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Manaus
TRAGÉDIA

Dono de micro-ônibus envolvido em acidente em 2014 na Djalma luta por indenização

Proprietário do coletivo atingido por uma caçamba busca na Justiça indenização pela perda do veículo; acidente deixou 16 mortos e 15 feridos 25/01/2018 às 07:02 - Atualizado em 25/01/2018 às 08:44
Show motorista
Cristiano só está trabalhando graças à solidariedade de presidente de cooperativa, que cedeu um veículo para ele usar. Foto: Nelson Brilhante
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Os processos sobre o acidente entre uma caçamba e um micro-ônibus que deixou 16 mortos e 15 feridos na avenida Djalma Batista, na Zona Centro-Sul de Manaus, em 28 de março de 2014, ainda estão em trâmite na Justiça do Amazonas, sem previsão de conclusão. Passados quase quatro anos, até hoje o proprietário do micro-ônibus, que teve perda total, Cristiano Rêgo da Cunha, 40, por exemplo, não recebeu nenhuma indenização.

Cristiano moveu uma ação contra o consórcio Manaus Etacom e a empresa Tercom Terraplenagem, donos da caçamba, pedindo indenização por danos morais e materiais. O processo está na 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Crimes contra a Ordem Tributária. Também estão sendo arroladas no processo a Prefeitura de Manaus, que contratou o veículo, e a seguradora da caçamba.

De acordo com a diretoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), o processo continua em andamento, mas, até ontem, não havia nenhuma audiência marcada sobre o caso. As famílias das vítimas do acidente que recorreram pedindo indenização também continuam aguardando uma decisão judicial.

Sem alternativas

Desde o trágico acidente, que resultou em perda total do seu micro-ônibus, Cristiano passou mais de dois anos até voltar a dirigir, já que seu motorista foi uma das vítimas fatais. Sem carro e sem motorista, ele decidiu ocupar o volante. O problema é que o mercado estava cheio. “Até hoje não recebi nem um centavo sequer. Para me manter, o jeito foi trabalhar no transporte clandestino, como motorista de lotação na Zona Leste, correndo até o risco de ser preso”, relembrou.

Depois desse período, o presidente da Cooperativa de Transportes do Amazonas (Cootram), André Telles, cedeu um de seus micros para que Cristiano trabalhasse. “Cada um está buscando suas indenizações. Eu perdi meu ônibus, única fonte de renda que tinha para sustentar minha família. Só agora é que estou trabalhando, graças ao presidente da nossa cooperativa, que me deu um micro-ônibus para dirigir. Até então, só recebi proposta indecente do seguro e dos donos da caçamba. Tentei conversar com eles, mas só levei ‘patada’. Me enrolaram tanto que resolvi entrar na Justiça, afinal tenho quatro filhos e pago pensão”,  disse ontem, em entrevista ao A Crítica.

“Eu entreguei o caso na mão de Deus. Não tenho mais nada a fazer a não ser esperar que se faça justiça, eu seja indenizado e consiga recuperar o que perdi, nem que isso dure vinte anos. Um dia vai ser feito justiça”, concluiu.

Imprudência foi causa da tragédia

Por volta de 19h30 do dia 28 de março de 2014, a caçamba de placas OAJ-8863, que prestava serviços terceirizados para a Prefeitura de Manaus e vinha no sentido bairro/Centro, colidiu de frente com micro-ônibus da linha 825 (Bairro da Paz) e placas NOL-0286, que vinha no sentido Centro/bairro.  O motorista da caçamba perdeu o controle do veículo, ultrapassou o meio-fio de aproximadamente um metro de altura e invadiu a pista contrária, colidindo de frente com o micro-ônibus.

Segundo testemunhas, o ônibus trafegava normalmente, indo a 40 km/h, enquanto o caminhão-caçamba vinha em alta velocidade desde a avenida Torquato Tapajós, e perseguia um veículo menor, um modelo S-10 não identificado. O motorista da S-10 teria conseguido se livrar da caçamba e parado metros depois. Exames revelaram que o motorista da caçamba havia consumido cocaína.

Vítimas fatais

Entre os mortos estavam o motorista do micro-ônibus, Robert da Cunha Moraes, 27, uma criança e uma mulher grávida de seis meses. Os técnicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda tentaram fazer o parto da grávida, mas sem sucesso.

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