Publicidade
Manaus
OPORTUNIDADES

Indígenas venezuelanos pedem matéria-prima para confecção de artesanato

Objetivo das famílias é produzir as peças para comercialização e poder se sustentar, sem precisar pedir dinheiro nas ruas da cidade 07/06/2017 às 05:00
Show warao
Indígenas querem a independência financeira com a venda de artesanatos (Foto: Winnetou Almeida)
Silane Souza Manaus (AM)

Os indígenas venezuelanos da etnia Warao, abrigados provisoriamente pelo Governo do Amazonas no prédio do antigo programa Jovem Cidadão, no bairro Coroado, Zona Leste, estão recebendo doação de matéria prima para a confecção de artesanato. O objetivo das famílias é produzir as peças para comercialização e poder se sustentar, sem precisar pedir dinheiro nas ruas da cidade. 

“Se a alguém da comunidade quiser nos ajudar que doe tecido e miçanga porque assim vamos fazer e vender artesanato e não teremos a necessidade de pedir. Vamos ter independência”, afirmou o cacique Anibal Perez. Conforme ele, muitos indígenas também esperam conseguir um emprego e escolas para os filhos, além de documentação para poder ficar em Manaus. 

Há menos de uma semana no abrigo, as famílias ainda estão se adaptando e conhecendo as normas do local. Mas Perez adiantou que a situação está bem melhor do que nos arredores da Rodoviária de Manaus, Zona Centro-Sul. “Temos alimentação três vezes ao dia e segurança 24h, diferente de lá, onde a gente tinha medo de acontecer alguma coisa, sobretudo com as crianças”, revelou. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), as secretarias estadual e municipal de Educação (Seduc e Semed, respectivamente) foram ao abrigo, na última segunda-feira, para fazer as fichas cadastrais dos futuros estudantes. A previsão é que a Semed oferte vaga para as 131 crianças e a Seduc atenda a demanda de jovens e adultos, a partir deste segundo semestre. 

Também há a expectativa, conforme informações da Seas, que a Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) ofereça cursos de qualificação e capacitação para os Waraos. A própria Seas, além de coordenar o abrigo, informou que pretende ajudar doando insumos para a produção de artesanato pelas famílias para que elas possam vender as peças nas feiras e centros de convivência da cidade. 

Os Waraos também estão recebendo atendimento da equipe da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). De acordo com a Seas, muitas ações ainda precisam ser definidas. O Grupo de Trabalho (GT), que reúne representantes de diversas instituições locais, deve fazer isso hoje durante uma reunião. A previsão é que o projeto com a definição dessas ações seja concluído e elas comecem a ser executadas.

Alimentação

Os Waraos que estão no abrigo, no bairro Coroado, terão o cardápio adaptado para a sua cultura, a partir de sexta-feira.  A alimentação será balanceada e a base de peixe, frango, macaxeira, arroz, banana, entre outros produtos amazonenses parecidos com os que existem na Venezuela. Com os 13 indígenas que chegaram na última segunda-feira, o abrigo está com capacidade máxima de 300 pessoas.

Publicidade
Publicidade