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Diretor de hospital lacra saída de emergência com corrente e cadeado no AM

Segundo a assessoria do hospital, só quando houver necessidade de receber um paciente que chega numa ambulância e não tem como se locomover é que a porta é aberta 14/02/2013 às 12:45
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Na saída bloqueada por cadeado, panfleto justifica que porta foi fechada “visando melhorias na segurança e controle de visitantes”
Náferson Cruz ---

A porta de emergência do Setor de Enfermaria da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), no bairro Cachoeirinha, na Zona Sul, está sendo mantida trancada com correntes e cadeados, por determinação da direção da unidade hospitalar.

Nas imagens feitas por A CRÍTICA não restam dúvidas: Uma corrente de cor vermelha entrelaça as maçanetas das portas e um cartaz fixado na parede informa que o acesso de visitantes, acompanhantes e funcionários, antes feito pela porta do Setor de Enfermaria, deve ser feito apenas pela porta principal do Setor de Imagem, no Bloco B.

Segundo a assessoria do hospital, só quando houver necessidade de receber um paciente que chega numa ambulância e não tem como se locomover é que a porta lacrada é aberta.

A medida imposta pela direção do hospital causou polêmica entre familiares de pacientes e os próprios funcionários, que preferiram não se identificar. “Estamos num prédio público, as portas têm que ficar abertas, independente de quaisquer circunstâncias. A questão pode ser resolvida apenas com a informação do cartaz ao lado”, comentou um funcionário.

Para a mãe de um paciente, a comerciante Joana Andrade*, a situação representa perigo. “Não podemos crer que, diante da tragédia que ocorreu em Santa Maria, isso esteja acontecendo. Já pensou se ocorre um incêndio, desabamento ou qualquer sinistro e as pessoas, na tentativa de escapar, encontram a porta fechada, quando deveria estar aberta?”.

A comerciante, que frequenta o local por conta do filho, internado, declarou ainda que a medida pode até trazer consequências ao paciente que precise entrar por aquela porta, uma vez que ele precisará ser atendido com urgência. “Isso é inadmissível, trancar as portas de um hospital. Fico imaginando como seria se não houvesse a comunicação e os enfermeiros com  o paciente  na maca encontrassem a  as portas trancadas”, comentou ela.

Justificativa

A resposta para a questão encontrada pela assessoria do FHAJ é que há uma segunda porta ao lado da que foi lacrada, mas esta serve apenas ao Setor de Higienização (que faz os procedimentos operacionais padrão para poder ser internado) e que a porta acorrentada  ficou parcialmente sem nenhuma utilidade, apenas em casos isolados de pacientes que não têm como passar por outra porta. 

Ainda de acordo com a assessoria, o isolamento das portas de emergência teria sido uma solicitação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recomenda, em casos como estes, que não é ideal ter uma porta para acompanhante ou visitante ao lado da entrada do setor de internação (higienização).

Em nota divulgada pela SUSAM, o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, determinou nesta quinta-feira (14) que a direção da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) providencie a imediata retirada das correntes e cadeados que mantinham fechada uma das portas de acesso ao Bloco B da unidade. O fluxo de pessoas no local continuará obedecendo aos critérios contidos no aviso afixado na porta. Alecrim também determinou que fosse realizada uma imediata inspeção nas demais unidades hospitalares da rede estadual. Na manhã desta quinta-feira, uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) realizou inspeções em pronto-socorros adultos e infantis e em Serviços de Pronto-Atendimento (SPAs). Nenhuma situação de obstrução de passagem foi detectada. Ainda assim, ele reforçou a orientação para todas as unidades da rede estadual de saúde.

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