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Diálogo gravado dá pistas de sumiço de helicóptero no Amazonas

Gravação indica que o piloto identificado como Alexandre Felix Souza poderia ter se distraído com telefonema 02/06/2015 às 16:09
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Sargento do Exército Bruno confere as coordenadas pelo GPS com os brigadistas da Defesa Civil de Benjamin Constant na busca do helicóptero
EDUARDO GOMES - COLABORAÇÃO ---

Um diálogo entre pilotos pode ser a pista para a provável causa do desaparecimento do helicóptero Esquilo prefixo PR ADA, que desapareceu na última sexta-feira passada  (29) no município de Atalaia do Norte, distante a 1.325 quilômetros de Manaus,  com o piloto e duas pacientes indígenas Luciana Guedes do Carmo e Marceleia Cruz dos Santos Marubo, ambas grávidas, mais a enfermeira Luzia Fernandes Pereira e a acompanhante Marcelânia Souza da Silva.

A  gravação obtida com exclusividade pela A Crítica revela que o piloto identificado como Alexandre Felix Souza "se entreteu" durante um telefonema para uma mulher, não identificada. Ele teria dito que estava a dez minutos do pouso. 

Informações preliminares apontam que o piloto ao, supostamente, se distrair durante a  ligação, tenha baixado demais a altitude e colidido com as copas das  árvores, já que estaria voando a 150 metros de altitude do solo da  região com pouca visibilidade devido ao início da noite na região.

A aeronave desapareceu exatamente às 18h17min de sexta-feira (29) conforme o site www.aerosmart.com.br, que fornece a rota exata da aeronave em operação.

Área circulada no mapa mostra local onde as buscas estão concentradas

Casado e natural de Pernambuco (PE), Alexandre Félix Souza divide opiniões quanto ao seu desempenho na região do Vale do Javari onde prestava serviço de transporte de profissionais em saúde e indígenas há quase dois anos pela Moreto Táxi Aéreo.

Ele pilotava a aeronave transportando as grávidas Marceleia Cruz dos Santos Marubo  com quadro de hemorragia, Luciana Guedes do Carmo para ser submetida a um parto assistido, a enfermeira Luzia Fernandes Pereira e a acompanhante Marcelânia Souza da Silva. A  aeronave tinha como destino o município de Tabatinga.

De um lado Alexandre era visto como um piloto "ousado". Outra conduta do Alexandre taxada como negativa era o fato de voar sempre em baixa altitude. O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Vale do Javari, Herodoto Jecim de Sales, por sua vez defendeu o piloto. “Aqui no Distrito nunca ouvi falar mal dele. Pelo contrário, sempre falaram bem”, afirmou acrescentando que Alexandre Félix “é muito querido pelos índios das aldeias”.

Buscas

As buscas pela aeronave  que saiu da aldeia Pentiaquinho, a 746 quilômetros da sede urbana de Atalaia do Norte, com destino a Tabatinga foi retomada na manhã desta segunda-feira (01), sem sucesso. Três equipes retornaram à floresta para realizar as buscas por terra e duas aeronaves, um Hércules C-130 e um helicóptero Black Hawk voltaram a fazer buscas via aérea.

Desde que foi montado o Centro de Operações montado pelo Comando de Fronteira do Solimões/8º. Batalhão de Infantaria de Selva na manhã de sábado para proceder a localização da aeronave já trabalhou buscas com dez coordenadas.

 A maior dificuldade na operação de buscas e salvamento é  quanto as dezenas de informações sobre a provável localização do helicóptero, obrigando o envio de mais equipes para a floresta.

Hoje pela manhã, uma equipe foi enviada para o km 12 da BR 307 (Benjamin Constant/Atalaia do Norte) diante da informação de uma moradora na qual a aeronave “teria caído em seu quintal”, há mais ou menos 3h30min de caminhada a partir da estrada. À tarde uma quarta equipe se deslocou para o Igarapé São João a partir do Rio Itacoaí, cujas buscas serão reiniciadas nesta terça-feira (2).

As informações de moradores obrigaram o tenente coronel Marcos Santana, comandante do Comando de Fronteira do  Solimões/8º. Batalhão de Infantaria de Selva (CFSol/8º.BIS), a reativar três pontos de coordenadas sobre a possível localização da aeronave. Ao todo as equipes de buscas já trabalharam com 13 coordenadas.

As equipes compostas por homens do Exército, Defesa Civil de Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Tabatinga, servidores da Sesai, Funai, Fundação de Vigilância em Saúde, Corpo de Bombeiro e voluntários, inclusive parentes das vítimas já percorreram quase 200 quilômetros quadrados na região de uma floresta densa, entrecortada por pequenos igarapés, com muitos igapós e chavascais. 

Pela manhã antes de seguir para Tabatinga, o comandante Marcos Santana orientou que cada equipe vasculhasse áreas com a circunferência de cinco quilômetros na tentativa de encontrar a aeronave, tripulante e as passageiras.


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