Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020
declaração

'Ele queria um monte de Weintraubzinhos ensinando fascismo', diz Arthur sobre MP 979

Jair Bolsonaro decidiu na tarde de ontem (12) revogar a medida provisória que permitia a Weintraub a nomeação de reitores temporários para universidades federais, após o Senado devolver a matéria por ela violar a constituição



weitraub124_F8ED4A90-470B-4AF3-B1A8-F1D2B86059C6.JPG Foto: Reprodução/Internet
13/06/2020 às 14:54

Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta sexta-feira (12), o prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB), disse que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP) “agiu de maneira corretíssima” ao devolver a MP 979 que daria a prerrogativa ao ministro da Educação Abraham Weintraub de escolher reitores de universidades e institutos tecnológicos federais.  Para Arthur, o gesto foi correto “porque o ministro Weintraub queria um monte de Weintraubzinhos ensinando fascismo aos jovens”.

O presidente Jair Bolsonaro decidiu na tarde desta sexta-feira revogar a medida provisória que permitia a nomeação de reitores temporários para universidades federais, após o Senado devolver a matéria ao governo por entender que ela violava princípios constitucionais.



“Essa MP era um ataque à democracia brasileira. O ministro Weintraub tem que entender que não tem direita, não tem esquerda, não tem centro, o que tem é aquele que ganhou com os votos e que deve ser empossado livremente”, disse Arthur sobre o processo de escolha dos reitores.

A MP que já estava em vigor abria caminho para a intervenção em 17 universidades. Entre elas, a Universidade de Brasília (UnB) e as federais do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, do Pará, do Paraná e do Piauí.

O tucano comparou a medida aos tempos da ditadura militar, quando a reitoria  era escolhida por indicação e não pelo voto direto. “Essa ideia não vinga, não passa pela sociedade, não passa pelo Congresso, não deve passar por ninguém. Ele [Weintraub] está propondo um retrocesso com reitores biônicos, isso foi feito na época da ditadura e não podemos deixar que aconteça novamente. Vamos continuar lutando para defender a democracia”, pontuou.

A MP não atingia a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e nem o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), apenas instituições que o mandato dos reitores se encerra até dezembro.

O prefeito pediu que o ministro da Educação mude suas atitudes para que aja de acordo com o cargo que exerce. “Procure ouvir sem distinção e ganhará o respeito de volta por mérito. O que se espera de um ministro da Educação é que ele eduque e ao indicar reitores biônicos está deseducando, esse não é o seu papel. Fora da democracia não há salvação”, finalizou Neto.

Reações

A CRÍTICA mostrou na quinta-feira (11) que ao menos 4 parlamentares da bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional sinalizaram que pediriam ao presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP) a devolução ao presidente Bolsonaro, sem análise do mérito da MP 979/2020.

Os senadores Omar Aziz (PSD), Plínio Valério (PSDB), e os deputados Marcelo Ramos (PL) e José Ricardo (PT) classificaram a MP de Bolsonaro como “retrocesso” e “anti democrática”.

O presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA), Marcelo Mario Vallina, professor do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) declarou que a MP 979 é “mais ataque à Constituição Federal” e  um “ataque frontal a autonomia universitária” Marcelo Vallina analisa que “isso  é um ataque que está de acordo com a política do atual governo federal para o ensino superior”.

O presidente da ADUA pontua que a MP se soma ao “corte de 50% da verba de custeio destinado à UFAM no orçamento 2020”. “Por um lado, são ataques econômicos e financeiros, retirando recursos da universidade, e do outro lado, a tentativa de interferir permanentemente no governo democrático dentro da universidade”.

Vallina disse que a Associação pressiona deputados e senadores do Amazonas pela devolução da Medida Provisória ao Governo Federal.

Fascismo

De acordo com especialistas consultados por A CRÍTICA, fascismo é uma ideologia ultranacionalista que surgiu no início do século 20 com a ascensão de regimes totalitários, na Itália (Mussolini), Alemanha, (Hitler), Portugal (Salazar) e Espanha (Franco), que defendiam o Estado forte, culto a tradições, métodos poucos democráticos de debate e aplicação das leis, paramilitarismo, autoritarismo e uso da violência expressa no combate ideológico e repressivo contra minorias étnicas, a ciência e os meios de comunicação livres.


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