Domingo, 24 de Outubro de 2021
BATE-BOCA

Em ação coorporativista, vereadores atacam oposição à construção de anexo da CMM

Contrário ao gasto de quase R$ 32 milhões em um novo prédio, Rodrigo Guedes (PSC) foi criticado por outros parlamentares que saíram em defesa do ato do presidente da Casa



51368698670_d9bcac99b9_c_5B710D53-A0F4-4AC3-A2A3-4EB598A4E4E7.jpg Foto: Robervaldo Rocha / CMM
13/09/2021 às 11:57

A sessão da Câmara Municipal de Manaus desta segunda-feira (12) foi repleta de desentendimentos entre os vereadores. O tema: a construção de um novo prédio anexo ao parlamento que deve custar quase R$ 32 milhões aos cofres públicos.

O tema veio à tona quando o vereador Rodrigo Guedes (PSC) divulgou as intenções do presidente da CMM, David Reis (Avante) de construir o anexo que deve, segundo a presidência, ter a estrutura necessária para comportar até 51 vereadores - hoje são 41 na casa, mas as vagas aumentam de acordo com o crescimento populacional.

A obra deve também evitar a disputa entre os parlamentares por espaço nos gabinetes, uma vez que atualmente as salas em que os vereadores realizam os seus trabalhos têm um tamanho desigual.

Categoricamente contra a realização das obras, Guedes reforçou em plenário o que já havia citado aos veículos de imprensa nos últimos dias e defendeu que o dinheiro fosse distribuído para outros fins.

Segundo ele, no atual momento econômico e com boa parte da população desempregada e necessitando de apoio do Estado, o correto seria revestir os recursos para a prefeitura para fomentar ações de assistência social, esporte, educação e infraestrutura.

Incomodou

A fala de Guedes, no entanto, incomodou os colegas de parlamento. David Reis refutou a expressão 'puxadinho' utilizado pela mídia local e disse que "Não foi eleito presidente [da CMM] para brincar com recurso público", defendendo a construção do novo prédio.

"Só quem não conhece as instalações da Câmara que defende que o novo prédio não deva ser feito. Vossa excelência inclusive foi infeliz quando chamou essa obra de 'puxadinho'. Pode parecer com tudo menos com 'puxadinho'. Eu tenho certeza que Deus vai nos dar vida para estarmos juntos inaugurando esta obra, que não é minha, que não é de nenhum vereador, é da próxima instalação da Câmara Municipal de Manaus", disparou David.

Oportunismo barato

Quem também respondeu com dureza o parlamentar, foi o vereador Wallace Oliveira (PROS) que defendeu a construção do anexo milionário. Wallace disse que a obra será a "consolidação" do parlamento municipal e deve dar continuidade às ações já desenvolvidas por presidentes de outras legislaturas. Ele chamou ainda o discurso contrário de Guedes de "oportunismo barato para eleições".

"O que vossa excelência propõe hoje, não pode ser taxado como foi taxado, de puxadinho. Esses discursos oportunistas de plateia, discursos pré-eleitoreiros, não podem acontecer. Quando alguém aqui é atacado toda instituição é atacada, toda instituição é fragilizada. Então, eu quero me solidarizar a vossa excelência [David Reis]", declarou Walace.

'Tenho um pai e não é vossa excelência'

Rodrigo Guedes devolveu os ataques e disse deu a entender que há uma perseguição por parte da base do governo, uma vez que os vereadores Amon Mendel (Podemos) e Capitão Carpê (Republicanos) também foram contra a licitação para a obra.

"É  minha opinião simplesmente. Se vossa excelência pensa diferente parabéns para vossa excelência. Toda vez que eu pronuncio, vereador Wallace, vossa excelência vem aqui me dar um sermão. Vossa excelência foi eleito igual a mim. Eu tenho um pai e não é vossa excelência não", retrucou o vereador.

Outros vereadores que seguiram a linha de criticar Rodrigo Guedes foram Mitoso (PTB), Diego Afonso (PSL) e Glória Carrate (PL), que apelou para o “lado familiar”. “Aqui nós somos todos companheiros, nós somos uma família, e estamos nos desgastando por besteira. Eu sei que isso não é besteira, vossa excelência está certo em defender o dinheiro público. Mas tem certas coisas que devemos evitar”, afirmou Carrate, chamando as ações de Rodrigo de “futriquinha”.

Alto custo

Na última sexta-feira (3), no Diário Oficial da CMM foi publicado o edital de concorrência para obra do anexo. A concorrência pública está marcada para acontecer às 10 horas do dia 18 de outubro de 2021.

A obra deve custar R$ 31.979.575,63, valor esse quase oito vezes maior que o custo para construção do Anexo I, em 2018, que pagou cerca de R$ 4,4 milhões. O prédio do Anexo I abriga um miniauditório, gabinetes e o memorial da Câmara. Recentemente, a CMM gastou também R$ 1,4 milhão para colocar um toldo no estacionamento com propósito de proteger os carros dos vereadores.



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