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Pesquisa

Estudo do Inpa revela que jaguatiricas tem mais chances de capturar presas na lua cheia

Estudo Inpa demonstrou que as chances das jaguatiricas capturarem suas presas são maiores na lua cheia devido à maior claridade 27/11/2016 às 15:08 - Atualizado em 27/11/2016 às 17:54
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As jaguatiricas são confundidas com a onça pintada devido às manchas características desses animais, mas nelas, as manchas são mais alongadas,
Náferson Cruz Manaus (AM)

Em geral, ela é confundida com a onça pintada devido às manchas características desses animais, mas nas jaguatiricas (Leopardus pardalis), também conhecidas como gato-do-mato, as manchas são mais alongadas, e além disso são menores, como um “gatinho grande”. 

Recentemente, um estudo do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), desenvolvido em três áreas de floresta pertencentes à entidade, demonstrou que as chances das jaguatiricas capturarem suas presas são maiores na lua cheia devido à maior claridade. O estudo também mostrou que as presas sofrem a influência da luminosidade da lua.
“Quanto mais luz, mais fácil de ver as presas, mas isso não é uma regra. A jaguatirica consegue pegar apenas alguns bichos”, explica o bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Inpa e integrante do Grupo de Pesquisa de Mamíferos Amazônicos (GPMA/Inpa), o biólogo André Gonçalves.

Apesar de parecer com uma onça, os ataques envolvendo a jaguatirica são raríssimos. Em outras palavras, não são exatamente as onças que têm ido às cidades, as cidades é que estão invadindo os territórios delas, explica ele. Em áreas rurais, os encontros entre homens e felinos são bem mais numerosos e as estimativas menos confiáveis. Algumas pessoas resolvem a questão por conta própria: caçam e matam ilegalmente as onças e gatos silvestres e, portanto, não comunicam o fato.

Outras pessoas convivem sem problemas com essa proximidade e também não registram os encontros. As notificações só chegam ao Cenap quando os felinos são suspeitos de atacar animais domésticos ou se aproximam demais de áreas habitadas. “De forma geral, esses animais não representam risco para a população”, assegura Ronaldo Morato, especialista do Cenap. “Eles são solitários, noturnos e tendem a evitar a presença humana. Em caso de encontro, é só fazer barulho, gritar, bater palmas, soltar rojões e abrir um caminho para a fuga, que eles vão embora. Os predadores de topo de cadeia alimentar, como os felinos, têm a função natural de manter o equilíbrio das populações de suas presas tradicionais e costumam se manter fiéis a seus hábitos alimentares”, diz.

Para os especialistas, a explicação é simples: seres humanos não são tidos como presas por nenhuma das oito espécies de felino que ocorrem aqui. São, antes, predadores e, como tal, devem ser evitados. É o que as fêmeas ensinam aos seus filhotes, nos 8 a 12 meses em que andam juntos, após o nascimento. Cada espécie de felino tem uma preferência alimentar e nenhum deles gasta a preciosa energia empregada em um ataque por outro motivo, que não seja para comer ou se defender. O único predador que ataca e mata aleatoriamente é o próprio homem, diz o especialista.
Dicas
“A quem quer manter os felinos à distância recomendamos alguns cuidados básicos, como armazenar lixo em lugar tampado para não atrair animais que possam ser presas da onça”, explica Ronaldo Morato, que inclui ratos entre essas presas. “Quem tem criação deve manejar os animais domésticos, levar toda noite para um local fechado. Um cavalo ou cabra preso numa corda, ao relento, é fácil demais para uma onça. Se for próximo de uma mata, então, é um chamariz”.

 

Impactos humanos

De acordo com André Gonçalves, além de fatores ambientais da espécie, as mudanças também podem partir de respostas a impactos humanos. “Animais que apresentam hábitos diurnos podem vir a se tornar noturnas em áreas que sofrem com caça e diversos outros tipos de impactos”.

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