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Djalma Batista: onde os opostos se completam

Avenida que une moderno ao tradicional vai ganhar nova 'cara' 14/07/2013 às 17:15
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Djalma Batista se prepara para se transformar na “avenida Paulista” amazonense
Mariana Lima Manaus

Comer um lanche ou café da manhã na praça, tomar sopa com os filhos, comprar farinha e carne no mercado municipal, além das casas antigas que sofrem adaptações ao decorrer das décadas. Com características típicas de uma rua de bairro tradicional de Manaus, a avenida Djalma Batista se prepara para se transformar na “avenida Paulista” amazonense. A partir do próximo mês, uma das principais vias da cidade começará a ser revitalizada e corre o risco de perder o antagonismo que a transforma em um lugar especial.

Localizado no primeiro dos quatro quilômetros da avenida, o mercado municipal Dorval Porto “vê de perto” as mudanças da via. Presente diariamente em 20 dos 50 anos de existência do mercado, a comerciante Tereza Carvalho lembra o passado com saudades. “Cheguei aqui no último ano em que teve carnaval na rua, era um barato! As pessoas usavam o mercado como ponto de encontro. Hoje em dia ainda vem muita gente, mas nada comparado ao movimento daquela época”, disse.

Tereza é uma das clientes do aposentado Francisco da Costa, feirante do mercado há 38 anos. Ele paga R$ 20 por mês pelo box que ele mantém na feira. O espaço é considerado referência para os amantes de uma boa farinha e de feijão. “A farinha ‘tá’ muito cara e para não perder o cliente a gente inventa coisas, né? Eu dividi o peso da farinha e agora tenho sacos com preços que variam entre R$ 5 e R$ 16 e fica mais fácil deles continuarem levando”, disse.

A economia do mercado sobrevive a três shoppings centers, e todos eles contam com grandes supermercados entre as principais lojas. Os estabelecimentos comerciais contabilizam centenas de visitas diárias de pessoas atraídas por lojas com marcas internacionalmente conhecidas e salas de cinemas prontas para atender públicos de todas as idades.

Próximo ao Mc Donalds, uma das principais redes de alimentos de fast food no mundo, o café da dona Nazaré Gomes permanece montado na praça. Formada em assistência social e com curso de pós-graduação no currículo, ela conta que encontrou no lanche uma forma de sobreviver à falta de espaço no mercado de trabalho. “Eu criei a minha filha só com o meu trabalho aqui. Hoje ela tem 18 anos e cursa Direito em uma faculdade particular. É daqui que eu tirei dinheiro para fazer a reforma da minha casa, comprar um carro e me manter”, afirmou.

Às margens da via ainda há drogarias, lojas de times de futebol, bares, cursos pré-vestibular, universidades, salões de beleza e até agência de detetive. Todos aguardam o futuro que virá com a transformação da avenida que faz parte do percurso de várias pessoas diariamente.

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