a dificuldade que apareça. Nós temos que vencer”, disse o universitário.


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