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Manaus
Prefeito e os camelôs

Dia histórico para os camelôs de Manaus

Artur Neto, que limpou o Centro dos camelôs na década de 90, prometeu nessa quinta-feira(08), investimento de R$ 45 milhões para acomodá-los em Centros de Comércio Popular 09/08/2013 às 09:46
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Com o auditório da prefeitura lotado de camelôs, Artur é carregado após anunciar pacote de bondados para o grupo
Florêncio Mesquita Manaus

O prefeito de Manaus, Artur Neto, que atraiu a ira de camelôs mais por mais de 20 anos, saiu aclamado pela categoria  na manhã dessa quinta-feira(08), na sede da prefeitura, na Zona Oeste, depois de apresentar o que considera a solução definitiva para retirar os camelôs das ruas do Centro. Artur foi carregado pelos camelôs. Em tom de campanha política, chorou e fez com que os camelôs repetissem o gesto ao anunciar que os informais não serão locatários nos Centros de Comércio Popular (CCP), mas donos do espaço para onde serão transferidos.

Serão seis centros de compras construídos na área central, com recursos públicos da ordem de R$ 45 milhões. O montante é proveniente do Fundo Municipal de Fomento à Micro e Pequena Empresa (Fumipeq) que a prefeitura economizou de janeiro a agosto deste ano para ser empregado integralmente aos camelôs, nos centros de compras. O projeto dos CCPs será elaborado pelo arquiteto Roberto Moita, diretor-presidente do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb).

Ele tem prazo para ser concluído em cem dias, mas Artur pediu que seja em menos tempo, uma vez que, quer aproveitar a época de calor para começar e acelerar as obras. Os centros de compras devem estar completamente concluídos até junho de 2014, pouco antes do mundial de futebol.

O fato da prefeitura subsidiar os centros de compras populares é uma tentativa de romper a com a ação de aliciadores e da “máfia” que exploram bancas de camelôs, no Centro, conforme o próprio prefeito afirmou. O levantamento da prefeitura apresentado ontem, mostra que advogados e até engenheiros exercem suas profissões e mantêm bancas de camelôs no Centro.

No projeto inicial, os CCPs seriam construídos e administrados pela parceria público-privada. Os camelôs seriam inquilinos de empresários e não aceitavam pagar alugueis, taxa de água e energia, além de condomínio que consideravam exorbitantes. Eles foram à prefeitura apresentar um projeto no qual seriam os administradores e donos dos centros de compras, desde que tivessem o apoio do município co financiamento. Os informais pagariam o débito em dez anos com início em 30 dias. No entanto, Artur apresentou contraproposta na qual os camelôs serão donos dos espaços, terão 15 anos para pagar por eles e só começarão a quitar a dívida em sete anos e meio.

“Tenho uma dívida com vocês. Fica decretado que o camelódromo terá dinheiro para se estabelecer e só começará a se pagar em sete anos e meio. Fica decretado que o camelô não pagará aluguel e não será escravo de empresário nenhum. Fica decretado que o camelô só pagará alguma coisa de volta sete anos e meio depois de está lá trabalhando. Serão sete anos e meio para pagar seu próprio espaço, sem juros ou qualquer cobrança. Essas pessoas são ativadores do comércio”, disse.

Mudança começa no sábado

Os camelôs continuarão nas ruas do Centro até a conclusão dos shoppings populares. Porém, a mudança dos comerciantes informais nos ruas centrais da cidade começará no próximo sábado, com o programa “Viva Centro”. O programa é uma antecipação da transformação da área central que culminará na reorganização e retirada dos camelôs. 

Segundo o titular da Secretaria de Requalificação do Centro (Semc), Rafael Assayag, a ação começará pelas ruas Doutor Moreira e Marcílio Dias. As vias receberão intervenção na organização, calçadas, floreiras, limpeza pública, instalação de bancos e devolução das bancas de camelôs ao aspecto original. As barracas de camelôs permanecerão nas duas ruas, porém serão reduzidas para o tamanho original. Os produtos que são expostos no entorno das bancas só poderão ficar no interior delas. A medida será estendida também para lojistas que ocupam calçadas com mercadorias. “Tudo tem que ficar no lado de dentro e não de fora. As bancas de camelôs terão que retornar a usar sombreiros que foram retirados ao longo dos anos e retirar aquelas lonas atuais. Os donos de lojas também terão que recuar. Todo mundo cedendo um pouquinho teremos um Centro digno de novo. Nunca deveria ter deixado de ser digno”, disse.

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