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Manaus
Esperança

Amazonense realiza campanha em prol da 'pílula do câncer'

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é que 600 mil novos casos de câncer sejam diagnosticados no Brasil em 2016, sendo 5.270 só no Amazonas. 24/07/2016 às 14:37 - Atualizado em 24/07/2016 às 14:37
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O uso do medicamento está em debate e movimenta milhares de pacientes (Foto: Clóvis Miranda)
Luana Carvalho

Assunto polêmico desde o ano passado, o tratamento com fosfoetanolamina, conhecida como a pílula do câncer, continua em debate, movimentando milhares de pacientes em busca de uma dose a mais de esperança. No Amazonas, a empresária Karola Caldas, de 27 anos, é uma das defensoras do medicamento e garante a eficácia da pílula desenvolvida por um cientista brasileiro há 25 anos.

Junto com o marido, Luciano Souza, 42, ela está fazendo uma campanha em prol  da substância, distribuindo folders e recolhendo assinaturas para que a Lei 13.269/2016, que autorizou o uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna, seja reconsiderada. 

Isto porque um mês após a presidente Dilma Rousseff (PT) ter sancionado a lei, em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a uma ação Associação Médica Brasileira (AMB), derrubou a validade do texto, com 6 votos a 4, por entender que não existem testes científicos suficientes que comprovem a eficácia e segurança  da fosfoetanolamina. 

O  grupo amazonense conseguiu, até agora, seis mil assinaturas no Estado. Além disso, mobilizaram a Casa Civil e a  Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que criou uma comissão, na semana passada para estudar a fosfoetanolamina, método de baixo custo, mas que não possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
 

“Pedidos na Justiça”

Karola é a única paciente do Amazonas que conseguiu direito ao acesso à pílula do câncer. Porém, com a decisão do STJ, a substância parou de ser distribuída gratuitamente e a paciente corre contra o tempo para conseguir mais fosfoetanolamina. 

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é que 600 mil novos casos de câncer sejam diagnosticados no Brasil em 2016, sendo 5.270 só no Amazonas. Para ela, o tratamento representa uma nova oportunidade. “Com a pílula, é como se tivéssemos uma chance a mais de sobreviver. Há três meses eu nem levantava da cama. Hoje eu pedalo, caminho e malho, depois, graças ao tratamento”.

A empresária ingressou em uma ação coletiva, junto com outros mil pacientes de todo o Brasil, requerendo o tratamento com a pílula, em outubro do ano passado. Na ocasião ainda era produzida pelo pelo cientista Gilberto Orivaldo Chierice do  Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP), que descobriu a fórmula. 

“O primeiro diagnóstico foi em junho. Tive câncer no colo retal, rins, fígado, pulmão e intestino. Deu metástase. Parei a quimioterapia porque meu fígado estava ficando necrosado. Em outubro,  assisti a uma reportagem sobre a fosfoetanolamina. Fiz um propósito com Deus de que, se eu tivesse evolução com o remédio, passaria a divulgar para todos os amazonenses”, relembra. 

As 60 primeiras capsulas chegaram em janeiro. Depois de três dias de tratamento, a empresária não sentiu mais dores, conforme relata. “Naquele mesmo momento lembrei do propósito que fizemos com Deus. Hoje me sinto bem e quero que outras pessoas tenham acesso a este tratamento gratuitamente, como vinha sendo feito”. 

Quem quiser fazer parte do grupo pode procurar por Karola nas redes sociais, através da página dela no Facebook (karolafosfoetanolamina) ou pelos telefones 992303130 e 982818000.


UEA estudará substância 

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) estudará a fosfoetanolamina sintética “considerando os inúmeros pedidos de pacientes com câncer”. Nas próximas semanas, a universidade montará um grupo de trabalho para dedicar-se exclusivamente às pesquisas e trabalhos científicos que já estão sendo produzidos em outros estados brasileiros.

A UEA esclareceu que não irá começar a produzir a fosfoetanolamina sintética, mas não descartou a possibilidade de dialogar com o químicos Gilberto Orivaldo Chierice, que estudou a substância, sobre novos estudos. 

“A UEA manifesta interesse em participar com toda e qualquer pesquisa que possa contribuir com a saúde e bem estar da população brasileira”, frisou a universidade. 
 

Testes em humanos

A partir de amanhã, a fosfoetanolamina sintética começará a ser testada em humanos por meio da pesquisa clínica que está sendo conduzida pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), que já recebeu do laboratório oficial da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, as cápsulas para a realização da pesquisa.

 

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