Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
publicidade
1.jpg
publicidade
publicidade

Manaus

Eleições 2012: Candidatos de Manaus ‘perdem’ espaço no rádio e na TV

Pelo menos 11 pré-candidatos e comunicadores da capital do Amazonas vão sair de cena por determinação da Justiça Eleitoral


10/06/2012 às 09:41

Privilegiados com a exposição da imagem em emissoras de TV e rádio em relação a outros candidatos, os 11 comunicadores que devem disputar a eleição em Manaus começam a deixar os palanques eletrônicos esta semana. Todos são obrigados pela legislação eleitoral a ficar distante dos microfones a partir da realização das convenções dos partidos cujo período de realização começa hoje e termina no dia 30 de junho.

As datas definidas no calendário eleitoral e a enxurrada de pedidos de cassação movidos pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra candidatos comunicadores, em 2010, são as principais causas da antecipação.

O calendário eleitoral determina que o dia 10 de junho é a “data a partir da qual é vedado às emissoras de rádio e de televisão transmitir programa apresentado ou comentado por candidatos escolhidos em convenção”. E foi esse trecho que deu um nó no entendimento dos apresentadores, porque até agora nenhuma convenção foi realizada.

O advogado especializado em processos eleitorais, Délcio Santos, explicou que o legislador decidiu colocar o texto no dia 10 de junho porque esta é a data em que é permitida a realização de convenções. Para o advogado, os comunicadores só são obrigados a deixar o programa a partir do momento em que o nome deles for confirmado na convenção. “A partir da convenção quem for escolhido candidato, tem que sair da TV e do rádio”, declarou.

Délcio disse compreender a preocupação dos candidatos. “Realmente, já vi o MPE impugnar (contestar judicialmente) candidatura por menos que isso. Acredito que não teria êxito. Mas não dá para garantir”, afirmou.

Essa foi a principal preocupação do pré-candidato à Prefeitura Municipal de Manaus e deputado federal, Henrique Oliveira (PR). Apresentador de TV e campeão de votos nas urnas nos últimos pleitos, Henrique Oliveira foi alvo de muitos processos movidos pelo MPE. O que cassou o mandato dele como vereador, em 2010, foi justamente uma ação judicial que nada tinha a ver com a profissão de comunicador. “Decidimos evitar qualquer problema com a justiça eleitoral. E estou fora do ar desde o início do ano”, afirmou.

A vereadora Mirtes Sales (PPL), que é a âncora do programa “Mirtes Sales Por Você”, veiculado pela RedeTV!, também optou não correr riscos com o MPE. “Hoje (no dia 8) foi o meu último programa. Resolvi sair antes do dia 10 (de junho) para não dar margem à dupla interpretação e no futuro, não sofrer nenhum problema”, afirmou.

Mirtes Sales saiu do ar, mas o programa dela permanece na grade da emissora com novos nomes e apresentadora. A partir de segunda-feira será apenas “Por Você”. No último programa, Mirtes justificou aos telespectadores que, “por força da legislação eleitoral” ia ficar fora do vídeo nos próximos três meses.

O artigo 27 da resolução nº 23.370 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê cancelamento do registro de candidatura caso as emissoras continuem a veicular programas que levem o nome de um candidato.

Clã Castelo Branco

O deputado federal Sabino (PTB) é o precursor do clã ‘Castelo Branco’ na vida política do Estado. Foi o campeão de votos em 2004 na disputa por uma vaga na CMM, quando apresentava o “Bronca na TV”. Em 2006, foi guindado à Câmara dos Deputados. No mesmo ano, a então esposa, Vera Lúcia Castelo Branco (PTB) foi eleita para a ALE. Em 2008, elegeu o filho, Reizo Castelo Branco (PTB) à CMM. Mas, em fevereiro deste ano, foi cassado por unanimidade no TRE-AM por abuso no uso dos meios de comunicação.

Afastamento

O juiz aposentado e ex-deputado estadual Francisco Balieiro (PCdoB) e o ex-senador e possível pré-candidato à Prefeitura de Manaus, Artur Neto (PSDB), defendem que candidatos comunicadores deveriam ficar “fora do ar” antes do que atualmente é previsto pela legislação.

Hoje, pré-candidato à prefeito de Tabatinga, Balieiro disse que desistiu de concorrer à Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) porque o ex-partido dele ficou recheado de candidatos com vantagens eleitorais.

“Eu era sozinho no PMDB e, de uma hora para outro, tive que concorrer, de forma injusta, com pessoas ligadas a mídia, às ongs e às igrejas”, disse.

publicidade

Para o ex-senador Artur Neto, que sempre teve expressivas votações sem nunca ter ancorado programas de rádio e TV, os comunicadores levam vantagem contra os que não dispõem das “mesmas armas”. Artur considera que a vantagem é maior nas eleições proporcionais. “Nunca tive programa de rádio ou TV. Nasci para ser noticiado e não para noticiar e, se dependesse de mim, detentores de mandato não poderiam ser proprietários ou sócios de jornais, rádios e televisões. Acho a legislação brasileira muito flácida nesse sentido”.

MPE monitora

O procurador eleitoral Edmilson Barreiros informou que o Ministério Público Eleitoral (MPE) monitora desde o início do ano todos os programas apresentados ou comentados por comunicadores que serão candidatos no pleito deste ano. Em 2010, os apresentadores de programas de TV e de rádio também foram monitorados pelo órgão.

Nem o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) escapou, sendo acusado de usar o programa de rádio “Fala Governador” para promoção pessoal. Os apresentadores que já conseguiram mandatos, em outras eleições, a frente de programas de TV assistencialistas não foram esquecidos: Sabino e Reizo Castelo Branco, ambos do PTB, Henrique Oliveira (PR) e Ronaldo Tabosa sofreram representações.

“Esse ano todo o trabalho está sendo levado pelos promotores eleitorais. Os atos que forem caracterizados como abusos podem virar alvo de representações”, declarou.

Barreiros esclareceu que o entendimento dele sobre a legislação é que os comunicadores candidatos só precisam se afastar dos programas após serem confirmados em convenção partidária.

Fórmula antiga

O uso dos meios de comunicação de massa como máquina de multiplicação votos não é nova e já produziu verdadeiros fenômenos nas urnas.

O estilo surgiu, no Amazonas, com o  ‘Carrapeta’, apelido que deu visibilidade a José Costa de Aquino, o pioneiro no Estado. Em 1982, ele se elegeu vereador de Manaus pelo PMDB com 9.580 votos.

Nas décadas de 80 e 90, Nonato Oliveira e Lupércio Ramos, na televisão, mostravam as mazelas sociais e suas indignações. Em 1986, Nonato e Lupércio disputaram, ambos pelo PMDB, o cargo de deputado estadual e receberam respectivamente, 16.761 e 11.442 votos.

Em 1992, teve início o “Canal Livre”, sob o comando dos irmãos Carlos e Wallace Souza. A família soube explorar os dividendos eleitorais gerados pelo vácuo do Estado no combate à falta de segurança. Wallace teve votações recorde para a ALE-AM. O irmão dele, Carlos Souza, âncora do mesmo programa, sagrou-se campeão de votos para a CMM e na Câmara de Deputados. O outro irmão, Fausto Souza, se elegeu vereador e no pleito passado se tornou deputado estadual.

 

 

 

 

publicidade
publicidade
Amazonas está há dois dias sem registrar casos de gripe H1N1
Preço da gasolina cai em Manaus após instalação da CPI dos Combustíveis
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.