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Manaus
LUTO NA GLÓRIA

‘Ele estava muito feliz’, diz vizinha de homem morto a tiros no bairro São Jorge

Antônio Henrich Câncio, de 27 anos, ia se casar e estava procurando uma casa no bairro quando seu carro foi alvejado. Escola onde vítima trabalhava decretou luto 01/10/2018 às 20:33
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Escola municipal onde Antônio Henrich Câncio trabalhava decretou luto. Mãe e irmãs do rapaz também foram baleadas. Foto: Junio Matos
Joana Queiroz Manaus (AM)

A comunidade do bairro da Glória, na Zona Oeste, amanheceu nesta segunda-feira (1°) em luto. A Escola Municipal Paula Frassinetti não abriu os portões para receber os seus alunos e no muro da frente um pano preto com uma nota branca anunciava o luto pela morte do seu secretário, Antônio Henrich Câncio, de 27 anos. Um aluno de sete anos chorou quando soube que o “tio da secretaria estava morto”.

Hoje o sentimento era de tristeza e indignação pelas ruas do bairro.  Segundo a 21ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o carro de Henrich foi acertado por aproximadamente 15 tiros no último domingo. A mãe  da vítima, Angela Câncio, 49, foi alvejada no braço e perna, sua irmã Adriana Priscila, foi alvejada de raspão no rosto e a outra foi atingida por estilhaços de vidro na perna.

Henrich foi criado na rua Antônio Bitencurt. Falava com os vizinhos e, no final da tarde, sempre estava no jogo de pelada com os amigos. Católico praticante, não faltava às missas de domingo, onde tocava violão.

“Ele estava muito feliz, ia se casar e saiu para procurar uma casa para morar com a noiva”, contou a vizinha Fátima Barreto, 34. Mas de acordo com ela, não demorou muito para chegar  a notícia do crime.

Hoje os colegas de Henrich, Gerson Miranda, 26, e William Castelo, 33,  e outros conversavam sobre o que ocorreu com o colega.  “É triste e doloroso para nós que estávamos acostumados vê-lo passar aqui, falando com a gente, jogando o futebol no final da tarde e agora não vamos vê-lo mais”, disse Castelo. De acordo com os vizinhos, era uma família exemplar, onde todos trabalhavam, estudavam e tratavam bem todos.

Henrich também era conhecido dos vizinhos da escola onde ele trabalhava. A pedagoga Greyci Ferreira, 49, vizinha da escola, disse que o conhecia  porque era alegre e sempre estava disposto a ajudar quem precisava.  “A comunidade está muito triste. O clima aqui é de comoção e já estamos preparando uma manifestação para pedir justiça por ele”,  afirmou.

A cozinheira Akisandra Lima, 38, disse que é mãe de um aluno da Escola Municipal Paula Frassinetti e que o filho chorou ao saber que Henrich estava morto.

Família em estado de choque

Henrich morreu no Hospital 28 de Agosto, às 2h15 da madrugada de hoje. O corpo dele foi velado na funerária Gurgel, na rua Presidente Kennedy, bairro Santo Antônio. A mãe e as irmãs que também estavam no carro com ele e foram feridas, foram medicadas e recebem alta médica.  O estado de saúde delas é estável, porém estão em estado de choque.

Jovem pode ter sido confundido

Antônio Henrich Câncio teve o carro fuzilado quando estacionou na rua São José,   no bairro São Jorge, Zona Oeste, em uma área de residências de militares do Exército.  A polícia não tem dúvidas de que o carro dele foi confundido com o veículo do traficante que comanda a área, Alexsandro Oliveira dos Santos, vulgo ‘Sandrinho’, integrante da facção Comando Vermelho (CV),  ou de outro traficante já que Sandrinho está foragido.

O titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS),  Orlando Amaral, disse que tudo indica que o carro de Henrich foi sim confundido. “Nós já instauramos inquérito policial para investigar o caso.  O delegado Paulo Martins está cuidando exclusivamente das investigações”, afirmou Amaral.

Martins e uma equipe de investigadores, estiveram hoje na rua São José e ouviu moradores e  coletou imagens de câmeras para tentar identificar os pistoleiros que mataram o jovem.

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