Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Manaus

Dois anos após a regulamentação, mototaxistas da capital relatam dificuldades para trabalhar

Quem não é regulamentado trabalha normal; e quem é reclama da falta de fiscalização



1.jpg Os regulamentados são identificados, mas muitos que não são continuam circulando pelas ruas tranquilamente
11/05/2015 às 11:46

Quase dois anos após a regulamentação dos mototaxistas em Manaus, a equipe de reportagem do MANAUS HOJE foi às ruas para saber o que melhorou ou não após este processo que trouxe mudanças à categoria. Por parte do mototaxistas regulamentados, há uma indignação pela falta de fiscalização para combater os “piratas”. Já os não regulamentados, alegam que o processo é burocrático demais. Com os crimes que acontecem na cidade envolvendo supostos mototaxistas, a população usuária deste meio de transporte tem que contar com a sorte na hora de usar o serviço.

Não é muito difícil encontrá-los. Eles estão espalhados por vários pontos da cidade, sejam os mototaxistas regulamentados ou não. Na avenida Autaz Mirim, na Zona Leste da cidade, umas das principais da cidade, é onde se vê mais pontos. Um deles já existe há 6 anos e lá, trabalham sete mototaxistas, sendo apenas dois regulamentados.

Marcos Jads, 38, trabalha com esse tipo de transporte há 6 anos e é um dos mototaxistas regulamentados de Manaus. Ele contou que além de toda a documentação exigida e as aulas e provas que eram obrigatórias para a regulamentação, ele ainda gastou cerca de R$ 17 mil para adquirir todo o equipamento exigido pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU). “Passamos por uma série de burocracias para trabalhar conforme a lei estabelecida. A fiscalização deveria ser mais rígida para combater os piratas. Não é justo eles continuarem rodando”, reclamou o trabalhador.

Dificuldade

Do outro lado, os considerados mototaxistas “piratas”, que continuam atuando normalmente, reclamam da burocracia para regulamentação. Valdir Frota, 55, trabalha como mototaxista há 5 anos, e diz que já tentou regulamentar, mas confessa que desistiu nas aulas exigidas pela SMTU. “Eu fui atrás, mas eles complicam muito. Eu preciso trabalhar, todo mundo precisa. Enquanto não me proibirem, vou continuar ganhando meu pão assim mesmo”, confessou.

População tem medo, mas arrisca

Além de todos os problemas devido à regulamentação, os mototaxistas enfrentam também o fato de que há alguns anos bandidos têm usado fardas de associações de mototáxi, e se passam por mototaxistas para praticar os mais diversos crimes pela cidade. A imagem da categoria fica denegrida e, consequentemente, afasta a clientela.

A dona de casa Fátima Lima, contou que prefere pegar os regulamentados, que são devidamente identificados, mas confessa que quando está com muita pressa, pega qualquer um. “Já vi motoqueiro vestido de mototaxista assaltar uma jovem que voltava da escola à luz do dia. Ando de mototáxi há algum tempo, conheço alguns. Mas quando preciso ir com um desconhecido e que não é regulamentado, só peço à Deus que me proteja”, contou a dona de casa.

Torceram o nariz para projeto de lei

A divisão entre a própria categoria é notável, mas todos entram em comum acordo quando o assunto é a nova lei que obriga o uso de touca descartável por passageiros de mototáxi na capital, aprovado pela Câmara Municipal de Manaus no último dia 5. O Projeto de Lei nº 406/2013, de autoria do vereador Joãozinho Miranda (PTN), busca evitar problemas de saúde pelo uso coletivo do capacete.

A lei visa minimizar riscos de transmissão de doenças e outros problemas causados por fungos e bactérias. De acordo com o projeto, o mototaxista é obrigado descartar a touca utilizada pelo passageiro, assim que for devolvida, ao fim da corrida, em recipiente próprio para descarte correto do material. Para grande parte da categoria, este projeto de lei é inviável. “Tem passageiro que não quer colocar nem o capacete. Que dirá a touca. Isso é só mais um gasto pra gente”, disse um mototaxista que não quis ser identificado.

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