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Manaus
PODER PESSOAL

A ansiedade acontece porque as pessoas não sabem lidar com o presente, diz terapeuta

“Eu só posso cuidar do outro se eu sei cuidar de mim”, ensina Tadashi Kadomoto, que ministra palestra em Manaus no próximo 23 de junho 27/05/2018 às 08:45 - Atualizado em 27/05/2018 às 13:57
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Foto: Divulgação
Rebeca Almeida Manaus (AM)

O terapeuta transpessoal, professor Tadashi Kadomoto, fundador do Instituto Tadashi Kadomoto (ITK), realizará mais uma palestra em Manaus, no dia 23 de junho, desta vez destinada ao tema “Despertando o poder pessoal”. Em março, ele esteve na cidade e tratou do tema  “Vivência com inteligência emocional”.

Tadashi atua na área há mais de 30 anos. O palestrante convida o público para aprender a ter energia e vitalidade em função do equilíbrio pessoal. O evento ocorrerá no Centro de Convenções Manaus Plaza, de 9h às 19h.

Em entrevista para o jornal A CRÍTICA, o terapeuta destaca a importância do autoconhecimento como forma de administrar o poder pessoal e lidar com as relações humanas.

Do que se trata a terapia transpessoal?

A terapia transpessoal  vai abranger toda a parte da psique, mas quando se fala transpessoal é tudo que vai além da matéria. A abordagem do Instituto Tadashi Kadomoto trabalha o ser humano de uma forma mais inteira, holística. Não vai olhar só para a parte psicológica, mas envolver a parte física, a parte emocional, a parte energética, a parte espiritual. O espiritual no sentido de totalidade, não do religioso.

Como você iniciou na área da terapia?

Há 30 anos eu trabalhava dando treinamento na área comercial e a coisa começou a migrar de uma determinada forma que hoje a gente tem um trabalho específico para a área comercial. Como eu falei hoje a abordagem do ITK é muito mais ampla. Tem outras abordagens, não seria específica na parte holística. Já há dez anos eu dou aula na Unifesp de cuidados integrativos da saúde. Lá o trabalho é especificamente voltado para a parte de medicina alternativa ou voltado para o seguimento de saúde. Então trabalhar a saúde de uma forma também inteira, de uma forma holística e não olhar só para a doença em si.

 De que forma o instituto atua? 

O instituto na abordagem que a gente trabalha não é específico para a parte de medicina alternativa,  é voltado para a saúde, mas quando a gente fala saúde, a gente fala para trabalhar uma questão de saúde física. Eu preciso trabalhar um lado emocional, um lado psicológico antes de trabalhar essa questão física. Muitas vezes, a cura da parte física vai começar lá pelo lado psicológico. A gente fala com todos seguimentos de pessoas, de crianças até a terceira idade, mas voltado para esse processo de autoconhecimento. A pessoa saber como ela funciona, o que é bom pra ela, porque o que é bom pra você pode não ser bom para mim, o que funciona para mim, não quer dizer que funciona para você.

Como você define a expressão “coaching de vida”?

Eu acho muito delicado essa área de coaching  porque nós acreditamos que eu só posso cuidar do outro se eu sei cuidar de mim. Então se eu não sei lidar com as minhas questões não tem como ajudar o outro a lidar com aquelas questões que eu não sei cuidar na minha vida ainda. 

O pressuposto que a gente tem é que todas as pessoas que eu trabalho no instituto não é que são perfeitas, não existe ninguém perfeito, mas são pessoas que conscientemente se trabalham para poder trabalhar o outro. A gente tem um processo contínuo de crescimento pessoal, de autoconhecimento, de terapia com o paciente para estar capacitado a cuidar do outro.  

Porque você acha que as pessoas sofrem tanto com ansiedade?

Por não saber lidar com o momento presente. A forma como eu vejo a ansiedade é assim: as pessoas ou estão presas em fatos do passado, o que já provocou sofrimento, ou sofrem pelo o que ainda vai acontecer no futuro. Ou seja, está presa no passado, está presa no futuro e não está vivendo muito o presente. Isso começa a gerar uma ansiedade que fica insuportável de administrar e o que diminui muito essa ansiedade é exatamente aprender a viver o agora, o aqui.

Como analisa a reação das pessoas em meio à crise que o País vive? De que forma é possível buscar um equilíbrio nesse momento?

Naturalmente não tem uma receita, é muito subjetivo, é muito pessoal. Essa questão do equilíbrio, as pessoas tem uma grande dificuldade de acessar esse equilíbrio por uma sociedade excessivamente consumista e que a gente se compara demais com o outro e muitas vezes você já tem o bastante para ser feliz mas como só compara que a felicidade está ligada a essa questão material que o outro tem eu acho que isso gera uma grande ansiedade, uma infelicidade muito grande. 

Pode parecer bobo, mas quando as pessoas começam a me questionar eu respondo: você se conhece? Porque a partir do momento em que você se conhece você sabe se isso é bom para mim ou não.

De que forma o paciente é recebido no instituto?

Nós temos uma “triagem” pra checar algumas coisas porque, por exemplo, determinadas vivências que a gente têm no instituto, pessoas com dependência química, com distúrbio psiquiátrico, grávidas, existem algumas restrições que as pessoas não podem fazer determinadas vivências. A gente tem uma ficha médica que as pessoas precisam preencher, mas isso depende também da vivência, são determinados tratamentos específicos para isso.

De que forma você vê a relação entre a medicina tradicional e a medicina holística?

Eu vejo tudo na vida como complementar, incluindo a medicina. É óbvio que ainda tem profissionais que não aceitam isso mas o fato é que para a medicina especificamente eu sinto que existe um complemento entre a medicina alopática e a medicina alternativa,  mas eu não sinto assim que só isso funciona. São coisas complementares, uma pode ajudar a outra, uma pode potencializar o resultado da outra.

Eu vejo assim: eu tenho uma crença que eu costumo partir da construção dos outros, o curador ele sempre vai aparecer e esse curador pode ser uma benzedeira ou pode ser um médico PhD, agora o fato é esse canal de cura ele vai aparecer na medida em que você esteja a procura.

Como é realizada a formação dos profissionais do IKT?

Bom, todos eles têm uma formação acadêmica ou em psicologia ou em medicina. Todos obrigatoriamente precisam fazer o curso de psicologia transpessoal e hoje uma pós em psicologia transpessoal são dois anos e meio de curso. Existe também uma necessidade de fazer um estágio com a gente durante dois anos, então para um profissional trabalhar dentro do instituto a formação dele é de, no mínimo, quatro anos. A gente não contrata pessoas sem acompanhamento, geralmente chegam já selecionados, a gente precisa ser bastante criterioso porque é muito delicado”.

Muitas pessoas iniciam cedo o acompanhamento terapêutico. O IKT possui terapias específicas para esses grupos?

Nós temos um curso específico para adolescentes, começando com 12 anos e terminando com 16 anos e onze meses. Nós temos psicólogos com especialização nesta faixa-etária e quando necessário atendimento específico para adolescentes, normalmente são encaminhados para eles psicólogos que têm atendimento direcionado para este seguimento.

Quais os principais objetivos da temática ‘Despertando o Poder Pessoal”? 

O primeiro grande objetivo é ajudar as pessoas a ter consciência que elas podem colocar a vida um nível acima. Quando eu falo colocar um nível acima é fazer um pouquinho mais do que já fazem e de repente conseguir resultados muito melhores. Muitas vezes para você conseguir um grande resultado na vida o que você precisa fazer talvez sejam ajustes muito pequenos. 

Quando eu decidi despertando o poder pessoal o objetivo é ter esse pequeno ajuste. A gente vai trabalhar principalmente com crenças, crenças que normalmente todos nós temos e que são crenças limitantes.  

Na visão terapêutica, o que seriam essas crenças?

Crença é qualquer coisa que você acredita que te faz ou não agir, por exemplo “eu não posso, eu não consigo, eu não mereço”, exemplos bem básicos. O objetivo é que as pessoas identifiquem essas crenças e transformem, assumam as crenças de poder que também existem: “eu posso, eu consigo, eu mereço”. A idéia é identificar essas crenças limitantes e quebrá-las e transformá-las em crenças de poder.

De que forma o poder pessoal contribui para as relações humanas?

Um dos recursos que todos nós temos e usamos muito mal é a alegria, o que é curioso. Dalai Lama fala uma coisa que é muito interessante: “A alegria é poder”. Ela é um poder que qualquer um tem. Só que a questão é o que você faz para cultivar sua alegria. 

Quando a gente fala despertando o poder pessoal a tendência do ser humano qual é? É terceirizar a culpa, principalmente nas coisas que fracassam, nas coisas que não dão certo, e quando a gente fala de poder pessoal é um poder que você tem  sobre o outro, é um poder que você tem sobre você mesmo.

De que forma ministrar esses cursos contribuem para sua vivência?

Mesmo quando tem o feedback negativo eu não deixo de retornar, não deixo de ligar, saber o que aconteceu. Não vou falar que 100% das pessoas adoram os métodos, sempre tem um ou outro que pode falar que não gostou. Agora é obvio que o feedback positivo que a gente tem é ótimo, ele está numa proporção muito maior do que o negativo. Mas de qualquer forma acho que o feedback positivo ele sinaliza que a gente está no caminho certo.

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