Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020
Manaus

Dobram as demissões no trimestre em empresas do PIM

Foram mais de 6 mil até março, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, que homologa apenas o desligamento de trabalhadores com um ano de carteira



1.jpg O setor de Duas Rodas está entre os que mais demitem nas indústrias do PIM
12/04/2012 às 08:59

As demissões registradas no primeiro trimestre deste ano no Polo Industrial de Manaus (PIM) são duas vezes maiores que a registrada no mesmo período em 2011, segundo dados do Sindicato dos Metalúrgicos. A situação preocupa entidades de classes que têm pedido auxílio do Governo Estadual e Federal, mas, até agora, não obtiveram sucesso.

No primeiro trimestre deste ano, as fábricas do PIM demitiram 3.043. Este ano, as demissões já chegaram a 6.188. Nos dois anos, a Moto Honda liderou o ranking das fábricas que mais demitiram, porém, é a fábrica que mais demanda colaboradores. Além dela, aparecem nas duas listas das que mais demitiram a LG Eletronics e Ecoltec.



Nesta quarta-feira (11), somente a Sony homologou 30 desligamentos. Segundo as representes do RH da multinacional, o motivo é redução de quadro. A industriária Suzane Reis é uma das demitidas, e trabalhou na linha de produção das máquinas digitais da Sony por oito meses. O mesmo aconteceu com Erika Souza, que trabalhou por dois anos na empresa e ao retornar da licença a maternidade foi demitida.

Porém, nem todos os industriários inclusos no registro da CUT foram demitidos. É o caso de Gilmar Souza que trabalhou no período de um ano e oito meses na Samsung e pediu demissão. “Eu trabalhava no setor de qualidade, mas era um trabalho muito desgastante. Pedi para sair”. Como ele, a reportagem encontrou ontem mais de cinco trabalhadores que pediram para deixar o emprego.

Situação

O presidente da CUT-AM, Valdemir Santana, disse que desde setembro do ano passado vem batendo na tecla das demissões e o aumento é decorrente da importação de produtos chineses que vem quebrando, principalmente, as fábricas do polo de Duas Rodas e do segmento de arcondicionado do PIM. “O problema é que os empresários sabem que importar alguns itens chineses custa menos e acabam optando por este caminho”.

A discussão sobre a entrada dos chineses na disputa do mercado brasileiro tem sido alvo há algum tempo de discussões. Em dezembro do ano passado, o presidente Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, afirmou que era necessário que o Governo do Estado encontrasse uma maneira para “blindar” os empregos no PIM frente à entrada de produtos chineses.

Na semana passada, no lançamento da segunda etapa do projeto nacional Brasil Maior, Valdemir disse que questionou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, sobre quando viria ao Estado e se poderia contribuir para evitar mais demissões no PIM. “Mas ele não me disse nada”, informou Santana.


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