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Manaus
águas claras

Dona de casa é presa durante desapropriação na comunidade Águas Claras, na Zona Norte

Família denuncia que policiais militares agiram com truculência e agrediram uma das moradoras do terreno 16/03/2016 às 07:00 - Atualizado em 16/03/2016 às 15:14
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Dona de casa afirma que foi agredida por policiais militares (foto: Evandro Seixas)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Durante cumprimento de um mandado de desapropriação na manhã de da última terça-feira (15), policiais militares agiram com truculência e agrediram uma das moradoras da edificação demolida, na rua Cipreste Azul, comunidade Águas Claras, na Zona Norte de Manaus. É o que a dona de casa Waldemira Cardoso Rodigues, 45, que foi detida após sofrer a agressão, denuncia. A versão foi confirmada por vizinhos e parentes da vítima.

Há nove anos, a família comprou um terreno por R$ 12 mil no loteamento. O comprador do terreno, Jhonison Serrão, 29, foi vítima da quadrilha liderada por Maria Silma Lima Braga e Jean Cláudio Lima Sombra, presos em 2013 durante a “Operação Gaia”, suspeitos de agilizar a venda dos terrenos irregulares.

 Segundo a polícia, Maria Silma vendia os terrenos com documentos falsificados em um escritório de uma imobiliária. “Foi assim que meu irmão comprou o terreno, mas nós só ficamos sabendo que tinha outro dono há mais ou menos um mês”, contou a irmã de Jhonison, Luana Serrão.

Segundo ela, a primeira notificação da Justiça chegou em fevereiro deste ano. O advogado da família recorreu e conseguiu derrubar a liminar. No entanto, outro mandado foi expedido e cumprido na manhã de ontem. “Vieram três oficiais de Justiça, cinco policiais militares e uns funcionários do homem que diz que é  o proprietário do terreno. Eles começaram a quebrar as coisas, colocar nossos móveis para fora, e quando eu comecei a filmar, um dos policiais veio pra cima de mim, puxou meu cabelo e me empurrou. Eu reagi e ele me prendeu”, conta Waldemira, que disse que chegou a ficar quase duas horas no camburão da viatura, sendo levada em seguida para o 27º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

A família denuncia, ainda, que os próprios policiais ajudaram  a demolir a edificação. “Eles não deveriam estar fazendo esse trabalho. Até onde sabemos eles são responsáveis por acompanhar o cumprimento do mandado. Eles chegaram a pegar os celulares de todo mundo que estava filmando e apagaram as fotos. Foi uma confusão”, completou Waldemira.

De acordo com Jhonison, que construiu um comércio no terreno, além de três casas, o prejuízo ultrapassa R$ 80 mil.

‘Desacato’

A Polícia Militar informou que durante o cumprimento da ordem judicial, a dona de casa foi detida por “desacato, desobediência e perturbação, após tentar obstruir o trabalho dos oficiais de justiça e incitar as pessoas presentes ao local a praticar desordem, na tentativa de impedir o cumprimento do mandado”.

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