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Manaus
DIA DAS MÃES

Mãe relata amor por filha de criação, mas tem esperança de encontrar 'bebê' trocado

No Dia das Mães, Deuzamira Maia fala da esperança de reencontrar a filha biológica, que foi trocada na maternidade 14/05/2017 às 05:00
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O amor que une Deuzamira e Samantha vai além de laços de sangue (Foto: Antônio Lima)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

O relógio da maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa batia 15h30. O dia era 18 de abril de 1990. Na sala de parto se encontrava Deuzamira Maia, que tinha acabado de ter uma menina com mais de 3kg. A dona de casa não sabia, mas aquele momento seria inesquecível em sua vida, pois horas depois a criança seria trocada.  Hoje, no Dia das Mães, a mulher conta sobre a esperança de reencontrar a filha biológica e o amor incondicional pela menina que criou durante todos esses anos.

Deuzamira acreditava que a gastrônoma Samantha Devellyn, 27, fosse sua filha biológica mesmo que as características físicas dissessem outra coisa. As duas cansaram de ouvir de vizinhos, amigos e até de familiares sobre a falta de semelhança da menina com os pais. No entanto, após um exame de DNA ficou comprovado que houve troca de bebês.  

“O pai da Samantha me dizia que ela não era filha dele. Eu falei para o meu ex que se ela não fosse filha dele, também não seria minha, porque jamais cometi alguma traição. Quando entrei na Justiça para obrigar o pagamento da pensão alimentícia, ele pediu para fazermos o DNA. Depois recebemos o resultado e descobrimos todos juntos que a Samantha não era a nossa filha”, lembrou.

Depois da descoberta, o sentimento entre mãe e filha não diminuiu. Pelo contrário, se fortaleceu ainda mais. “Eu já tinha me separado do pai de criação da Samantha, mas depois ele se afastou. Enquanto isso, o sentimento que existia entre eu e ela se fortaleceu. A gente se ama demais. Claro que ela quer conhecer a família biológica dela, como eu quero conhecer a minha filha, mas para mim não mudou nada. A única coisa que queremos é conhecê-los”, comentou.

A dona de casa confessa que sente falta da filha biológica e imagina quais são as suas principais características. Em datas comemorativas, como o aniversário da Samantha, que também é o da menina de Deuzamira os sentimentos ficam a flor da pele.

 “Claro que sinto falta da minha filha biológica, porque toda mãe sente falta do filho. Só vi ela depois do parto durante uns 5 segundos, quando a enfermeira me disse que era menina. Já passou tanta coisa na minha cabeça. As vezes me pergunto o motivo de terem feito isso comigo. Me pergunto também onde ela está”, completa.

Amor incodicional

Encontrar a filha e os pais biológicos da Samantha seria o melhor presente que Deuzamira poderia receber neste dia 14. Ela destaca que mesmo que nunca tenha visto a menina, reconhecerá quando o momento do encontro chegar.  “Já pensou no Dia das Mães, eu abrir a porta e uma mulher se apresentar como a minha filha. Vou ter um ataque. Mas acho que se eu ver ela, vou reconhecer. Porque algo me diz que ela tem algo parecido comigo”, ressalta.

Mesmo não tendo laços de sangue, a aliança entre Deuzamira e Samantha vai além disso tudo. É o que a dona de casa destaca ao se declarar pela filha de criação, que segundo ela, é a “pessoa que veio para sua vida fazer a diferença”.

“Eu e a Samantha somos muito amigas e apegadas. Essa pessoa veio chegou à minha vida para fazer a diferença. Não sei qual será o meu futuro quando ela for casar. Já disse que quero ir junto. Amo muito ela. Apesar de eu não ter conhecido a outra, eu também a amo. A Samantha será sempre a minha filha”, destaca muito emocionada, Deuzamira.

Sonho de ‘parecer com alguém’

Enquanto Deuzamira sonha conhecer a filha biológica, Samantha deseja conhecer os pais biológicos e dizer que finalmente se parece com um deles. A gastrônoma desde quando era criança se incomoda com os comentários sobre o assunto.

“Quando eu tinha 12 anos meu pai conversou comigo e disse que eu não era filha dele. Apenas da minha mãe. No momento em que falei para ela o que ele tinha me dito, minha mãe disse que se fosse assim eu também não seria filha dela. Meu pai acreditava que ele tinha traído ela”, comentou a jovem, relatando que ficou abalada quando soube que não era filha biológica do casal.  “Na hora que abrimos o exame, meu pai e minha começaram a chorar. Foi muito chocante para mim, porque na hora imaginei como tudo aquilo tinha acontecido”, disse.

A gastrônoma também lembra que partiu dela o desejo de procurar seus pais biológicos e a filha de Deuzamira. Depois do processo envolvendo a pensão alimentícia ser encaminhado a Defensoria Pública do Estado.

“O defensor pediu o nome de todas as mães que tiveram bebês naquele dia. São uma média de 27. A casa da cidadania entrou em contato com alguma dessas pessoas, mas algumas não aceitaram isso muito bem. O caso foi encaminhado ao Tribunal”, explicou.

Gratidão

Após o resultado do exame, Deuzamira colocou a maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa na Justiça. Os advogados da unidade hospitalar até ofereceram uma indenização de R$ 3 mil pelo caso, mas foi recusado pela família.

“Pode ser algo de criança. Mas o meu sonho é dizer que pareço ou com o meu pai ou com a minha mãe. Quero muito poder dizer isso. Não penso em deixar a minha mãe quando conhecer meus pais biológicos. Tenho o direito de conhecer a minha origem. Meu coração queima. Fico preocupada de não ser recebida. Se eles vão aceitar”, confessou.

Falando da mãe de criação, a jovem rasga elogios e agradecimentos para Deuzamira e sua vó.  O sentimento é de não abandonar as duas, mesmo que conheça a família biológica. “Eu quero agradecer por tudo que ela fez comigo. Junto com a minha vó, que chamo de mainha. Elas nunca desistiram de mim. Sempre tiveram andando junto comigo. Nós temos uma vida. Já vivemos 27 anos juntas. Tenho certeza que essa é a minha família, pois foi para essa que Deus me mandou”, finalizou emocionada;

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