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Manaus
ABANDONADO

Dimicro, que custou R$ 10 milhões, foi propaganda eleitoreira, diz empresário

Micro e pequenos empreendedores afirmam que custos para se instalar no mini distrito inviabilizam o projeto 07/03/2018 às 10:06 - Atualizado em 07/03/2018 às 10:12
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Instalações que custaram R$ 10 milhões estão abandonadas na zona Leste sem nunca ter abrigado nenhuma empresa. (Foto:
Larissa Cavalcante Manaus

Micro e pequenos empresários ouvidos por A CRÍTICA  afirmaram que já perderam a esperança em relação ao Micro Distrito Industrial de Manaus (Dimicro). Argumentam que os altos custos previstos pela Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Desenvolvimento (Semtrad) inviabilizam a instalação das micro e pequenas indústrias que prestam serviço ao Polo Industrial de Manaus (PIM).

Nenhuma empresa utiliza as instalações do Dimicro, no Ramal do Brasileirinho,  que custou R$ 10 milhões ao bolso contribuinte. A reportagem esteve no local no sábado e constatou que a estrutura está abandonada sem vigilância e serve de abrigo para carros abandonados, lixo e cachorros de rua. 

Para o microempresário do ramo de componentes e serviços industriais, Sidney Gama, o valor estimado de R$ 20 mil anual por empresa referente à gestão, conservação e segurança é um absurdo. “Sempre questionamos esses valores e por isso os microempreendedores decidiram se afastar. Esse modelo de administração é incompatível com as empresas. Eu não conheço um microempresário que disponha desse valor anual para pagar por uma concessão e administração. Acompanhamos o projeto desde que nasceu e tínhamos a expectativa de que as micro empresas iam se instalar no espaço, gerar emprego e renda”, disse.

Gama disse que não vê disposição na administração municipal em fazer o Dimicro entrar em operação. Ele salientou que o projeto em pleno funcionamento representaria benefícios para toda cidade. “As micro e pequenas empresas estariam juntas atendendo a demanda do polo e, sobretudo, atuando em cooperação fortalecendo os negócios. Infelizmente, falta vontade da prefeitura”, afirmou.

De acordo com o presidente do Centro de Apoio e Desenvolvimento aos Micros e Pequenos Empreendedores do Polo Industrial de Manaus (Cadempim), Arlindo Batista, a categoria realizou alterações e investimentos nas empresas para se adequar às condições da prefeitura. Ele afirmou que as microempresas nunca chegaram a se instalar nos galpões e a inauguração realizada em 2016 foi apenas propaganda eleitoreira. “Tínhamos esperança que o Dimicro se tornasse um polo de micro indústrias. Perdemos todo o dinheiro investido e o espaço virou sucata”, diz.

Para Batista, mesmo tramitando na Câmara Municipal de Manaus (CMM) o projeto de lei que regulamenta a utilização do espaço, a iniciativa não é voltada para os microempresários. “Ficou inviável para as micro empresas por conta das altas taxas e exigências. Da forma que o projeto está é de interesse e destinado às empresas de médio porte”, finalizou.

Saiba mais

O Projeto de Lei (PL) que regulamenta o Dimicro está na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da CMM sob a relatoria do vereador Marcel Alexandre (MDB). O parlamentar informou que ainda não teve acesso ao PL. Após o parecer do relator, o projeto retorna à comissão para análise.

Dimpe tem trajetória diferente

O Distrito Industrial de Micro e Pequenas Empresas (Dimpe) é outra iniciativa de apoio aos pequenos negócios. Diferente do Dimicro, o projeto conseguiu sair do papel e dar bons resutados. O Dimpe foi inaugurado em 2008 pelo governo do Estado, em parceria com a Suframa, para fomentar o setor de micro e pequenos empreendedores do Amazonas.
 
O Dimpe está em pleno funcionando no quilômetro 8, da Estrada do Tarumã. A empresa Pharmakos D'Amazônia e a Agá Móveis estão entre as empresas instaladas no distrito. “A legislação faz com que as micro e pequenas empresas não consigam se impulsionar por conta dos altos impostos cobrados e ficando inviável para o microempresário. As empresas alocadas no Dimpe estão conseguindo desenvolver seu trabalho e apesar de todas as dificuldades como em qualquer outra cidade”, contou o proprietário da Agá Móveis, Abnildo Sousa.

A Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, tecnologia e Inovação (Seplancti), informou, por meio de nota, que há pendências jurídicas com os concessionários instalados no Dimpe que estão sendo tratadas na esfera da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Somente a partir do desembaraço dessas questões é que será definido um projeto de reestruturação desse distrito.

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