Domingo, 19 de Janeiro de 2020
OPORTUNIDADES

Indígenas venezuelanos pedem matéria-prima para confecção de artesanato

Objetivo das famílias é produzir as peças para comercialização e poder se sustentar, sem precisar pedir dinheiro nas ruas da cidade



warao.JPG Indígenas querem a independência financeira com a venda de artesanatos (Foto: Winnetou Almeida)
07/06/2017 às 05:00

Os indígenas venezuelanos da etnia Warao, abrigados provisoriamente pelo Governo do Amazonas no prédio do antigo programa Jovem Cidadão, no bairro Coroado, Zona Leste, estão recebendo doação de matéria prima para a confecção de artesanato. O objetivo das famílias é produzir as peças para comercialização e poder se sustentar, sem precisar pedir dinheiro nas ruas da cidade. 

“Se a alguém da comunidade quiser nos ajudar que doe tecido e miçanga porque assim vamos fazer e vender artesanato e não teremos a necessidade de pedir. Vamos ter independência”, afirmou o cacique Anibal Perez. Conforme ele, muitos indígenas também esperam conseguir um emprego e escolas para os filhos, além de documentação para poder ficar em Manaus. 



Há menos de uma semana no abrigo, as famílias ainda estão se adaptando e conhecendo as normas do local. Mas Perez adiantou que a situação está bem melhor do que nos arredores da Rodoviária de Manaus, Zona Centro-Sul. “Temos alimentação três vezes ao dia e segurança 24h, diferente de lá, onde a gente tinha medo de acontecer alguma coisa, sobretudo com as crianças”, revelou. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), as secretarias estadual e municipal de Educação (Seduc e Semed, respectivamente) foram ao abrigo, na última segunda-feira, para fazer as fichas cadastrais dos futuros estudantes. A previsão é que a Semed oferte vaga para as 131 crianças e a Seduc atenda a demanda de jovens e adultos, a partir deste segundo semestre. 

Também há a expectativa, conforme informações da Seas, que a Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) ofereça cursos de qualificação e capacitação para os Waraos. A própria Seas, além de coordenar o abrigo, informou que pretende ajudar doando insumos para a produção de artesanato pelas famílias para que elas possam vender as peças nas feiras e centros de convivência da cidade. 

Os Waraos também estão recebendo atendimento da equipe da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). De acordo com a Seas, muitas ações ainda precisam ser definidas. O Grupo de Trabalho (GT), que reúne representantes de diversas instituições locais, deve fazer isso hoje durante uma reunião. A previsão é que o projeto com a definição dessas ações seja concluído e elas comecem a ser executadas.

Alimentação

Os Waraos que estão no abrigo, no bairro Coroado, terão o cardápio adaptado para a sua cultura, a partir de sexta-feira.  A alimentação será balanceada e a base de peixe, frango, macaxeira, arroz, banana, entre outros produtos amazonenses parecidos com os que existem na Venezuela. Com os 13 indígenas que chegaram na última segunda-feira, o abrigo está com capacidade máxima de 300 pessoas.


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