Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
SENSIBILIDADE

Dia do Fotógrafo: conheça a história de quem se formou na 'redação' e da nova geração

Mesmo na era dos celulares e das redes sociais, o olhar subjetivo do fotógrafo é capaz de captar momentos únicos que podem ser eternizados nas páginas da história da humanidade



rio_xxx_7C027367-4BA5-4525-997D-F4016A74A8B0.JPG Imagem do Lago dos Reis repleto de peixes mortos rodou o mundo pelas lente do fotógrafo profissional Márcio Silva. Foto: Márcio Silva/Arquivo AC
08/01/2019 às 08:39

Desde 1826, quando o francês Joseph Nicéphore Niépce fez o registro fotográfico mais antigo que se tem conhecimento, até os dias de hoje, nunca antes se fotografou tanto. Ainda mais depois da popularização da foto digital e dos celulares com câmera. As redes sociais, então, incentivam as pessoas a registrarem cada vez mais os seus momentos. Mesmo assim, a figura do fotógrafo profissional, a quem o 8 de janeiro é dedicado, continua indispensável. Por um motivo muito simples: o olhar subjetivo dele é capaz de captar momentos únicos que podem ser eternizados nas páginas da história da humanidade.

De captar bons momentos o fotógrafo veterano Raimundo Barros, 69, mais conhecido como “Barros”, entende muito bem. Afinal, são mais de 40 anos de atuação no jornalismo amazonense e em eventos da sociedade. Foi, como ele mesmo diz, cria de uma época em que não existia um curso formal de fotografia. O repórter fotográfico era formado no  “chão da redação”, na prática do dia a dia e captando as dicas dos mais velhos na profissão. E assim ele construiu um vasto currículo que tem de tudo, da visita do papa João Paulo II em Manaus, em 1980, ao casamento da filha do ilustre artista plástico amazonense Moacir Andrade.

“Foi na fotografia que fiz a minha carreira, a minha vida e criei as minhas duas filhas. Aprendi a fotografar na humildade, na curiosidade, sempre fazendo perguntas aos veteranos. Sou muito feliz na minha profissão”, diz, hoje mais afastado da atividade devido a problemas na visão.

Apesar de ter passado por praticamente todas as editorias de um jornal, Barros fez o seu nome mesmo no colunismo social, com passagens por jornais já extintos, como “A Notícia”, e por A Crítica, por onde atuou por 30 anos, e chegou a ser proprietário de um dos primeiros estúdios de fotografia de Manaus. “Ficava no Centro da cidade, na avenida Eduardo Ribeiro”, lembra.

Barros deu seus primeiros cliques na década de 1970 e testemunhou a ascensão da câmera digital. “Tive dificuldades com a transição da câmera analógica para a digital, claro, mas tive a humildade de aprender, de tirar dúvidas com quem estava mais acostumado com esse tipo de câmera. Mesmo assim, acho a analógica melhor, pois me dá condições de tirar uma boa foto com poucos recursos”, avalia.

Homem de muitas histórias pra contar e que aprendeu “na marra” as manhas da profissão, como sempre levar mais de uma máquina para grandes eventos e, lá atrás, sempre andar com muitos rolos de filme na bolsa, deixa os seus conselhos a quem está começando a carreira.

“Um bom fotógrafo tem que aprender a fotografar com qualquer máquina porque nunca se sabe quando será preciso trocar de câmera em uma emergência. O bom ângulo quem faz é o profissional. Tem que ter humildade e paciência com as pessoas para fotografar em eventos e, principalmente, o profissional tem que estar bem vestido, cheiroso.  Eu mesmo levava meus trajes na minha antiga Brasília marrom, que eu fazia de camarim, para poder estar pronto pra qualquer evento”, relembra.

Nova geração

O estudante Leandro Lima, 24, faz parte da “geração selfie”, mas os seus primeiros cliques aconteceram com uma câmera analógica, aos 10 anos de idade. “Tirei uma foto da minha avó com as amigas dela, revelei e gostei do resultado. Anos depois comprei um celular com câmera digital e tomei gosto por tirar fotos de coisas aleatórias. Comecei fotografando meus amigos e postando no Orkut [extinta rede social]”, lembra.

O primeiro contato do Leandro com uma câmera profissional aconteceu quando ele cursava o ensino médio, quando uma amiga levou para a sala de aula uma máquina da marca Canon. O contato fez com que ele se apaixonasse de vez pela fotografia e o encorajou a comprar a sua primeira câmera profissional pela internet, e com ela, mesmo sem nenhum curso na área, começou a fazer os primeiros ensaios fotográficos, tendo os seus amigos como modelos.

“Fiz um curso no Cetam, em 2017, chamado ‘fotografia’.  Foi um divisor de águas pra mim, pois tive contato com fotógrafos profissionais e pude aprender técnicas (enquadramento, iluminação etc.), enfim, saber que fotografar era muito mais que apenas mirar em algo e apertar o botão. Mesmo assim, ainda tenho muito o que aprender”, diz, destacando que ama fotografar paisagens, comida, a natureza, as pessoas e tem como referência a fotógrafa e youtuber Karly Marques.

Apesar do pouco tempo fotografando profissionalmente, Leandro já tem um par de histórias pra contar. “Estava fotografando um aniversário infantil com a câmera de um amigo. Tudo corria bem até que, momentos antes da hora do ‘parabéns a você’, notei que a câmera deu pau. Pedi pros pais adiarem a hora do ‘parabéns’ pra eu consultar se as outras fotos estavam salvas. Fui no computador e vi que não, pois a câmera estava com um vírus que corrompeu todas elas.Tive que emprestar o celular de alguém pra registrar o resto da festa. Desde então concluí que pra fotografar eventos é recomendável estar com duas máquinas e, principalmente, estar com o próprio equipamento. Um fotógrafo sempre tem que ter um plano B”, ensina ele, que como a maioria dos fotógrafos de sua geração, usa o Instagram como ferramenta de trabalho (na conta @fazmeubook).

Talento da casa

Com 27 anos de atuação como repórter fotográfico, sendo 12 só na redação de A Crítica, Márcio Silva já captou momentos marcantes tanto com a câmera fotográfica analógica quanto com a digital. “[com a analógica] era difícil. A gente tinha que tirar leite de pedra, e enfrentávamos muitos riscos, como por exemplo, o filme queimar e a gente perder todo o trabalho feito”, lembra, destacando que prefere trabalhar com a digital, principalmente por conta da praticidade.

De tantas histórias já vividas, Márcio lembra da vez que, a caminho do trabalho, testemunhou um tiroteio entre policiais e bandidos em um posto de gasolina. Com a câmera na mão, ele assegurou um baita furo de reportagem naquele dia. “Outro momento marcante foi quando fui escalado para fazer uma pauta de economia no Lago dos Reis. Quando cheguei lá testemunhei o lago cheio de peixes mortos. Registrei e a foto rodou o mundo”, recorda. Márcio Silva já ganhou o prêmio Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade, na categoria Mídia Nacional – Fotografia, e entre outros, também já ganhou o Prêmio Nilton Lins e já foi finalista do Prêmio Esso, o “Oscar do jornalismo brasileiro”. 

Prêmio de fotografia

Hoje, a partir das 19h, no Casarão de Ideias (rua Barroso, Centro de Manaus), acontece a primeira edição do “Prêmio Monóculo de Fotografia” com o intuito de reconhecer a arte fotográfica produzida no Amazonas. Haverá, além de uma premiação, um bate-papo com profissionais, projeção de imagens e sorteio de brindes.  O evento irá homenagear fotógrafos que atuam no Amazonas com destaque local, nacional e internacional, como Carlos Navarro, Raphael Alves, Selma Maia, Sérgio Corrêa, Alex Borja, Francisco Tote, Jorge Herran, Ione Moreno e Alexandre Fonseca. A entrada custa 2kg de alimentos não-perecíveis.

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