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Manaus
Uma montanha de lixo

Completando 30 anos, o aterro da capital alcança altura estimada de 60 metros

O aterro controlado de Manaus ocupa hoje uma área de 75 hectares e recebe aproximadamente  2,8 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos todos os dias 04/06/2016 às 18:05 - Atualizado em 05/06/2016 às 12:07
Silane Souza Manaus (AM)

Uma montanha com pelo menos 60 metros de altura ocupando uma área equivalente a 75 campos de futebol (75 hectares), localizada no km 19 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara). Engana-se quem pensa que é uma região natural, trata-se do Aterro Sanitário de Manaus, que recebe aproximadamente  2,8 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia. O monte, visto de longe, foi formado ao longo dos últimos 30 anos. 

Mas ele está com os dias contados. O último levantamento topográfico sobre o avanço do corpo do aterro indicou que, em funções das projeções de coletas futuras, a estimativa de vida útil do mesmo é de aproximadamente cinco anos, ou seja, se a previsão se realizar, ele  será desativado em 2021. Antes do término desse prazo, a prefeitura precisa iniciar os procedimentos de contratação do novo aterro. Mas isso ainda não está em discussão. 

O Secretário Municipal de Limpeza Pública, Paulo Farias, garante que isso será feito em tempo hábil. “Hoje em dia nenhuma prefeitura de cidade grande tem aterro próprio. O que elas fazem é contratar serviços de disposição final de resíduos. É feito uma licitação para contratação desse serviço e as empresas interessadas apresentam propostas. Só que, nesse caso, a empresa é responsável por localizar a área, fazer o licenciamento e a construção do aterro”, explica. 

Conforme Farias, em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, a contratação de serviços de disposição final de resíduos é uma rotina. Manaus ainda tem Aterro Sanitário próprio porque não se esgotou a vida útil dele. “Enquanto não esgotar a vida útil, o destino mais conveniente para o município é esse. Mas, no futuro também  vamos contratar”, revelou Farias. 

Além disso, o secretário municipal de Limpeza Pública disse que há um detalhe importante: “Com a avenida das Flores passando por lá, sendo que aquela área será a principal entrada da cidade de quem vem da Zona Norte, aquele maciço tem que ser fechado de uma forma bem regular e ordenada. A única maneira de deixá-lo desta forma é preencher todo o volume útil dele. Então, temos que concluir com ocupação, deixá-lo com a conformação bem adequada”, explica.

Paulo Farias lembra que, em São Paulo, ao lado do Autódromo de Interlagos, tem um morro que, inclusive, aparece nas TVs quando tem corrida no local. Aquela montanha é o antigo aterro de Santo Amaro, que foi concluído, fechado e virou um morro dentro da cidade, assim como ficará o aterro de Manaus. “Isso é normal e acontece em toda a parte. Lógico que esse local tem que ser monitorado, pois a drenagem tem que ser permanentemente operante. É preciso haver cuidados normais de uma obra dessa envergadura”, salienta Farias.

Aterro mudou a vida dos catadores

O  Aterro Sanitário de Manaus era um lixão a céu aberto, onde trabalhavam  diversos catadores de lixo.  Em meados de 2005, por meio de ação conjunta entre as secretarias municipais, foram retirados em torno de 300 catadores. Os que aceitaram continuar na atividade foram trabalhar em galpões cedidos pela prefeitura. Eles recebem os resíduos recicláveis de 12 roteiros da coleta seletiva e dos material dos quatros postos de entrega voluntária.

A presidente da Associação de Catadores de Material Reciclado do Amazonas (Ascamam), Cacilda Soares, trabalhou no antigo lixão  por quase quatro anos. Com a transformação em aterro, ela foi “transferida”  para um galpão no bairro Santa Etelvina, Zona Norte. Hoje,  conta que o trabalho melhorou muito a vista daquele tempo. Ela, inclusive, já viajou para São Paulo, Belo Horizonte e Brasília para participar de eventos sobre reciclagem.

“Ainda falta incentivo e apoio, mas tivemos muitos ganhos com a saída do antigo lixão. Temos 15 pessoas trabalhando na associação e cada uma recebe mais de um salário mínimo no final do mês”, revelou Cacilda.

Coleta seletiva cresce por eficiência

Manaus tem apenas 12 roteiros de coleta seletiva, mas o secretário municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Paulo Farias, afirmou que esse tipo de serviço vem crescendo na cidade por ganhos de eficiência “O Brasil está em pleno processo de discussão de implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e do Acordo Setorial de Logística Reversa de Embalagens em Geral. Nesse exato momento tem uma série de situações que estão sendo negociadas para ampliação da participação da coleta seletiva e da reciclagem”, lembrou.

De acordo com ele, em Manaus, a prefeitura está trabalhando em função da implementação desses dois importantes programas. “Nós estamos negociando com outros agentes da indústria a ampliação desse sistema nos termos do Acordo Setorial. Algumas coisas estão acontecendo, principalmente a industrial de tetra pak e de garrafas Pets, que já tem ações implementadas na cidade. Agora estamos negociando para implementarmos as outras. Esse é o fato mais relevante dessa discussão”, afirmou.

Blog: Peter Maia - Subgerente de Aterro Sanitário de Manaus

"O aterro funciona 24 horas por dia, de domingo a domingo. A capital é uma das únicas cidades do País, onde a coleta de resíduos sólidos é feita diariamente. O aterro é operado pelas empresas Tumpex, Marquise e CRA. As duas primeiras fazem a operação rotineira de tratamento de resíduos e a última realiza a capacitação e a queima do biogás resultante da decomposição desse resíduo sólido. A partir de 2006, quando foi assinando um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental (Taca), toda obra de revitalização foi feita com aplicação de manta pead, construção de dreno vertical e horizontal para captação de chorume e queima de biogás, entre outros, e tudo é monitorado. O aterro é composto de várias células, tem conformação em forma de trapézio. Cada célula possui altura de 5,5 a 6 metros com angulação média de 45 ºC. Os resíduos chegam, passam pela balança e são encaminhados para frente operacional. Eles são descarregados no talude e tratores fazem o trabalho de compactação e conformação. A cobertura diária dos resíduos é feita com camada de terra e/ou resíduos mecanizados (construção civil, mutirões e podas)".

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