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Manaus
DOADORAS

Elas dão parte de si para salvar filhos de outras mulheres com o ato de amor

São elas que doam o leite materno aos bebês prematuros de outras mães que, devido às condições de seus filhos, não conseguem dar o 'líquido precioso' aos pequenos 13/05/2018 às 06:00
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Savana Maia começou a doar depois do nascimento do primeiro filho / Fotos: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A amamentação, um dos atos mais nobres e belos do mundo,  encontra nas dignas doadoras de leite humano uma das maiores demonstrações de amor ao próximo e salvando vidas. São essas mulheres que doam o leite materno aos bebês prematuros de outras mães que, devido às condições de seus filhos, não conseguem dar o “líquido precioso” aos pequenos.    

A dentista Savana Maia, 37, é uma “mãe de leite humano” desde novembro de 2012, quando sua primeira filha nasceu. O ato de doar o leite ao próximo foi sugerido pela pediatra de Savana, e passou a ser seguido religiosamente com outros dois filhos da dentista.

“Comecei a doar leite em novembro de 2012 quando minha primeira filha nasceu, e doei por mais ou menos um ano. Depois, no início de 2015 nasceu minha segunda filha e novamente pude doar leite. Agora, em 2018, sou doadora novamente por ter meu terceiro bebê. Eu sempre tive muito leite, o bebê mamava e ainda sobrava e eu precisava retirar para não ter mastite. Então a pediatra sugeriu doar o leite que sobrava. O que me motivou foi saber que eu podia salva a vida de muitos bebês prematuros”, destacou ela, que doa pelo sistema de coleta em domicílio, que é feito pelo Banco de Leite Humano do Amazonas - no seu caso, sempre o destino é a Maternidade Ana Braga.


Sua dedicação foi reconhecida com uma homenagem recente da Ana Braga 

Para a dentista, “doar leite é doar um pouco  do seu tempo, um pouco de si para o próximo. É dizer que eu me importo com outras vidas”. “Em 2012, uma das atendentes do banco disse que eu enviava leite para alimentar muitos bebezinhos prematuros. Achei tão lindo que sempre me esforço em ter tempo para doar, para fazer esse ato de amor”, ressaltou ela, que virou uma divulgadora em potencial do ato. “Eu incentivo a doação para todas as mulheres que eu conheço, porque aumenta a produção de leite para o seu próprio bebê e salva a vida de outros; você que é mãe, que teve bebe recentemente, lembre-se que o leite que sobra não deve ser desperdiçado”.

Aleitamento

O Ministério da Saúde (MS) recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais. Nos primeiros seis meses, o bebê deve receber somente leite materno, sem necessidade de outros alimentos, como sucos, chás e água. Quanto mais tempo o bebê mamar no peito, melhor para ele e para a mãe. Depois dos seis meses, a amamentação deve ser complementada com outros alimentos saudáveis e de hábitos da família. Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional.

O leite materno protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes, além de reduzir a chance de desenvolver obesidade. Crianças amamentadas no peito são mais inteligentes e há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo.

Benefícios

O ato de amamentar reduz o peso mais rapidamente após o parto. Ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, diminuindo o risco de hemorragia e de anemia após o parto. Reduz o risco de diabetes. Reduz o risco de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário. Pode ser um método natural para evitar uma nova gravidez nos primeiros 6 meses desde que a mãe esteja amamentando exclusivamente (a criança não recebe nenhum outro alimento) e em livre demanda (dia e noite, sempre que o bebê quiser) e ainda não tenha menstruado.

Onde se informar sobre a doação

 Os bancos de leite são responsáveis por receber leite materno por meio de doação, pasteurizar e distribuir às unidades de saúde para que sejam repassados a quem precisa, principalmente,  recém-nascidos prematuros, que se encontram em UTIs.

O leite pode ser doado por meio de um armazenamento em recipiente limpo e conservado, que deve ser entregue pela doadora cadastrada em um dos pontos de coleta. Para novas doadoras, é necessário triagem nos Bancos de Leite. 

De acordo com a coordenadora do Banco de leite Humano do Amazonas, Elizabeth Hardman, o essencial serviço de coleta do leite em domicílio vai contar, a partir de segunda-feira, com o apoio do projeto “Bombeiros Amigos do Peito”, do Corpo de Bombeiros.

 
Segundo a coordenadora do Banco de leite Humano do Amazonas, Elizabeth Hardman (à dir.), a coleta do leite em domicílio vai contar, a partir de segunda-feira, dia 14, com o apoio do projeto “Bombeiros Amigos do Peito”

De janeiro a dezembro de 2017, foram coletados cerca de 1.977, 3 (L/mL). Estas doações permitiram atender mais de 4,1 mil bebês que necessitavam de leite humano. A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) administra três pontos de coleta de leite humano: Banco de Leite Humano do Amazonas – Maternidade Ana Braga (alameda Cosme Ferreira, s/nº, São José, fone: 3647-4234), Banco de Leite Humano da Galileia (avenida Samauma, 630, Monte das Oliveiras, fone 3643-5523) e Banco de Leite Humano Fesinha Anzoategui (avenida Mário Ipiranga, 1.581 Adrianópolis, fone 3643-8146).

Maternidade tem o 'cantinho do leite'

Para aumentar  o estoque de banco de leite dos bebês nascidos na Maternidade Moura Tapajóz e estimular a adesão de mães doadoras na cidade, a Prefeitura de Manaus também colocou à disposição das mulheres que pretendam doar leite materno, um serviço de coleta em domicílio, com profissionais que orientam sobre o procedimento e ainda levam os frascos para armazenamento.

O serviço visa ajudar a regular o estoque de leite materno, para atender à demanda da maternidade. Para a eficiência da coleta, a Maternidade dispõe de equipe qualificada com motorista, técnico de enfermagem e carro para buscar vidros cheios e substituí-los por vidros esterilizados para as doadoras.
A diretora da Moura Tapajóz, Angélica Marocchio, explica que o kit utilizado pela equipe é composto por máscara, gorro, vidro esterilizado, etiquetas e gaze. “Para doar, a paciente deve ter

excedente de leite materno. Para isso, deve entrar em contato pelo telefone ou comparecer ao Posto de Coleta de Leite Humano que funciona 24 horas, mesmo para aquelas mães que não tiveram seus filhos na Moura Tapajóz”, destacou.

O telefone, tanto para solicitar a coleta em casa quanto para marcar o dia de doação no “cantinho do leite”, que fica na própria maternidade, é o 3216-8767, ramal 228. 

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