Terça-feira, 03 de Agosto de 2021
JAPÃO BARÉ

Do Japão para o Amazonas: Casal nipônico vive há mais de 50 anos em terras barés

Foi em Manaus que Yasuhei e Meri Nakamura se conheceram e decidiram iniciar uma família com tradições japonesas, mas com uma boa dose de costumes amazonenses



imigracao_2_91317C12-9B78-4F52-AB76-CDBA4DD0BD85.JPG Foto: Arlesson Sicsú
19/06/2021 às 06:52

Brasil e Japão unem culturas há 113 anos, tanto na culinária, audiovisual e danças. A cada ano que passa, a cultura japonesa vem tendo mais influência no mundo. Na semana de comemoração da imigração japonesa no Brasil, em 1908, A CRÍTICA revela a história de um casal que possui raízes na terra do sol nascente, mas, vivendo há décadas no Amazonas, já podem até ser considerados caboclinhos da terra dos barés.

Nascida em Parintins, Meri Fujita Nakamura, 86 anos, contou que seu pai, veio do Japão em 1934, juntamente com sua esposa. “Eu lembro que o processo de adequação a nova cultura, novo país para o meu pai foi fácil, agora minha mãe, não se costumou bem, ela sentia muita falta do Japão”, completou.

Começando com o cultivo de guaraná, os colonos japoneses eram conhecidos por trabalharem na produção de hortifrúti e avicultura. Agricultores por excelência, após se instalarem em Manaus pela primeira vez em 1958, na Colônia Efigênio de Sales, localizada na AM-010, em março de 1960, os imigrantes já exibiam os primeiros campos de arroz.

Ao finalizar o curso de agronomia em Tóquio, capital do Japão, Yasuhei Nakamura, 82 anos, por meio da indicação de seu professor, veio ao Amazonas, com objetivo de aprender sobre agropecuária e aperfeiçoar as práticas agrícolas e zootécnicas. Chegando em 1951, após esse ano voltou ao Japão duas vezes, mas não voltaria a morar na sua cidade natal.

“Eu não voltaria, aqui no Amazonas eu aprendi muito, construí minha família. Voltei duas vezes ao Japão, a primeira a convite do Governo para ensinar sobre agronomia no Amazonas e a outra vez passei 13 meses, cuidando da minha mãe, pois meu pai havia falecido”, relatou Yasuhei Nakamura.

Família Nakamura

Com o passar dos anos e com os acontecimentos históricos, a comunicação da entre as famílias que estavam no Brasil e Japão, acontecia por cartas, sendo na maioria das vezes, difícil e inacessível.

“Como minha mãe sentia muita falta dos seus familiares, ela se comunicava bastante por meio de cartas, mas com o início da segunda guerra, não foi mais possível, perderam contato total”, informou Meri Fujita Nakamura.

Como Yasuhei Nakamura, chegou ao Amazonas, após o cenário de guerra, com o objetivo de ampliar seus conhecimentos, o contato com os parentes, não passou por problemas, sempre conversava com seus pais.

Casados há 57 anos, Yasuhei Nakamura e Meri Fujita Nakamura, se conheceram na capital amazonense, Manaus. A união aconteceu somente após a autorização do pai, como tradição na época, os pais escolhiam os noivos de suas filhas.

Segundo o neto do casal, Mateus Nakamura, a família costumava se reunir sempre em datas comemorativas, comer as comidas típicas, realizar as danças, ouvir as músicas, mas com a pandemia da Covid-19, os encontros com outras famílias não estão sendo possíveis. Além disso, a cultura japonesa é bem presente na sua rotina.


Foto: Arlesson Sicsú

“Sempre me interessei muito pela origem dos meus avós, acho fascinantes as histórias que me contam. Leio bastante sobre, pratico a língua, consumo o universo audiovisual, adoro as comidas. Eu faço a cultura japonesa está presente na minha vida e, assim como meu avô passou para o meu pai, eu pretendo passar para os meus filhos”, disse Mateus.

Influência no Amazonas

Comemorado no dia 18 de junho, o Dia da Imigração Japonesa, data na qual o primeiro navio aportou ao Brasil com imigrantes japoneses, no porto de Santos, em São Paulo, em 1908. No Amazonas, eles desembarcaram há 92 anos, desde então, junto com receptividade dos brasileiros criaram laços muito fortes.

Em dois de janeiro de 1930 chegaram ao Amazonas, os primeiros colonos japoneses. Desembarcaram em Maués, onde se dedicaram ao cultivo de guaraná. Contudo, uma forte epidemia de malária matou diversas famílias, no ano de 1941, fazendo com que eles se dirigissem para a colônia japonesa na Vila Amazônia, próxima a Parintins. Em meados de 1931, a Vila Amazônia recebeu os primeiros estudantes japoneses da Escola Superior de Colonização de Kokushikan.

A presença e a influência dos japoneses crescem a cada ano em todos os setores da economia, mas é na Zona Franca de Manaus que é possível ver a cultura industrial japonesa. Algo bem observado por todos, é o horário, os japoneses presam pela organização e principalmente o horário.

Além das inúmeras indústrias na Zona Franca de Manaus, comandadas por japoneses, em Manaus, os laços entre as duas culturas estão mais fortes e começando cada vez mais cedo. A capital tem a primeira escola pública bilíngue japonesa do país, que começou a ensinar o idioma da terra do sol nascente em 2016.

A Escola Estadual de Tempo Integral Professor Djalma da Cunha Batista, localizada na Zona Sul de Manaus, onde os alunos estudam das 7h às 15h. O foco não está apenas em ensinar o idioma, mas também em passar os principais valores da cultura japonesa, como a reverência e o respeito ao professor desde o início da vida escolar dos alunos.



Repórter de A Crítica

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