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Diretor-presidente do Manaustrans relembra tragédia do dia 28 de março de 2014

‘Foi muito impactante. Nunca mais quero ver nada igual’, disse Paulo Henrique Martins sobre o acidente que chocou Manaus 28/03/2015 às 19:58
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Com exclusividade para ACRÍTICA, ele falou sobre o que mudou depois daquela noite trágica
Nelson Brilhante Manaus (AM)

O presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Paulo Henrique Martins, disse que ficou chocado com o que viu depois do acidente do dia 28 de março de 2014.

Com exclusividade para ACRÍTICA, ele também falou sobre o que mudou depois daquela noite trágica. Na área de fiscalização, o dirigente lembra que o número de radares foi aumentado de 16 para 36.

Segundo ele, a meta é chegar a 60 até o final deste ano. Ele admite que o trânsito está cada vez mais congestionado, mas garante que as vias estão melhores e aposta em dois avanços, que são a sinalização das ruas e a conscientização dos condutores.

O que o senhor sentiu ao chegar ao local do acidente?

Foi uma cena muito chocante. Pelas imagens, ficou nítido que a velocidade da caçamba era muito maior que nos acidentes anteriores. Muita ferragem retorcida e muitas vítimas. Foi impactante. Espero nunca mais ver nada igual.

O que lhe pareceu?

Trabalho diariamente para salvar vidas. Tudo aquilo que aconteceu foi totalmente o contrário do que esperávamos. E o acidente aconteceu justamente no ano (2014) em que já tínhamos os números excelentes. Em três meses, eram os menores índices da história. Por exemplo, nenhum acidente no Carnaval.

Deixou alguma lição?

Aquele acidente veio mostrar a todos nós que, apesar de todo o empenho que a gente possa ter, se cada pessoa não tiver a consciência de que ela é responsável, nós, gestores públicos, ficamos muito à mercê de situações como essa que vimos.

O que foi feito depois do acidente?

Estamos instalando defensas metálicas em nove áreas de risco. Se um veículo se desgovernar, as defensas diminuem o impacto. Esse projeto já está na Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura) e deve ser concluído ainda este ano. A defensa é uma novidade para Manaus, porque a proteção é mais comum em rodovia. Já tem no local do acidente e no acesso ao aeroporto. Passou a ser exigência para todas as nossas obras contratadas.

Como pode ser medido o crescimento da frota de veículos em Manaus?

A frota dobra a cada oito anos. Tínhamos 300 mil veículos em dezembro de 2005 e em dezembro de 2013 já tinhamos 620 mil. Hoje são 670 mil. Esse é um crescimento absurdo e é claro que a tendência é aumentar o número de acidentes. O desafio é não permitir que haja essa proporcionalidade.

O que falta para se evitar as intransigências?

 A fiscalização do veículo compete ao Detran. Nós fizemos a campanha “Os profissionais que dirigem”, dentro dos portos de carga e descarga de Manaus. Todos os carreteiros do Porto Chibatão, por exemplo, passaram por um treinamento. Fundamental é que o condutor exerça autoridade em relação ao veículo. Ocorre que o patrão quer que o condutor leve a carga num veículo em condições precárias.

De quem é a responsabilidade?

 Falta consciência do patrão, do dono da empresa, que força o motorista a dirigir carro irregular, que não fiscaliza o motorista e que contrata motorista sem condições. Uma carreta tombou próximo a um shopping e o motorista fugiu porque estava alcoolizado. A carreta que tombou na avenida Torquato Tapajós estava com problema de freios. Outra, que tombou próximo à Base Aérea estava sem os pinos de travamento da carga.

É verdade que eles não colocam os pinos no contêiner para não virar a carreta?

Exatamente, mas não é para virar nada. Se o veículo está virando é porque o motorista está dirigindo ou com velocidade incompatível com o local ou o veículo tem problema.

E as pistas do Distrito Industrial, que são irregulares e recebem grande número de carros pesados?

Em alguns lugares, o pavimento compromete o trânsito. Estamos fazendo o plano de mobilidade urbana em conjunto com a SMTU (Superintendência Municipal de Transportes Urbanos). Pedimos à Suframa que contribua com propostas que possam enriquecer o plano. Assim, vamos corrigir os problemas daquela área.

Não é pouco?

A Suframa tem o recurso da indústria, mas quer que o Município tome conta das ruas porque os veículos estão incorporados à cidade. A Prefeitura não está se esquivando de fazer, mas hoje existe um convênio entre a Suframa e o Estado para a recuperação das vias. Quando terminarem o trabalho, a Prefeitura entra com a manutenção.

O que fazer para melhorar o trânsito de Manaus?

Investimento no transporte público e em infraestrutura viária. Para os dois, é necessário ter recurso. A Prefeitura e o Estado estão trabalhando juntos para avançar nas duas frentes. Se não temos um trânsito com capacidade de absorver todo o tráfego, precisamos ter ruas bem sinalizadas.

A faixa azul é uma solução ou um problema?

Como corredor de ônibus é uma alternativa para dar mais velocidade ao transporte coletivo. Na Constantino Nery temos 22 mil passageiros trafegando em ônibus e três mil em carros de passeio. Nada mais justo que priorizar quem vai de ônibus. Ele não é um projeto de trânsito e sim de transporte.

O que esperar do Manaustrans?

Enquanto não vier a infraestrutura, investimos na mudança de comportamento do condutor. O paulistano já nasceu sabendo que para chegar ao aeroporto leva duas horas. Aqui, o processo de crescimento foi muito rápido e a  nossa geração não tem essa cultura. Isso cria um estresse porque você não consegue adaptar o trânsito à sua realidade.

Por que se diz é melhor dirigir em São Paulo do que em Manaus?

Estamos dotando Manaus daquilo que uma cidade grande precisa. A sinalização e o conscientização são fundamentais. Embora tenhamos um trânsito cada vez mais carregado, estamos no caminho certo.



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