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Projeto 'Giulia – Mãos que Falam' entra em nova fase nesta semana, em Manaus

Essa próxima semana, começa o processo de avaliação para identificar, entre outras coisas, como está sendo a adaptação da nova ferramenta, que promete facilitar a comunicação entre surdos e pessoas que não sabem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) 10/04/2016 às 14:18 - Atualizado em 10/04/2016 às 19:06
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Bracelete-sensor, usado na altura do cotovelo, registra mensagens de gestos criados por uma pessoa e traduz eles em sons na língua portuguesa em tempo real e de maneira clara (Antônio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

Das 100 pessoas surdas contempladas na primeira fase do projeto “Giulia – Mãos que Falam”, que iniciaram o treinamento em 4 de janeiro desse ano, 14 concluíram todas as etapas da preparação. Os demais precisam treinar mais uns dias. Todavia, nessa próxima semana, começa o processo de avaliação para identificar, entre outras coisas, como está sendo a adaptação da nova ferramenta, que promete facilitar a comunicação entre surdos e pessoas que não sabem a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

De acordo com a coordenadora da Central de Interpretação de Libras do Amazonas (Cilam), Fabiana Ferreira, nem todas as pessoas surdas concluíram o treinamento porque cada uma tem sua particularidade. “Temos pessoas que tiveram três encontros, mas não chegaram à última fase porque tem dificuldade motora. Teve ainda caso onde o movimento foi gravado num braço direito sendo que a pessoa é canhota, ou seja, tem algumas particularidades”, afirmou.

Porém, conforme ela, todos estão empenhados em concluir o treinamento, com isso, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped), responsável pelo acompanhamento e monitoramento do processo de adaptação da tecnologia e a interlocução entre os usuários surdos, iniciará mais uma fase para garantir a independência deles. “Agora nós queremos saber em que precisamos melhorar e se a ferramenta terá usabilidade e nada mais justo que fazer essa avaliação com eles”, frisa.

O funcionário público Joel Batista Gomes, 28, é um dos usuários do Giulia que concluiu as três fases do treinamento. Porém, ainda não utiliza a tecnologia porque se sente inseguro. Ele também destacou que ainda é preciso inserir mais sinais de Libras no aparelho. “Tem pouca memória e se for a um lugar vai ser difícil a comunicação, mas quando tiver todos os sinais vamos poder ir a qualquer local e poder sinalizar livremente sem dificuldades de utilizar o equipamento”, ressalta.

Para a coordenadora do Cilam, Fabiana Ferreira, esse feedback aliado ao uso contínuo dos beneficiados servirá para aperfeiçoar e inserir novidades no Giulia. Por esse motivo a realização do processo de avaliação do projeto e a ideia é que esse monitoramento seja feito de três em três meses. “O aparelho contém frases prontas e palavras soltas como uma espécie de dicionário em Libras, que deve ser atualizado constantemente, conforme a demanda dos usuários surdos”, enfatiza.

O projeto foi idealizado pelo professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manuel Cardoso, e consiste no desenvolvimento de uma braçadeira com sensor que traduz em som o significado de movimentos de quem está utilizando o aparelho. A braçadeira é posicionada logo abaixo do cotovelo, onde são captados os sinais biológicos dos músculos do antebraço e da mão. O sensor capta esses sinais e os transmite, via Bluetooth, para um aparelho celular.

Expansão

A expectativa da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência é que o número de beneficiados seja ampliado e, em uma próxima fase, a proposta é levar para escolas especializadas no atendimento de crianças surdas.

Em números

100 pessoas surdas foram contempladas nesta primeira fase do projeto pelo Governo do Estado. Os primeiros aparelhos do “Giulia - Mãos que Falam” foram viabilizados através de apoio da empresa Recofarma, no valor de R$ 800 mil.

Personagem - Vânia Suely - Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência

A Seped ficou com a responsabilidade de fazer a entrega desses equipamentos e o treinamento, que já estamos concluindo. Agora nós vamos fazer a avaliação para verificar a real utilidade da tecnologia, se as 100 pessoas que participam do projeto estão satisfeitas, se estão utilizando e se tiveram algum impacto bom na sua vida diária. Se o resultado for positivo para a comunidade surda com certeza nós vamos sinalizar ao governador do Estado, José Melo, a importância de dar continuidade ao “Giulia - Mãos que Falam”. Já temos percebido a atenção do governador em dar continuidade na aquisição de novas unidades para que possamos ampliar a entrega desse equipamento para a comunidade surda e a Seped vai estar novamente fazendo esse repasse. Há possibilidade de a gente em breve fazer um novo chamamento público para as novas pessoas interessadas.

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