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‘Eles vão me matar’, teme homem preso por envolvimento na morte do delegado Oscar Cardoso

Mário Tabatinga, acusado no envolvimento na morte do delegado Oscar Cardoso, teme ser morto se for transferido para presídio 27/12/2014 às 11:26
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Mário Tabatinga sendo escoltado durante a audiência sobre o caso no Fórum Henoch Reis
Joana Queiroz Manaus (AM)

O empresário do ramo de venda de veículo  Mário Jorge Nobre de Albuquerque o “Mario Tabatinga”  está preso há mais de oito meses na carceragem da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e a mais de seis meses que o titular da delegacia Paulo Martins está tentando tirá-lo de lá para que ele fique preso aguardando julgamento em uma unidade prisional.

Mário Tabatinga, segundo a polícia é um dos envolvidos na morte do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso, ocorrido em março deste ano e teria colaborado com as investigações fornecendo informações privilegiadas sobre o crime e os autores. O mesmo teme ser colocado na cadeia e ser morto.

Delegado Oscar Cardoso foi morto no dia 9 de março de 2014 com mais de 20 tiros

“Eu tenho medo de ir para a cadeia doutora, porque quando eu chegar lá eles vão me matar”, diz Mário Tabatinga, porém Paulo Martins diz que já mandou mais de cinco ofícios solicitando a transferência do preso para outro local, já que a delegacia não possui estrutura para manter presos de Justiça, mas não recebeu nenhuma resposta.

“O Tabatinga é um preso que exige um certo cuidado pela segurança dele e aqui nós não temos como garantir a segurança dele. O nosso pessoal é pouco para a quantidade de trabalho que temos que fazer e também não são treinado para cuidar de presos”, disse o delegado.

De acordo com Paulo Martins, o preso está alojado em uma cela onde recebe a visita somente dos familiares. A alimentação também é fornecida por eles porque a delegacia não tem recursos para alimentar presos. O mesmo também não tem banho de sol e outros direitos que os presos tem.

O delegado disse que nos ofícios que tem encaminhado à justiça, solicita um local seguro, como uma unidade militar, para Mário Tabatinga ficar, pois ele colaborou com a polícia na elucidação da morte do delegado e certamente se cair dentro de uma unidade prisional será morto.

O promotor de Justiça do processo da morte do delegado Oscar, Ednaldo Medeiros  disse que a transferência do preso é competência do titular da Vara Especializada em Execuções Penais (VEP). Atualmente é a juíza Mirza Telma Oliveira quem responde pela VEP e ontem ela que não podia falar sobre o caso sem abrir o processo  que ainda corre sob segredo de Justiça.

A magistrada disse que enquanto Mário Tabatinga estiver preso preventivamente cabe ao juiz da vara onde está o processo decidir pela transferir ou não o preso. O juiz da 2ª  Vara do Tribunal do Júri Anésio Pinheiro disse que desconhece  o pedido de transferência de Mário Tabatinga.

Na delegacia Mário Tabatinga disse que se sente mais seguro. Ele recebe a visita dos familiares que também fornecem a alimentação para ele.

Algumas vezes ele demonstra tristeza e diz que a vida dele acabou. O empresário passa a maior parte do tempo lendo, dormindo e costuma conversar com outros presos.

Suspeito preso na Venezuela

Mário Tabatinga foi preso  dias depois da morte do delegado na cidade de Puerto Ordaz na Venezuela. Ele confessou ter dado o Gran Siena, de cor branca e placas OAB-7782, para o traficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, assassinar o delegado. Segundo informações da polícia, Mário Tabatinga pegou o carro na sua locadora e o guardou em sua casa, no conjunto Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul, de onde só tirou no dia do crime.

O Siena OAB-7782 está registrado no Detran-AM em nome de H. Brandão, empresa da mãe do Comandante de Policiamento do Interior (CPI) da Polícia Militar, coronel Marcos Brandão. Mas, segundo as investigações, o veículo estava no pátio da locadora de Mário Tabatinga. As investigações revelaram ainda que, um dia antes do crime, João Branco e Mário Tabatinga tiveram um encontro, regado a uísque, na área do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde o traficante cumpria pena.

 Foragido

O traficante de droga João Pinto Carioca, o “João Branco”, está fugitivo da justiça desde março deste ano. Ele cumpria pena no sistema semi aberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) no quilômetro 8 da BR-174 (que liga Manaus-Boa Vista). Segundo as investigações,  no dia do crime, João Branco teria saído da cadeia  só para matar o delegado (Oscar) e depois retornou.


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