Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
NO CENTRO

Dia do Trabalhador em Manaus é marcado por protesto contra Reforma da Previdência

A marca de 13,3 milhões de pessoas desempregadas no Brasil também foi alvo dos manifestantes que se reuniram na avenida Eduardo Ribeiro



WhatsApp_Image_2019-05-01_at_13.22.29_BC2A3602-3FB4-4BD1-96FA-337A9EF4DCAE.jpeg Foto: Divulgação
01/05/2019 às 14:57

Centenas de manifestantes se reuniram, na manhã desta quarta-feira (1º), no Centro de Manaus, contra a Reforma da Previdência e o desemprego no Brasil. Manifestações do Dia do Trabalhador, lideradas por sindicatos trabalhistas e movimentos sociais, acontecem em diversas capitais do País e em várias cidades do Mundo, como Paris, na França.

O ato em Manaus ocorreu na Avenida Eduardo Ribeiro. Com faixas e cartazes, manifestantes se revezaram em um carro de som com palavras de ordem e chamando atenção do comércio local para as pautas de reivindicações. Segundo a organização do evento, cerca de mil pessoas participaram da manifestação que encerrou por volta das 12h.

Para o presidente da Força Sindical, Vicente Filizola, assim como a reforma trabalhista em vigor desde novembro de 2017, a Reforma da Previdência não vai gerar novos empregos e apenas precarizar o trabalho. “As pessoas não estão contribuindo porque estão desempregadas. Os jovens que saem das escolas e universidades estão todos desempregados porque não têm emprego. Sem emprego, não tem contribuição para previdência”, declarou.

De acordo com o presidente da Força Sindical, na próxima semana o movimento irá entregar um documento com pontos de discordância do texto da proposta de Reforma da Previdência ao presidente da comissão especial que discute o tema na Câmara, deputado federal Marcelo Ramos (PR-AM). “É um apelo para não votar a reforma da forma como está. Ela é muito dura para o trabalhador”, disse Filizola.

A Coordenadora Geral do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas (Sintesam), Neusa Soares, afirmou que, apesar da data simbólica, não há motivos para o trabalhador comemorar. "Estamos aqui lutando pela não aprovação dessa Reforma da Previdência que o Governo propõe, que é uma deforma, na verdade. Somos contra a retirada de direitos e sobre essa marginalização que está sendo feita com o trabalhador. Não podemos ficar calados”, disse.

Neusa defende ainda que o trabalhador não pode ser a favor da reforma da previdência proposta pelo Governo Federal. "Para se aposentar com todos os direitos, com salário integral, teremos que contribuir por 40 anos. A gente não vai conseguir nunca porque tem que se aposentar com saúde boa ainda, e não com 75, quando não temos mais muito tempo e saúde para desfrutar da aposentadoria, depois de tantos anos contribuindo. Sabemos da luta histórica dos trabalhadores e sindicatos para conquistar direitos que temos hoje e que estão querendo retirar", disse.


Manifestação durou toda a manhã desta quarta-feira. Foto: Divulgação

O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Alfredo Pontes, discorda das novas regras para concessão do Benefício de Prestação Contínua (BPC), mais conhecido como LOAS, e avalia que os trabalhadores rurais vão ter a aposentadoria prejudicada.

Sindicatos repudiaram também os ataques do ministro da economia Paulo Guedes ao modelo Zona Franca de Manaus. “Isso mostra que o governo federal não tem bons para gente”, disse Filizola.

O deputado federal José Ricardo (PT) discursou durante o ato convocando para luta pelos direitos do trabalhador. “A luta vai ter que aumentar, porque estamos vendo todos os dias as medidas, projetos e decretos que querem enfraquecer a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras”, disse.

Desemprego

Em todo o País, 13,3 milhões de pessoas estão sem emprego, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudante universitário Ricardo Matos, de 26 anos, não é sindicalizado, participou do ato porque está desempregado e defende a luta pelos direitos. "É um momento de nos unir e lutar por nossos direitos. O Brasil está sucateado, os governantes só pensam em si. A taxa de desemprego é recorde, não temos mais segurança de nada, não temos saúde e não temos emprego. O grito hoje é por melhorias em todos os sentidos, é por união", afirmou.

Na avaliação do vice-presidente da CUT, a tecnologia e a automatização de processos retira postos de trabalho e o Brasil não se preparou para essa mudança. “É o exemplo do nosso Distrito Industrial que não gera mais empregos como antes. Um robô substituiu trabalhadores e isso só aumenta. Em Manaus já foi adotado caixas eletrônicos nos supermercados. Com isso o operador de caixa é dispensado. É preciso capacitar e gerar oportunidades”, defende.

Também participaram da manifestação a União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores Brasileiros (CTB), Central Sindicalista Brasileira (CSB), Conlutas e Intersidicais, Sindicato dos Metalúrgicos e o comando de greve do professores da rede estadual de ensino que reúne o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) e o Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical).

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