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Manaus
PREPARAÇÃO

Famílias que vivem próximas a orla de Manaus começam a construir marombas

De acordo com o relatório do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), os rios Negro e Solimões seguem em processo crítico de enchente 05/05/2017 às 09:48 - Atualizado em 05/05/2017 às 09:49
Show cheia em cacau
Com parte das ruas debaixo d’água, quem aproveita são as crianças, que transformam o quintal de casa em balneário (Winnetou Almeida)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Todos os anos, sempre no início de maio, o eletricista Francisco Carlos Alves da Silva, 57, inicia a construção de novos assoalhos para a casa onde mora com a esposa, na rua 12, do bairro Cidade Nova, em Cacau Pireira, distrito de Iranduba (a 22 quilômetros de Manaus). A mesma rotina ele leva para a casa dos filhos, na mesma rua: todos sabem que maio é mês de se preparar para a cheia, construindo as chamadas marombas.

O assoalho, feito de madeira, servirá para a família de Francisco se abrigar assim que as águas do rio Negro invadirem a casa onde vivem. A realidade, conta o eletricista, é a mesma há 17 anos. “Vivemos neste mesmo local há muito tempo. Para não ficar no aperreio e ter que construir o novo assoalho em cima da água, nos últimos anos temos apertado o orçamento para tirar uma parte da renda para comprar madeira e antecipar a construção”, relatou.

Assim como Francisco, a dona de casa Maria da Costa, 51, começou, na última terça-feira, a construção de uma maromba para elevar o piso da casa e, assim, resguardar os eletrodomésticos e móveis. Segundo ela, na ria 12, onde ela vive, os primeiros dias de maio são de muito trabalho para os moradores, que começam a elevar seus assoalhos para não serem surpreendidos pela cheia. “Aqui todo mundo se ajuda. Seria bom se a Defesa Civil se preparasse também com antecedência para evitar que tivéssemos tantos gastos construindo marombas e pontes. Todos os anos gastamos muito com madeira, e quando a Defesa Civil aparece, as casas da nossa rua já estão quase todas com as obras concluídas”, comentou a dona de casa.

Conforme Maria, nem todas as famílias conseguem levantar o assoalho por questões financeiras. “É triste presenciar meus vizinhos perderem seus bens. Alguns não têm condições financeira para levantar o assoalho e precisam conviver com a água dentro de casa”, disse.

Brincadeira de criançaSe os pais estão preocupados com o ritmo de subida das águas, o mesmo não se pode dizer dos filhos. A criançada da rua 12 aproveita a cheia como pode. Os netos de Francisco acordam cedo para começar a brincadeira nas ruas alagadas, contou o eletricista. “A diversão não tem hora para terminar. Muitas vezes as crianças precisam ser retiradas da água. O legal da cheia é isso, a garotada aqui se diverte muito. Mas para nós fica a preocupação”, comentou.

Ritmo de subida

De acordo com o relatório do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), os rios Negro e Solimões seguem em processo crítico de enchente. O rio Amazonas segue em processo de enchente, apresentando níveis próximos aos observados nos anos em que ocorreram as respectivas máximas nas estações.

Seis municípios em emergência

Seis municípios do interior do Amazonas estão em situação de emergência. De acordo com a Defesa Civil do Estado, 10.530 famílias foram afetadas até o momento pela cheia deste ano. Além desses municípios, 16 estão em situação de alerta, 18 em situação de atenção e dois em situação de emergência por conta de deslizamentos de terra.

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