Publicidade
Manaus
BRUTALIDADE

‘Ela não tinha culpa de nada’, diz tio de mulher encontrada decapitada na AM-010

Jainy Michely recebeu ligação do irmão José Isaque dos Santos, suspeito de participar da morte de policial, e foi encontrá-lo para pedir que se entregasse; os dois tiveram as cabeças cortadas 06/06/2017 às 18:59 - Atualizado em 06/06/2017 às 20:09
Show mulher
Jainy Michely dos Santos, 25, estava grávida de quatro meses de seu quinto filho. Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Rafael Seixas Manaus (AM)

“Nós já confirmamos que são os corpos do Isaque e da Michely. O que falta fazer é a autopsia e o exame de DNA. Ela foi atrás do irmão na sexta-feira (2) para convencê-lo a se entregar”, contou o tio da doméstica Jainy Michely dos Santos, 25, e José Isaque dos Santos, o “Trem Bala”, um dos suspeitos de ter participado do assassinato do policial militar Paulo Sérgio Portilho, encontrado morto na invasão Buritizal Verde, no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus, no dia 30 de maio deste ano.

O tio, que preferiu não se identificar por temer algum tipo de represália, informou à reportagem que os corpos do homem e da mulher encontrados, respectivamente nos dias 3 e 5 de junho, em ramais da Rodovia AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara, são de seus sobrinhos. Ambos apresentavam sinais de violência e estavam decapitados.

“O Isaque era o caçula de seis irmãos. Ela foi atrás dele para pedir que se entregasse para ficar na custódia da polícia, assim como os demais (suspeitos do crime), e ficar intocável. Com certeza quem fez isso com eles foi a polícia. Ela não tinha rixa com ninguém; nasceu e se criou no bairro Armando Mendes”, declarou o tio, acrescentando que Isaque não era traficante, mas sim usuário de drogas. Segundo ele, Isaque teve o azar de chegar na invasão Buritizal Verde, para comprar seu entorpecente, na hora errada.


Isaque dos Santos também foi encontrado decapitado em ramal da AM-010. Foto: Divulgação 

“Ele só era usuário. Trabalhava em uma cooperativa de ônibus executivo. Ele foi comprar a droga na hora errada, depois das 23h, porque é nesse horário que os ônibus são guardados”, completou. De acordo com ele, o DNA não foi realizado ainda porque o Instituto Médico Legal (IML) aceita somente o sangue dos pais para a realização do exame. A irmã das vítimas foi quem fez o reconhecimento dos corpos. A mãe não está em condições para fazer o recolhimento do material.

Michely teria recebido a ligação do irmão na última sexta-feira (2) e saído para encontrá-lo. Ela deixa 4 filhos, sendo 3 meninos e 1 menina,  e estava grávida de quatro meses do seu quinto filho.

‘Queremos justiça’

Amigos de Michely pediram justiça durante protesto realizado nesta terça-feira (06) na rua onde a vítima morava com a família, no bairro Armando Mendes, na Zona Leste da capital. As amigas dela de infância explicaram à reportagem que identificaram o corpo quando chegaram fotos no grupo de WhatsApp do qual fazem parte. A tatuagem de estrela próximo à virilha foi crucial na identificação, pois, segundo a dona de casa Tayle Oliveira, 32, Michely foi uma das três amigas que fizeram a mesma tatuagem na região e com o mesmo traço.

“Foi aí que avisamos a irmã dela, que foi ao IML e constatou que era mesmo o corpo, não só pela tatuagem, mas pelo pé e (cor das) unhas. Também encontram uma pulseira da Igreja Universal que ela usava. Após isso, a irmã dela confirmou no grupo de WhatsApp que era realmente ela”, disse Tayle.


Amigas de Michely pediram justiça durante protesto na rua onde morava a vítima. Foto: Divulgação 

“O que queremos é Justiça. A família da Michely não teve nenhum amparo do poder público e não teve nenhum serviço social aqui. A mãe não sabe que os filhos estão decapitados. Ela não sabe ainda porque não tem uma pessoa preparada para lhe contar”, complementou outra amiga da vítima, a universitária Milene Oliveira, 37.

A morte do policial militar Paulo Sérgio Portilho segue sendo investigada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Até o momento, nove suspeitos de participarem do crime foram detidos. Com a morte de Isaque, apenas cinco permanecem foragidos.

Publicidade
Publicidade