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Manaus
INVESTIMENTO SEM RESULTADO

Prefeitura pagou R$ 2 milhões por estudo da faixa azul em abril

Após recuo na fiscalização, nova análise será feita para implementação da faixa azul na avenida Max Teixeira, na Zona Norte de Manaus 27/09/2016 às 05:00 - Atualizado em 27/09/2016 às 08:22
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População sentiu na pele os problemas da Faixa Azul, que vem sendo pouco usada pelos coletivos e causando congestionamentos (Foto: Evandro Seixas)
Kelly Melo Manaus

Após firmar contrato de mais de R$ 2 milhões  com empresa Vetec Engenharia, em abril deste ano, para realizar estudos técnicos para melhorar o tráfego em quatro corredores viários das  zonas Norte e Centro-Sul, a Prefeitura de Manaus voltou a atrás e determinou que novos estudos sejam realizados para implementação da faixa azul na avenida Max Teixeira, na Zona Norte. 

No último domingo, o prefeito Arthur Neto (PSDB) decidiu suspender por tempo indeterminado a exclusividade na via até o Terminal de Integração  (T3), devido a grande retenção que se formou no trecho, principalmente na rotatória  do Manoa,  nos quatro primeiros dias de implantação da faixa azul. Agora, o município vai realizar novos estudos de engenharia para determinar a viabilidade da avenida receber a faixa azul.

Ontem, A CRÍTICA tentou contato com o diretor-presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Eudes Albuquerque, para explicar o motivo de os estudos  realizados não terem sido eficazes, mas sem sucesso.

Usuários insatisfeitos
Enquanto isso, mesmo quem utiliza o transporte público diariamente reclama que a exclusividade da Faixa da Azul privilegiou apenas uma minoria dos usuários, visto que só 6%  da frota de ônibus que passa pelas avenidas Max Teixeira e Torquato Tapajós param nas plataformas centrais, ou seja, utilizam a faixa exclusiva. “Fiquei mais de  40 minutos parado no trânsito porque ninguém conseguia sair. Essa faixa azul não ajudou em nada”, disse o estudante Mykael Vitor Lopes, 15, que estuda no Colégio Militar da Polícia Militar da Cidade Nova, na Zona Norte, e mora no bairro Morro da Liberdade, na Zona Sul.

O assistente administrativo Ewerton Moraes, 32, também criticou a forma como a faixa foi implementada e afirma que todo o sistema  precisa ser reavaliado para que possa trazer resultados positivos para toda a população. “O problema é que os ônibus pequenos continuaram usando as outras faixas e só os articulados, que são poucos, que ficaram circulando da exclusiva. Os ônibus têm que circular na mesma faixa para dar certo”, opinou ele.

De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), mais de 100 veículos embarcam e desembarcam 1,515 milhão de passageiros ao mês nas plataformas centrais localizadas na extensão do corredor exclusivo que liga o Centro ao Terminal 3. Em toda a capital, mais de 20 milhões de pessoas utilizam o transporte coletivo por mês.

Sem informação
Até o fim da manhã de ontem, a avenida Max Teixeira ficou no sentido centro-bairro completamente engarrafada. O principal motivo era que muitos dos motoristas não sabiam da suspensão da exclusividade da faixa azul, divulgada quase no final da noite de domingo.

Advogada e cicloativista
Quanto a faixa azul, falta pressão popular para que Manaus diversifique a forma como as pessoas se locomovem de modo a desestimular o uso do carro particular. Essa deve ser a prioridade da prefeitura e não infraestrutura para carros particulares. A prova de que só a pressão popular resolve é a decisão da prefeitura que suspendeu o uso da faixa azul na Cidade Nova. Um retrocesso do ponto de vista da mobilidade, pois, o foco deveria ser o melhoramento do projeto, que hoje tem erros, mas pode melhorar. O questionamento aqui nem é a eficiência ou não da faixa azul, mas sim, quem reclama não é quem usa ônibus e o faz com um único argumento: de que atrapalha o trânsito. Mas porque os críticos não fazem o mesmo com outros fatores que igualmente contribuem para o caos do trânsito, como esse (carro parado na faixa de rolamento)? Porque o cidadão é egoísta, só analisa as questões relativas à cidade do ponto de vista do seu interesse e no lugar de cobrar melhorias do poder público para soluções que visem a melhoria da cidade como um todo, apenas criticam, perpetuando erros que continuarão levando Manaus para o caos.

Comerciante relata prejuízo
Mesmo o Manaustrans tendo informado a suspensão do faixa exclusiva na Max Teixeira pelas redes sociais, muitos motoristas não sabiam da mudança e se “imprensaram” em um congestionamento até o fim da manhã de ontem.

O comerciante Rômulo Reis, 51, foi uma das pessoas que não sabia da suspensão do uso exclusivo na faixa da direita. Reis é proprietário de uma empresa localizada no início da Max Teixeira, e como precisou resolver outros problemas, teve que se deslocar na via e enfrentou o trânsito. “Muitos não sabiam que ela  estava novamente liberada, por isso que há o congestionamento. Na verdade, está assim  desde a quinta-feira, quando começou a valer a fiscalização”, disse.

Além do congestionamento, Rômulo Reis  informou que nos últimos quatro dias, a faixa azul ocasionou prejuízos para empreendimento dele.  “Estamos sem conseguir bater as metas de vendas diárias. Tenho certeza que isso é um reflexo da faixa azul, pois ninguém gosta de ficar preso no trânsito. Se os clientes sabem que há engarrafamento nesta região, vão procurar outros locais com um melhor acesso”, completou o Reis.

“A maiori a dos ônibus passam pelo lado direito, poucos são aqueles que passam pelo lado esquerdo - o lado da faixa - então não há lógica. Por isso repito: o projeto deveria muito bem estudado antes de ser implantado. Essa faixa parece com a máfia dos radares e só tem uma finalidade que é arrecadar dinheiro do povo”, criticou.

Para o técnico em fibra ótica, Geraldo Pereira Neto, 29, o principal erro da faixa exclusiva é de haver um número mínimo de ônibus circulando. “Não perdemos uma faixa, mas duas faixas, pois boa parte  dos ônibus continuam a circulando pelo lado direito. Qualquer pessoa que para na via para observar, vai ver que a maioria dos usuários do transporte público fica nas paradas do lado direito. São poucos os que utilizam o ônibus que tem a passagem na faixa exclusiva”, afirmou.

*Colaborou: Isabelle Valois

 

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