Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
Radioproteção

Inpa adequa laboratórios para desenvolver pesquisas com materiais radiativos

No fim do mês passado, a instituição inaugurou o Laboratório de Serviços de Radioproteção, que gerenciará todas as ações envolvendo radioatividade



content_radio.JPG O novo prédio será responsável pelo licenciamento dos laboratórios junto aos órgãos competentes, além de realizar treinamentos (Foto: Winnetou Almeida)
06/08/2016 às 20:29

Embora haja um grande temor quando se fala em radioatividade, uma vez que ela pode ser nociva ao organismo humano, dependendo da intensidade ou da duração da exposição, o fenômeno também pode trazer importantes benefícios a diversas áreas, entre as quais a de pesquisa científica. Para trabalhar com equipamentos e materiais radioativos, como é a intenção do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), é preciso respeitar normais e legislações vigentes, além de ter autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Há dois anos, o Inpa inaugurou o primeiro prédio da região Norte para armazenamento de rejeitos radioativos inerentes à atividade de pesquisa dos laboratórios do instituto. No final do mês passado, a instituição colocou para funcionar o segundo prédio, desta vez, o de Serviços de Radioproteção, que gerenciará todas as ações envolvendo radioatividade, e até o final do ano quer está com pelo menos um dos laboratórios licenciados para desenvolver pesquisas com equipamentos e materiais radioativos.



De acordo com a supervisora técnica do Serviço de Radioproteção do Inpa, Zenaide Figueiredo, o novo prédio será responsável pelo licenciamento dos laboratórios junto aos órgãos competentes, além de realizar treinamentos dos servidores técnicos, pesquisadores e estudantes que vão trabalhar nesses locais e acompanhar seus métodos em relação à segurança, controle das fontes, entre outros. “Existem diversos tipos de materiais radioativos e para cada um deles tem que ter um laboratório e equipamentos de proteção individual específico”, destacou.

Prédio de Serviços de Radioproteção (Winnetou Almeida)

Zenaide disse que um dos laboratórios ja fez as adequações necessárias e enviou o plano de Radioproteção para ser analisado pela CNEN, agora aguarda resposta. Outros dois, conforme ela, já estão em fase de desenvolvimento do plano. Um deles vai trabalhar com equipamentos de Raio X para analisar folhas, pequenos animais, peixes, entre outros.

De acordo com a supervisora técnica, há três anos o Inoa trabalha para colocar essa ferramenta à disposição dos pesquisadores. “Nós não podíamos licenciar os laboratórios sem estarmos com estrutura preparada para receber rejeitos ou equipamentos radioativos. Com os dois prédios inaugurados o ciclo se fechou e como já vínhamos orientando sobre o processo de desenvolvimento dos Planos de Radioproteção para pesquisas com equipamentos e materiais radioativos alguns laboratórios estão bem avançados. Isso é muito importante porque novas pesquisas e tecnologias poderão ser desenvolvidas no instituto”, ressaltou Zenaide Figueiredo.

Adequação

O Inpa ainda não trabalha com materiais radioativos. Neste momento, a instituição está adequando alguns laboratórios de acordo com as exigências para que tenham licenciamento da CNEN  e enfim de trabalhar com tais ferramentas.

Saiba mais

O Inpa conta com alguns equipamentos de proteção individual para o desenvolvimento de pesquisas com equipamentos e materiais radioativos, além disso o Serviço de Radioproteção junto a Segurança do Trabalho promoverá na última semana do mês de setembro um curso voltado para Ações e Respostas a Emergências Radiológicas a fim de capacitar servidores e identificar outros equipamentos de proteção individual e coletivo que deverá ser adquirido posteriormente.

Frase

Zenaide Figueiredo - supervisora técnica do Serviço de Radioproteção do Inpa

“Todo o nosso trabalho está sendo acompanhado pela CNEN. Eles vieram nos visitar duas vezes e recebemos orientações e elogios porque estamos nos tornando referência na radioproteção porque estamos fazendo tudo de acordo com o que a legislação orienta”.

Armazenamento

Em 2014, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) inaugurou o Prédio para Armazenamento de Materiais Radioativos (Pamrad). No local, ficarão guardados o material e os equipamentos emissores de radiação inerentes à atividade de pesquisa dos laboratórios da instituição quando não estiverem em uso.

“Quando o pesquisador terminar a pesquisa os materiais e rejeitos radioativos serão enviados para este prédio e futuramente para um depósito intermediário que fica em São Paulo e Rio de janeiro”, revelou a supervisora técnica do Serviço de Radioproteção do Inpa, Zenaide Figueiredo. Conforme ela, o prédio garante o confinamento seguro e adequado desse tipo de material pelo tempo necessário a proteção do homem e do meio ambiente.

O local é cercado e sinalizado e só entra pessoas autorizadas e devidamente protegidas com equipamentos de proteção individual como luva, óculos, cabelo preso, sapato fechado e jaleco para que não venha a se contaminar. “Neste momento ainda não tem nada dentro do imóvel, mas ele está todo sinalizado e pronto para receber o Rejeito Radioativo que for gerado no Inpa. Porém, para isso é preciso concluir a fase de licenciamento dos laboratórios”, frisou.

Blog

Zenaide Figueiredo - supervisora técnica do Serviço de Radioproteção do Inpa

Muitas pessoas têm medo quando se fala sobre pesquisa com material radioativo, na verdade, o que precisamos é ter conhecimento apropriado para se proteger. O que temos que fazer é não gerar grande volume de rejeito. Não podemos contaminar mais de dez pares de luvas durante um procedimento ou a roupa. É preciso ter orientação para diminuição de volume de rejeito radioativo e cuidados com a saúde. Em nível de radiação, o que pode ter são os efeitos biológicos, mas não são comprovados, a não ser em casos de acidentes como o que aconteceu em Goiânia (em 1987, onde ocorreu à contaminação radioativa de residências,pessoas e lugares públicos, proveniente da remoção indevida de um equipamento hospitalar de radioterapia, mas de todo modo temos legislações para acompanhamento e cuidados com a saúde do individuo ocupacionalmente exposto a radiação ionizante (IOE’s), sendo os equipamentos de proteção de uso obrigatório. No prédio de Serviços de Radioproteção temos uma área para fazer a descontaminação caso uma pessoa venha a ser contaminada de alguma forma.

Prédio para Armazenamento de Materiais Radioativos (Winnetou Almeida)


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