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Manaus
TRÂNSITO

Campanha Nacional de Trânsito começa hoje com foco na educação e conscientização

Com o tema “Nós somos o trânsito”, órgãos como Manaustrans e Detran-AM programam ações voltadas à campanha 18/09/2018 às 16:19 - Atualizado em 18/09/2018 às 16:20
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Uso do celular ao volante preocupa as autoridades, uma vez que vem contribuindo para acidentes grave. Fotos: Junio Matos/Freelancer
Silane Souza Manaus (AM)

É possível mudar a cultura brasileira no trânsito? Transformar o comportamento do condutor para que optem por um trânsito mais seguro? Especialistas garantem que sim: com ações de educação e conscientização. E é em busca de fomentar essa compreensão que acontece em todo o País, a partir desta terça-feira, a Campanha Nacional do Trânsito, com o tema “Nós somos o trânsito”. Em Manaus, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) estão programando uma série de atividades para serem realizadas entre a semana do 18 a 25 deste mês. 

Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) apontam que 90% dos acidentes de trânsito ocorrem por falhas humanas – que podem envolver desde a desatenção dos condutores até o desrespeito à legislação. Os exemplos são claros, excesso de velocidade, uso do celular, falta de equipamento de segurança, como cinto de segurança e capacete, consumo de bebidas alcoólicas antes de dirigir ou até mesmo dirigir cansado. 

A especialista em educação digital Cláudia de Moraes, que é diretora de produtos da Procondutor, empresa que desenvolve cursos especializados para formação, capacitação, reciclagem e aprimoramento de condutores, defende que a promoção de ações educativas é o melhor caminho para conscientizar a população e reduzir o número de acidentes. “Os principais motivos têm a ver com imperícia e imprudência. Aparentemente, as pessoas não sabem as consequências desses atos. A conscientização do efeito dessas atitudes negligentes no trânsito consegue mudar o comportamento de muita gente”, assegurou. 

O desafio, segundo Cláudia, é provocar essa mudança em pessoas que já têm um conceito pré-estabelecido, que chegam aos Centros de Formação de Condutores (CFCs) acreditando que sabem de tudo (aprenderam a dirigir com o pai, irmão, tio ou outro familiar) e acham que não precisam daqueles conteúdos. “O condutor tem a cultura de que a educação no trânsito não é importante, talvez porque tem contato com o tema quando vai tirar sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação). O assunto não é discutido no ensino médio, na construção da pessoa. Por isso é essencial termos o trânsito como tema transversal na escola”, sustentou. 

A especialista defende, também, que os condutores realizem regularmente cursos de reciclagem e aprimoramento para se atualizar ao cenário atual. Ela destaca que há constantes mudanças de leis, de frotas, de modais de transporte, entre outros, e todos tem que estar preparados para conviver em harmonia. “Hoje, por exemplo, em muitas cidades, as pessoas estão usando mais a bicicleta, não para lazer, mas para ir ao trabalho. Então, o condutor dos demais veículos precisa respeitar esse ciclista. Os motoristas, em geral, devem se conscientizar que cada um tem que fazer a sua parte para um trânsito mais seguro. Acidentes acontecem em segundos de distração e os impactos são grandes, vidas são perdidas”, frisou Cláudia de Moraes.

Ações serão realizadas

O Manaustrans informou que lançará, hoje, uma extensa programação para evidenciar a Semana Nacional de Trânsito. De acordo com o órgão, até o próximo dia 25, serão desenvolvidas atividades de educação, operação e engenharia para destacar medidas que resultem em trânsito mais seguro para condutores e pedestres. 

O Detran-AM também informou que realizará várias palestras em escolas e empresas, entre os dias 18 e 25 deste mês, em referência à Campanha Nacional do Trânsito.

Estatística na capital e Estado

O número de acidentes de trânsito com vítimas fatais aumentou 8,46% no Amazonas, entre janeiro e agosto deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 205 ocorrências em 2018, contra 189, em 2017. Os dados são do Detran-AM.

O total de veículos apreendidos, neste mesmo período, também cresceu. Passou de 968 para 1.623, aumento de 67,6%. Houve crescimento, ainda, na quantidade de autos de infração e de multas. O primeiro saiu de 21.308 para 21.545, e o segundo de 21.318 para 21.545, o aumento observado foi de 1,11% e 1,06%, respectivamente.

Já os atendimentos de vítimas de trânsito na rede de urgência e emergência em Manaus reduziram, de acordo com a Susam. Os dados apontam que 9.249 pessoas foram atendidas, entre janeiro e agosto deste ano, nos prontos-socorros e Serviços de Pronto Atendimento (SPAs), redução de 23% na comparação com o mesmo período de 2017, quando foram socorridas 12.013 pessoas.

Segundo dados do Manaustrans, de 1º de janeiro a 10 deste mês, foram registrados exatos 140 acidentes com vítimas fatais no trânsito da capital amazonense. No mesmo período do ano passado, aconteceu a mesma quantidade de ocorrência.

Ainda conforme o Manaustrans, em relação às vítimas fatais, os números indicam que, de janeiro a setembro deste ano, 143 pessoas vieram a óbito em acidentes de trânsito, um aumento de 1,39% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 145 vítimas fatais.

 Divulgação/CBMAM

Mortes e internações aumentam em oito anos

Quatrocentos e vinte e oito pessoas foram a óbito em 2016, por acidentes de trânsito no Amazonas. O número é 12,9% maior que o observado em 2008, ano em que a Lei Seca foi implementada, quando ocorreram 379 óbitos no Estado. Todavia, é 7,8% menor do que as mortes registradas em 2012, ocasião em que a Lei Seca sofreu sua primeira alteração, tornando-se mais rígida com o aumento da multa para condutores flagrados dirigindo alcoolizados.

Os dados, do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS), constam na pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2017, divulgada em junho deste ano.

O estudo mostrou que também houve crescimento, no período analisado, de internações. De acordo com o Sistema de Informações Hospitalares (SIH), em 2016, no Amazonas, 1503 pessoas foram internadas devido a acidentes de trânsito. A quantidade é quase sete vezes maior do que a de 2008, quando foram registradas 230 internações. Os gastos com esses atendimentos de saúde passaram de R$ 94 mil para R$ 2 milhões no Estado, de 2008 para 2016.

Para a gerente de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Dant), Vera Queiroz, da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), unidade da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), os números são preocupantes e mostram que, embora muitas ações educativas sejam realizadas, a conscientização ainda não faz parte da vida da maioria das pessoas, no País. “O uso de bebida alcoólica e de celular no volante continua sendo a principal causa de acidentes de trânsito”, disse.

Direção e álcool 

Ao todo, 9,6% dos motoristas de Manaus afirmaram que conduzem veículos motorizados sobre o efeito do álcool, segundo a Vigitel de 2017. A pesquisa apontou, também, que a frequência do hábito se mantém estável desde 2011. As oscilações entre os anos não permitem dizer que houve aumento. Os homens ainda são os que mais se arriscam na capital, representando 9,4% da população que dirige alcoolizada, enquanto as mulheres 1,6%.

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