Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
MONITORAMENTO

Em abril completa três anos que ruas de Manaus não são monitoradas por radares

Os equipamentos foram desativados depois que a Consladel, empresa responsável pela instalação e controle dos equipamentos, foi denunciada pelo Ministério Público do Amazonas



radares.JPG Licitação para nova empresa operar está parada. Foto: Bruno Kelly - 17/set/2012
05/02/2018 às 07:33

Já se passaram quase três anos e nada. Desde abril de 2015 não há monitoramento de velocidade por radar e as vias da cidade de Manaus, sem os equipamentos de fiscalização eletrônica, tornaram-se pistas de corrida, além de outras infrações.

O Instituto Municipal de Fiscalização e Engenharia de Trânsito (Manaustrans), órgão responsável pelo controle do serviço, fica dependendo apenas de algumas ações de pouco efeito e de imagens “emprestadas” por outro órgão. Enquanto isso, milhares de veículos não autorizados usam e abusam, principalmente da faixa azul, trecho exclusivo para veículos com placa vermelha (coletivos e táxis), além de ambulâncias e viaturas policiais.



Os equipamentos foram desativados depois que a Consladel, empresa responsável pela instalação e controle dos equipamentos, foi denunciada pelo Centro de Apoio Operacional de Inteligência, Investigação e de Combate ao Crime Organizado (Cao-Crimo), do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

Na época o órgão constatou que a licitação era “viciada”, isto é, teria favorecido a empresa paulista, que não contestou e nem comprovou idoneidade na disputa do pleito.

Em maio de 2015, a Prefeitura de Manaus abriu uma nova licitação para o serviço, mas foi suspensa em seguida por força de uma representação feita pela empresa Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda, acusando ilegalidades e restrição ao caráter competitivo da referida licitação. Desde então, o processo licitatório ficou no MP-AM para ser analisado.

Em nota, o MP-AM informou para A Crítica que o processo foi repassado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), departamento vinculado ao próprio ministério.

Atualmente, o controle de trânsito do Manaustrans depende das imagens captadas pelas câmeras do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), instaladas nas principais avenidas da cidade. A justificativa da Prefeitura de Manaus, por meio da Manaustrans, é a demora do Ministério Público Estadual (MP-AM) em analisar o processo licitatório suspenso em 2015.

Procurado pela reportagem do jornal A CRÍTICA, o diretor presidente do Manaustrans, Franklin Pinto, se negou a dar entrevista.

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), somente no ano passado, aproximadamente 47 mil pessoas morreram e 400 mil ficaram feridas no Brasil, vítimas de acidente de trânsito. Os dados colocam o Brasil em 4º lugar no ranking de acidentes nas Américas, atrás da República Dominicana, Belize e Venezuela.

Triste lembrança

No próximo dia 28 de março completa quatro anos o trágico acidente na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul, entre um micro-ônibus e uma caçamba que vitimou fatalmente 16 pessoas, deixando outras 19 feridas.

Depois do acidente, a Prefeitura de Manaus prometeu ampliar ações de engenharia, educação e fiscalização com o intuito de tornar o trânsito da capital mais seguro. A meta era a mudança de comportamento de condutores e pedestres.

Um dos primeiros atos foi a criação da Lei Municipal número 1.861, de 06 de maio de 2014, que instituiu a Semana Municipal de Trânsito no calendário oficial de Manaus. Além disso, 28 de março tornou-se o Dia Municipal de Prevenção de Acidentes e Combate à Violência no Trânsito.

As medidas de trânsito buscavam, sobretudo, reduzir acidentes; inibir infrações à legislação de trânsito por parte dos motoristas; conscientizar sobre a redução de velocidade e proporcionar mais fluidez às vias. Foram necessárias intervenções que restringiram a circulação de veículos pesados nos principais corredores de tráfego, com fiscalização mais rigorosa. Mas, sem radares é quase impossível atingir a maioria desses objetivos.

Suspeita de blitze irregular da PM

Moradores de diversas zonas denunciam que blitze relâmpagos estariam sendo realizadas, geralmente entre 23h e meia-noite de forma irregular. Conforme os relatos, grupos de policiais militares interceptam trechos de ruas e avenidas com trânsito movimentado e abordam condutores, exigindo apenas documentação do veículo e do condutor. As operações são rápidas e dificilmente um veículo é apreendido.

O empresário Jorge Roberto Souza, 35, revelou que, constantemente, é surpreendido por essas ações em frente ao seu estabelecimento comercial, na avenida Torquato Tapajós. “Eles chegam, colocam os cones e começam a parar os veículos. Depois de ‘checarem’ documentações e irregularidades no veículo, vão embora. Curioso é que ninguém é detido e nenhum carro é recolhido”, denuncia. Segundo ele, a operação não ter a participação de agentes da Manaustrans e do Detran-AM é de causar estranheza.

Tanto o Detran-AM, quanto a Manaustrans e a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) negaram a existência de operações ilegais.

Bons coletivos contra a imprudência

Um dos fatores que fazem com que os condutores cometam infrações, como dirigir em velocidade acima do permitido e transitar em pista proibida, é a má qualidade do transporte público. Outro é a falta de solidariedade em relação à carona, isto é, a maioria dos carros de passeio é ocupada por apenas uma pessoa. Às vezes os vizinhos têm filhos que estudam na mesma escola, mas não usam o revezamento. Com isso, aumenta o número de veículos circulando, o de tempo de espera para chegar ao destino e, consequentemente, a imprudência. Essa é a avaliação do diretor da empresa digital Trânsito Manaus, Luiz Eduardo Leal, que diariamente recebe e repassa informações, via Internet, da situação do trânsito em Manaus para cerca de 600 mil usuários.

“Para melhorar o transito não precisa aumentar o número de vias. Basta melhorar o transporte público com mais e melhores ônibus e as pessoas serem mais solidárias. Um carro ocupa quatro metros apenas com uma pessoa dentro. Resolvidos esses dois problemas, sobrará mais espaço e menos imprudência”, defende Leal. Ele aconselha também o uso de aplicativos que informam sobre trânsito, antes de sair de casa.


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