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Dispositivo de autocoleta para teste de câncer de colo uterino será lançado em Manaus

A expectativa é de que o instrumento, produzido por empresa nacional, esteja disponível no Brasil já a partir do primeiro trimestre de 2016 07/11/2015 às 15:44
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Segundo Mônica Bandeira, dispositivo (detalhe) pode reduzir as lesões pré-cancerosas e casos de câncer de colo uterino
Marlúcia Seixas ---

A prevenção do câncer de colo uterino ganha nova arma: Coari, um dispositivo de autocoleta para teste rápido de HPV Oncogênico (Papiloma Vírus Humano - causador do câncer de colo uterino). O instrumento, demandado por equipe do Amazonas, será lançado durante o 3° Congresso Pan Amazônico de Oncologia, que ocorre no período de 11 a 14 de novembro, em Manaus. A expectativa é de que o instrumento, produzido por empresa nacional, esteja disponível no Brasil já a partir do primeiro trimestre de 2016.

A autocoleta para o teste rápido de HPV Oncogênico é uma nova estratégia de rastreio, resultado de várias iniciativas nos Estados Unidos, e já implementada em alguns países como a Holanda. No México e na Argentina, a implementação ocorreu prioritariamente nas regiões mais carentes, explica a médica Mônica Bandeira de Melo, ginecologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas – FCecon.

Para a médica, o dispositivo é extremamente importante para o Amazonas, diante das dificuldades enfrentadas para superar essa patologia e, em especial, para alcançar as mulheres nunca antes rastreadas, como as que vivem em comunidades ribeirinhas, e que pouco têm acesso aos exames preventivos.

Pesquisa

A eficácia do instrumento de autocoleta foi comprovada durante o desenvolvimento do estudo “Análise da estratégia de rastreio do câncer de colo de útero por autocoleta e teste rápido para HPV em mulheres ribeirinhas do município de Coari”, pesquisa de mestrado da professora e enfermeira Josiane Montano Mariño, do campus de Coari, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sob a orientação da diretora de ensino e pesquisa da FCecon, doutora Kátia Luz Torres, e co-orientação do doutor em Ciências e professor da Universidade de São Paulo (USP), José Eduardo Levi.

Durante a pesquisa, iniciada em 2013 e defendida em setembro de 2015, a autocoleta foi orientada para mulheres do Município de Coari, localizado no Rio Solimões, distante 363 quilômetros de Manaus. O dispositivo utilizado no estudo era importado, doado especificamente para o projeto, uma vez que não havia nenhum instrumento semelhante fabricado no Brasil.

Na ocasião, 412 mulheres ribeirinhas participaram do estudo e foram convidadas e orientadas a fazer em suas casas as autocoletas das células cérvico-vaginais.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Amazonas (PPGMCS/UFAM), dentro da linha de pesquisa “Biodiversidade amazônica aplicada às doenças regionais”.

Método vai permitir a ‘autocoleta’

Segundo Mônica Bandeira, esse método de rastreamento permite que a mulher, por meio de uma espécie de aplicador de creme vaginal, possa colher as células do colo uterino e vagina. O dispositivo com o material coletado é submetido ao teste rápido do HPV Oncogênico.

Dessa forma, é possível identificar se há risco de adquirir o câncer de colo uterino. Em caso de resultado negativo, o exame só precisará ser repetido em cinco anos. Se for positivo, a paciente terá que fazer o preventivo com a Citologia em Meio Líquido, para identificar lesões pré-cancerosas ou o câncer na sua fase inicial e realizar os procedimentos para concluir o diagnóstico.

Confirmada a eficácia da autocoleta, o desafio era desenvolver um instrumento  que pudesse atender a essa necessidade específica. Aí entra a empresa Kolplast, que desenvolveu o protótipo e, atendendo a sugestão de Mônica Bandeira, o batizou de Coari.

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