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Manaus
INFRAESTRUTURA

Às vésperas das eleições, Artur Neto reedita asfalto ‘fake’ do pleito de 2016

Prefeitura de Manaus lança pacote de obras no sistema viário de R$ 320 milhões dois anos depois de gastar R$ 500 no mesmo serviço 17/06/2018 às 08:30
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Por conta da situação da rua, moradores não são assistidos com os serviços de coleta de lixo e nem ambulância (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

Dois anos após gastar quase R$ 500 milhões em obras, principalmente do sistema viário, o prefeito Artur Neto (PSDB) lançou na última semana um novo pacote orçado em R$ 320 milhões com a promessa de recuperar 10 mil ruas da capital. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), a oposição pressiona para investigar a caixa-preta que é a lista de locais que serão recuperadas e os respectivos serviços que serão realizados pela Prefeitura de Manaus.

Em julho de 2016, às vésperas da campanha eleitoral, em entrevista à imprensa Artur disse, ao anunciar um plano de obras, que um empréstimo internacional possibilitaria "um show de asfalto, um show de infraestrutura na cidade". Além do asfaltamento e da colocação das novas lâmpadas, o prefeito afirmou à época que viadutos, passagens de nível e passarelas também passariam por obras. Assim, “dar um aspecto novo e melhor para a nossa cidade”. 

A reportagem de A CRÍTICA percorreu na quarta-feira ruas que receberam o novo asfalto em 2016 e identificou a deteriorização de várias delas e a baixa qualidade do produto utilizado. Ao adentrar nas ruas adjacentes dos bairros a precariedade do sistema viário se complica ainda mais. 

Transparência

Os vereadores Chico Preto (PMN) e Joana Dar’c (PR) protocolaram requerimento junto à mesa diretora da CMM na última terça-feira solicitando da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) a lista de ruas que serão beneficiadas, os serviços e o cronograma de execução das intervenções divulgadas pelo prefeito. Nesta semana, o requerimento deve entrar na pauta de votação da Casa, e deve seguir o mesmo caminho de pedidos idênticos que foram negados pelo base governista. .

Joana D’arc afirmou que identificou a ausência de um cronograma de execução dos serviços. Para parlamentar falta transparência na prestação de contas dessas obras. “Conforme o próprio prefeito anunciou, em entrevistas, Manaus tem 16 mil ruas e desse total 8 mil estão em situação precárias. Se ele vai asfaltar 10 mil ruas nesse verão, pode-se concluir que depois dessas obras a cidade não terá mais nenhuma rua esburacada”.

‘Meta ousada’

A base governista na Câmara se revezou na tribuna na última semana para elogiar o “pacote de verão” da gestão Arthur. Para o vereador Wallace Oliveira (PODE) a prefeitura conta com todos os ingredientes necessários para o sucesso das obras. Conforme o parlamentar, as obras atendem encaminhamentos apresentados pelo parlamentar através de seu gabinete. “Vejo que dois mil ruas por mês é uma meta ousada e que pode se atingir. Temos um cenário apropriado com clima, o asfalto, equipes e a disponibilidade plena para que tudo aconteça”, declarou o governista.

Personagem

A moradora da Rua Bela Vista, no Nova Vitória, Francilene Lima, 48, afirmou que não tem mais condições de tirar dinheiro do próprio bolso para arrumar os buracos da rua. “É uma buraqueira muito feia. Há um ano usamos 30 sacas de cimento para ajeitar e com as chuvas abriu de novo. Uma moradora até já começou a pedir colaboração para comprar material, mas eu não posso mais tirar dinheiro da construção da minha casa para tapar os buracos da rua”, protestou.

Por conta da situação da rua, os moradores não são assistidos com os serviços de coleta de lixo e nem ambulância ou viatura da polícia entra na via. “Quando chega caminhão com material de construção é um sufoco, tem que descarregar lá em baixo e subir as coisas”, contou a doméstica.

Moradores reclamam de buraqueira

A reportagem  visitou, na quarta-feira, algumas ruas recuperadas pela prefeitura em às vésperas da campanha de  2016.  A avenida Camapuã, na Cidade Nova apresenta buraco em frente a um ponto de ônibus. “Eles não olham para o que a população passa e sofre com esses buracos”, disse a autônoma Isabel Silva.

Na avenida Brigadeiro Hilário Gurjão, no Jorge Teixeira, a cratera está localizada em frente ao Distrito de saúde e Endemias Leste.  “Você vê que o asfalto para antes do buraco. Dia de chuva vira uma piscina e é comum carros e motos caírem. Dentro dos bairros, a prefeitura só tapa buraco ao invés de recapear”, disse mototaxista José Ribeiro, 39.  

Na Emílio Moreira, no bairro Praça 14, a via apresenta buracos no trecho que interliga as ruas Barcelos e Ayrão. Na avenida Dublim, no Campos Elíseos, moradores temem os riscos decorrentes de um o buraco que pode ocasionar a colisão de veículos com o muro.

Blog

Chico Preto - Vereador pelo Partido da Mobilização Nacional 

“Neste momento o cidadão anseia por protagonismo. Ele quer participar. Entende que é dinheiro público e quer acompanhar a execução. Quando se trata de informação pública, não há razões para a base do prefeito rejeitar. É uma obrigação da prefeitura dar transparência às ações do plano. Esconder essas informações leva a suspeita de manipulação eleitoral para aqueles que apoiam o prefeito agora como pré-candidatos ao pleito deste ano possam querer iludir a população de que eles reivindicaram as ações. Às vésperas da eleição, a manipulação de um plano de obras e com dinheiro público não é correto”.

Sem lista de ruas e serviços

Questionada sobre a lista de ruas que serão atingidas com o plano de obras e o cronograma de execução dos serviços, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou, por meio de nota, que as ações iniciaram nos bairros Grande Vitória, Shangrilá, Alfredo Nascimento, Cidade Nova, São José. Recapeamento na avenida Arquiteto José Henrique, no Nova Cidade, Rua Carvalho Leal  na Cachoeirinha e avenida Itacolomi, no Armando Mendes, além de novas alças de retorno na Bola do Produtor e na avenida  Coronel Teixeira, Ponta Negra.

A pasta disse que o pacote de obras verão visa atender todas as zonas geográficas da capital. “No entanto, as zonas Norte e Leste apresentam grande demanda”. Porém não forneceram a lista de ruas do ‘pacote de verão’. 

A Seminf não esclareceu também quais as empresas que irão atuar na execução das obras e o cronograma de execução dos serviços. Ainda a secretaria não se pronunciou sobre a decisão do Ministério Público de Contas do Estado (MPC-AM) que pediu a anulação do processo de contratação temporária de pedreiros e serventes.

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