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Manaus
APROPRIAÇÃO INDEVIDA

Doador de Artur Neto se apossa de área pública na Zona Oeste de Manaus

Empresário que doou R$ 61,6 mil ao tucano vai construir, em área do Prosamim, um posto de gasolina e uma quadra poliesportiva. 10/06/2017 às 05:00
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Espaço público liberado pelas desapropriações realizadas durante implantação do Prosamim fica localizado na avenida Brasil próximo ao centro de convivência da família. (Foto: Márcio Silva)
Geizyara Brandão Manaus

Pela terceira vez em cinco anos, a área que foi urbanizada pelo  Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), localizada na Avenida Brasil, Zona Oeste da capital, ganha um “proprietário”. A obra que está em andamento tem uma placa de licença da prefeitura para construção de uma quadra poliesportiva, como doação de Eraldo de Souza Teles que se apresenta como “dono” do local. Moradores denunciam que ao lado da quadra será construído um posto de gasolina. 

O empresário Eraldo Teles, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), doou R$ 61,6 ,mil sob forma de cessão de um imóvel na rua Camapuã, no bairro Novo Aleixo,  à  campanha do prefeito Artur Neto (PSDB) nas eleições de 2016. De acordo com moradores, o empresário teria comprado o terreno. “Nós já ouvimos por outras pessoas que não tem quem faça ele sair, porque pagou R$ 1 milhão por isso aqui e que ele vai construir”, explicou a universitária Cristiane Gomes da Silva.

O terreno, que teve as casas retiradas durante a construção do Prosamim, e os antigos moradores indenizados fica ao lado do Igarapé do Franco, próximo ao centro de convivência da familia Magdalena Arce Daou. “Na verdade, a gente quer que construa alguma coisa aqui mesmo, uma academia ao ar livre, um SPA ou outra coisa, mas que seja em benefício da comunidade e sem proprietário, porque o proprietário é a comunidade toda”, disse o autônomo Isac da Silva.

“Como é que vão doar uma coisa que já é pública?”, questionou Cristiane da Silva. Para a universitária, um posto de gasolina vai prejudicar o sossego da população e vai tirar o espaço onde as crianças brincam em tempo livre, mesmo sem ter um espaço adequado. “Sabemos que vamos ter problema com posto de gasolina com bebidas alcoólicas, carros com som alto”, afirmou. 

A mãe de Cristiane, dona Júlia Silva, que mora há mais de 40 anos próximo da área, contou que fizeram um abaixo-assinado com pessoas de outro bairro para saber o que seria construído na localidade. “Tem que ter um abaixo-assinado para construir qualquer coisa, ele pegou o abaixo-assinado da Vila da Prata”, relatou.

“Ele vai ali para outro bairro fazer um abaixo-assinado que não tem nada a ver com a área. Nós moramos que aqui”, complementou Cristiane.

Em 2012, um homem não identificado instalou tapumes de alumínio no mesmo local. À época, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), responsável pela execução do Prosamim na avenida Brasil, a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab), barraram a ocupação ilegal. Uma nova tentativa de apropriação foi feita no mês de julho de 2013 com a colocação de estaca e arame farpado com placa de propriedade particular e realização de obra, que também foi barrada.

Área vai receber fiscalização

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus (SRMM), que é responsável pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), informou que não há previsão para obras ligadas ao programa para serem realizadas no terreno, localizado na Avenida Brasil, Zona Oeste da capital. 

No ano passado, segundo a secretaria, houve um problema com um suposto novo dono que iria construir um mini shopping e um posto de gasolina, mas a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) interveio na área e tudo foi paralisado.

De acordo com a assessoria da SRMM, a situação será repassada para que o Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas no Estado (Gipiap) fazer uma vistoria na área haja vista que é um espaço do governo.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) afirmou que estava fazendo um levantamento junto ao Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) e outras secretarias sobre a localidade. Portanto não conseguiria responder a demanda a tempo do fechamento desta edição e que não havia previsão para um retorno pelo fato de ser feita a identificação da propriedade do terreno.

 

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